Empresa com participação da Petrobrás inicia colheita de cana-de-açúcar 100% mecanizada em GO

7 de maio de 2011

Blog da Petrobrás
6 de maio de 2011

Usina Boa Vista sedia abertura da safra de cana em Goiás

A safra 11/12 de cana-de-açúcar no Estado de Goiás foi aberta de forma oficial nesta sexta-feira (6/5) na Usina Boa Vista, localizada no município de Quirinópolis (GO). A unidade, que integra a Nova Fronteira – empresa formada por meio da parceria entre a Petrobras Biocombustível e o Grupo São Martinho – produz exclusivamente etanol e possui 100% de sua colheita de forma mecanizada.

Usina Boa Vista (GO) da Nova Fronteira Bioenergia S.A - joint venture formada entre a Petrobrás Biocombustivel e o Grupo São Martinho

O governador do Estado de Goiás, Marconi Perillo, ressaltou em seu discurso a importância da indústria sucroenergética, um segmento econômico que vem crescendo nos últimos anos, trazendo oportunidades e fomentando a economia do estado com empreendimentos modernos como a Usina Boa Vista.

O diretor de Etanol da Petrobras Biocombustível, Ricardo Castello Branco, por sua vez, afirmou que a estratégia de expansão da produção de etanol e energia elétrica no Estado de Goiás se dará, prioritariamente, por meio da Nova Fronteira. “Vamos crescer a partir de uma associação que une a expertise da Petrobras em logística, operações industriais, comercialização, tecnologia e padrões de Segurança, Meio Ambiente e Saúde, com a São Martinho, um dos maiores grupos sucroenergéticos do país”.

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Parceria entre a Petrobras Biocombustíveis e o grupo São Martinho vai ampliar produção de bioetanol em Goiás

25 de janeiro de 2011

Portal do Agronegócio Goiano
24/01/2011

Petrobras Biocombustíveis e São Martinho vão investir R$ 700 milhões em Goiás

A joint venture Nova Fronteira Bioenergia S.A, formada pela sociedade entre o Grupo São Martinho e a Petrobras Biocombustíveis, vai investir R$ 700 milhões nos próximos três anos para ampliar a capacidade de produção da Usina Boa Vista, em Quirinópolis. Ontem, o governador Marconi Perillo, o presidente do Grupo São Martinho, Fábio Venturelli, e o diretor de Etanol da Petrobras Combustíveis, Ricardo Castelo Branco, assinaram um novo contrato de financiamento de incentivos fiscais pelo programa Produzir, no valor de R$ 4,2 bilhões.

A Nova Fronteira Bioenergia é voltada para a produção de etanol na Região Centro-Oeste do Brasil, onde também está implantando o projeto Greenfield SMBJ Agroindustrial, localizado no município de Bom Jesus.

Com investimentos nas atividades agrícolas e industriais, a Usina Boa Vista vai ampliar sua capacidade de moagem de atuais 2,5 milhões para 7 milhões de toneladas de cana, com colheita 100% mecanizada, sem queima. A ampliação da produção na unidade industrial de Quirinópolis vai elevar o número de empregos diretos de 1.600 para 4 mil . Leia o resto deste post »


Biocombustíveis de 2ª geração: Petrobrás assina contrato com KL Energy para desenvolvimento de tecnologia de produção de etanol celulósico

24 de agosto de 2010

Agência Petrobrás de Notícias
24/8/2010

Petrobras assina contrato com KL Energy para desenvolvimento de tecnologia para produção de etanol celulósico

A Petrobras, por meio da Petrobras America, assinou um contrato de desenvolvimento conjunto com a KL Energy Corporation (KLEG.PK, “KLE”) para a otimização da tecnologia da KLE de processamento de etanol celulósico para a utilização de bagaço de cana-de-açúcar como matéria-prima.

A última geração do processo da KLE traz importantes melhorias em comparação com a primeira geração da tecnologia, implementada em 2008 na unidade de demonstração da empresa localizada em Upton, estado de Wyoming (EUA). A unidade utiliza resíduos de madeira como matéria-prima e pode ser otimizada para utilizar vários tipos de matérias-primas.

Como parte do contrato, a Petrobras investirá US$ 11 milhões para adaptar as instalações de demonstração da KLE para utilizar bagaço e validar, por meio de testes, o processo para a produção de etanol celulósico.
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Petrobrás e São Martinho formam parceria no setor de etanol

22 de junho de 2010

21/06/2010

Petrobras e São Martinho formam parceria no setor de etanol

A Petrobras, por meio da sua subsidiária Petrobras Biocombustível, anuncia parceria estratégica com o Grupo São Martinho S.A. para o crescimento da produção de etanol na região Centro-Oeste do Brasil, no Estado de Goiás.

O acordo prevê a constituição de uma nova sociedade, denominada Nova Fronteira Bioenergia S.A., que controlará a Usina Boa Vista, atualmente em produção, e o projeto greenfield denominado “SMBJ Agroindustrial S.A.”, ambos localizados em Goiás. Por meio da contribuição de R$ 420,8 milhões, a Petrobras Biocombustível passará a deter 49% das ações da nova sociedade. O desembolso se dará em duas etapas: a primeira, de R$ 257,6 milhões, após a conclusão da due dilligence, que ocorrerá em até 90 dias, e o restante até 12 meses depois.

Os recursos aportados serão destinados à expansão da produção da nova sociedade, em especial da Usina Boa Vista, localizada em Quirinópolis (GO). Com os investimentos já realizados e a realizar, ela terá sua capacidade de moagem ampliada dos atuais 2,5 milhões de toneladas de cana de açúcar para 7 milhões de toneladas na safra 2014/15.
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Segundo estudo do IPEA a fabricação de biocombustíveis não vai prejudicar produção de alimentos no Brasil

26 de maio de 2010

Agência Brasil

26/05/2010

Ipea: fabricação de biocombustíveis não vai prejudicar produção de alimentos

Danilo Macedo

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Apesar do avanço das lavouras de cana-de-açúcar sobre áreas destinadas à pecuária e à agricultura nos últimos anos, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentada hoje (26) afirma que o país não vai perder potencial como produtor de alimentos em função desse crescimento. Para isso, no entanto, o estudo Biocombustíveis no Brasil: Etanol e Biodiesel, ressalta a necessidade de o Estado regular a fabricação de etanol e priorizar a produção de alimentos com financiamento e infraestrutura.

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Pré-sal não pode ser o pós-etanol

14 de outubro de 2009

http://jbonline.terra.com.br/leiajb/2009/10/14/primeiro_caderno/pre_sal_nao_pode_ser_o_pos_etanol.asp
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Jornal do Brasil

14/10/2009

Pré-sal não pode ser o pós-etanol

João Sampaio

SECRETÁRIO ESTADUAL DE SÃO PAULO

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RIO – As jazidas de petróleo do pré-sal, mais uma dentre as imensas dádivas naturais do Brasil, são uma riqueza expressiva e, sobretudo, um consistente diferencial competitivo no comércio exterior. Se o cronograma de extração não sofrer alterações e se se viabilizarem os elevados investimentos previstos, a produção deverá iniciar-se em cerca de dez anos, conferindo sobrevida à velha economia baseada na queima de combustíveis fósseis, persistente em numerosos países sem alternativas viáveis para alterar suas matrizes energéticas.

O Brasil, nação detentora das melhores condições do mundo (áreas disponíveis, solo, clima e tecnologia) para a produção de biocombustíveis, em especial o etanol, terá, então, posição privilegiada. Poderá ampliar cada vez mais o uso interno de fontes renováveis, menos poluentes e sem a mínima suscetibilidade às crises internacionais e tornar-se exportador de petróleo para nações que não dispõem de reservas e não têm quaisquer condições de produzir cana-de-açúcar em larga escala, embora desejassem muito poder fazê-lo. Basta uma estratégia eficaz para tornar essa equação da matriz energética um dos trunfos de nosso desenvolvimento.

Desprezar a importância do pré-sal seria tolice tão desmedida quanto um retrocesso nos programas dos biocombustíveis, em especial o etanol. Por isso, são preocupantes algumas posições e atos de organismos públicos federais que, de repente, parecem esquecer as conhecidas vantagens socioeconômicas e ambientais da cadeia produtiva da cana-de-açúcar, empregadora de mão de obra intensiva, grande exportadora e base de um processo dinâmico de aporte tecnológico – os automóveis flex são um ótimo exemplo! Mais grave: esboçam-se ataques ao setor, num movimento estranhamente proporcional à substituição dos biocombustíveis pelo monopólio semântico do pré-sal no discurso energético do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dentre tais manifestações, inclui-se a recente Nota verde do Ministério do Meio Ambiente e do Ibama, com a anunciada intenção de oferecer à sociedade informações relativas aos níveis de emissão veicular gerados por carros leves de passeio. O documento chega à brilhante conclusão de que, em muitos casos, o etanol polui mais do que a gasolina. Utilizou-se metodologia inadequada para fazer parecer correta uma conclusão muito distorcida quanto aos volumes de monóxido de carbono. Compararam-se modelos diferentes de veículos, inclusive alguns importados, com graus muito díspares de tecnologia embarcada. Um verdadeiro atentado contra os preceitos da ciência, da pesquisa e da ética. Quanto a este último item, cabe a ressalva: se motivado por dolo e não mera incompetência…

A análise não respeitou os rigorosos critérios aplicados na homologação de veículos. Além disso, ignorou por completo os gases causadores do efeito estufa. Neste quesito, o etanol derivado de cana-de-açúcar apresenta boas propriedades, pois é praticamente neutro quanto às emissões de dióxido de carbono. Ou seja, a Nota verde é um desserviço à nação, ao colocar em xeque 30 anos de avanços concretos no desenvolvimento do etanol como combustível mais barato, limpo e renovável.

Como se não bastasse, o Ministério do Meio Ambiente acaba de divulgar o seu Plano de Ação para Controle do Desmatamento no Cerrado, apontando a cana-de-açúcar como uma das principais causas da devastação. Como se sabe, isso não procede, considerando que 98% da cultura não provocam o corte de uma árvore sequer, pois são utilizadas áreas há muito tempo destinadas à agropecuária. E, num ato que até parece articulado com aquele programa, o governo federal lançou o Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar. Em tese, trata-se de prática conceitualmente correta, à medida que coíbe qualquer desmatamento para se fazer uma plantação. Até aí, nada contra. O projeto, entretanto, coloca restrições à lavoura, até mesmo em áreas agrícolas e pastoris já existentes.

Toda essa artilharia contra a cadeia produtiva da cana-de-açúcar, incluindo a insinuação de que o pré-sal pode significar a obsolescência do etanol, parece inserir-se num olhar distorcido pelo comprometimento ideológico do governo com o MST, que sequer existe juridicamente, a CUT e movimentos de intenções dúbias. Por conta disso, os produtores rurais em geral têm sido ameaçados por propostas como o exagerado aumento da produtividade mínima das fazendas e a reforma do Código Florestal, além de prejudicados por medidas como as sanções relativas às reservas legais e áreas de preservação permanente. Criou-se um clima de instabilidade para o agronegócio, numa atitude de desrespeito ao setor e à sociedade, a maior prejudicada pelos equívocos e desmandos das políticas públicas.

João Sampaio, economista, é o secretário de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo e presidente do Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável (Consea).

http://jbonline.terra.com.br/leiajb/2009/10/14/primeiro_caderno/pre_sal_nao_pode_ser_o_pos_etanol.asp

Brenco e ETH(Odebrecht) anunciam fusão na área de álcool

8 de outubro de 2009

http://www.energiahoje.com/online/biocombustiveis/alcool/2009/10/08/395659/brenco-e-eth-anunciam-fusao.html

ENERGIA HOJE

08/10/2009

Brenco e ETH anunciam fusão

Felipe Maciel

As empresas Brenco e ETH Bioenergia, braço para área de energia renováveis da Odebrecht, anunciaram nesta quinta-feira (8/10) a assinatura de um memorando de entendimento para a fusão de suas operações. A operação ainda precisa ser aprovada pelos conselhos das duas empresas e está em fase de due diligence. Juntas, ETH e Brenco tem capacidade de processamento de 37 milhões de t/ano de cana-de-açúcar, o que torna a nova empresa uma das maiores produtoras do país.

Comandada por Philippe Reichstu, ex-presidente da Petrobras, a Brenco vinha sofrendo com graves problemas por conta da crise financeira internacional. A empresa confirmou recentemente que também matinha diálogos com a Petrobras para a fusão das atividades. “Esperamos que possamos chegar a bom termo (com a ETH)”, disse Reichstu, durante teleconferência com jornalistas.

Até 2015, a ETH prevê investir R$ 6 bilhões no desenvolvimento dos pólos produtivos de São Paulo, Goiás e Mato Grosso do Sul. A empresa do grupo Odebrecht inaugurou recentemente a unidade Rio Claro, localizada no município de Caçu (GO). A usina demandou R$ 900 milhões e tem capacidade de moagem inicial de 3 milhões de t de cana por safra. Na primeira safra, a planta deverá produzir 90 milhões de litros de álcool. Na safra 2010/11, o volume deverá chegar aos 190 milhões de litros.

Além da Unidade Rio Claro, mais dois greenfields de igual capacidade instalada estão em fase final de implantação e deverão entrar em operação no terceiro trimestre de 2009: a Unidade Santa Luzia, localizada em Nova Alvorada do Sul (MS) e a Unidade Conquista do Pontal, construída em Mirante do Paranapanema (SP). As duas plantas demandarão também R$ 900 milhões cada.

Além das três novas unidades, a ETH já opera duas usinas: Alcídia, em Teodoro Sampaio (SP) e Eldorado, instalada em Rio Brilhante (MS). Na safra 2008/09, a ETH produziu 200 milhões de litros de etanol. Na safra 2009/10, a previsão é que as cinco unidades produzam 470 milhões de litros do biocombustível.

A Brenco inicia em novembro as operações da sua primeira usina de etanol, localizada no Mineiros (GO). A planta faz parte da primeira etapa de investimentos da empresa, que prevê aporte de R$ 2,5 bilhões para a construção de quatro usinas, com produção de 1,5 bilhão de litros até 2011. Para maio do próximo ano está prevista a entrada em operação da primeira usina Alto Taquari (MT). As plantas de Costa Rica (MS) e Água Emendada (MT) começam a produzir no segundo semestre do próximo ano.

Cada usina terá capacidade máxima de moer 3,8 milhões de toneladas de cana e produzir 340 milhões de litros de etanol por safra. Até o final de 2010 as primeiras unidades em operação de Brenco irão processar um total de 5 ,5 milhões de toneladas de cana. Além das usinas, a companhia é dona da Centro-Sul Transportadora, que irá construir um alcoolduto com extensão prevista de 1,12 mil km e investimentos de US$ 1 bilhão para transportar o etanol de Alto Taquari até o Porto de Santos (SP).

A Brenco estava procurando um sócio para novos três projetos. As plantas – uma em Perolândia (GO) e dois em Taquari (MS) – devem demandar algo em torno de R$ 1,8 bilhão, levando em consideração o investimento previsto nas primeiras quatro usinas da empresa.

http://www.energiahoje.com/online/biocombustiveis/alcool/2009/10/08/395659/brenco-e-eth-anunciam-fusao.html

Álcool sobe mais de 5% na semana nas usinas paulistas

2 de outubro de 2009

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,alcool-sobe-mais-de-5-na-semana-nas-usinas-paulistas,444974,0.htm

O Estado de S.Paulo

sexta-feira, 02 de outubro de 2009

Álcool sobe mais de 5% na semana nas usinas paulistas

GUSTAVO PORTO

Agencia Estado

RIBEIRÃO PRETO, SP – Os preços do álcool nas usinas de São Paulo voltaram a ter forte alta esta semana, com aumento de 5,33% para o hidratado e de 6,56% para o anidro, que superou o valor de R$ 1, o que não ocorria desde maio de 2007. De acordo com o indicador do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq), divulgado hoje, o hidratado foi negociado, em média, a R$ 0,8963 o litro esta semana, ante R$ 0,8509 o litro, na passada, e R$ 0,7882 na anterior, um reajuste de 13,71% na quinzena.

Já o álcool anidro (que é misturado à gasolina) variou 13,93% no mesmo período: saiu de R$ 0,9080 para R$ 0,9708 na semana passada e encerrou esta em R$ 1,0345, o litro. O maior valor nominal anterior registrado para o anidro, de R$ 1,0656 o litro, em média, foi na semana encerrada em 4 de maio de 2007. Já o valor do hidratado chegou, em 27 de abril daquele ano, a R$ 0,9176 o litro, em média. Os preços não incluem impostos.

A pesquisadora do Cepea/Esalq Ivelise Rasera Bragato disse que a justificativa para as altas seguidas do álcool nas usinas ainda é a redução na oferta, em virtude das chuvas ocorridas no final de setembro, que paralisaram a moagem da cana-de-açúcar e a produção de etanol. Segundo ela, durante a semana a oferta no mercado spot (à vista) foi pequena, com uma demanda firme com o temor de novas altas.

No entanto, a partir do meio da semana, os preços estiveram mais estáveis com algumas quedas, após o aumento da oferta e a redução da demanda. Nos postos, os preços também seguiram em alta esta semana. Em Ribeirão Preto (SP), o preço do etanol hidratado subiu 7,14% na terça-feira e variou de R$ 1,40 para R$ 1,50 o litro.

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,alcool-sobe-mais-de-5-na-semana-nas-usinas-paulistas,444974,0.htm

“O tesouro da superfície” – Pré-sal e biocombustíveis

22 de setembro de 2009

http://www.biodieselbr.com/colunistas/gazzoni/tesouro-superficie-22-09-09.htm

BiodieselBR

terça, 22 setembro 2009

O tesouro da superfície

Décio Gazzoni

Conferência BiodieselBR

Ou eu sou muito inquieto, ou a sociedade brasileira é muito acomodada. Digo isto por uma série de motivos, dois dos quais me perturbam muito. O primeiro, é que perdemos a capacidade de nos indignar com corrupção, falcatruas, desmandos, desvios, criminalidade, injustiças – ou falta de justiça, ou ainda justiça demorada. O outro, que não necessariamente tem a ver com o primeiro, é que somos pautados com muita facilidade. Um assunto é posto em pauta, normalmente sem contraditório, e a discussão gira em torno de detalhes do tema: dificilmente as alternativas a ele são colocadas.

Intróito posto, vamos ao ponto. O Governo encaminhou ao Congresso a proposta de marco regulatório da exploração das jazidas de petróleo da região do pré-sal. Está dada a pauta, discute-se o pré-sal, se as reservas têm 30, 50 ou 90 bilhões de barris, se o sistema de exploração deve ser de partilha ou concessão, se os roialties ficam só com os estados beira-mar do pré-sal ou se todos deveriam ser beneficiados, se devemos criar um fundo soberano, se sobreviveremos à doença holandesa, entre outros. Ou seja, como diz o gaudério, giramos em volta do toco – e o toco é o pré-sal. De repente, não existe mais o problema das mudanças climáticas globais. A discussão pós Kyoto, que se inicia em dezembro, em Copenhagen, parece que foi adiada sine die.

De repente – não mais que de repente – convenientemente nos esquecemos que o Brasil possui a matriz energética mais limpa do mundo e que tem a obrigação de pugnar por preservar e ampliar este patrimônio. O emprego, a interiorização do desenvolvimento, as oportunidades democráticas de renda, não são mais prioridades. Ninguém mais lembra que a sociedade global caminha para um câmbio paradigmático, em que as energias renováveis substituirão, progressivamente, a energia fóssil e suja, ao longo deste século. E que o Brasil está fadado a ser o protagonista desta mudança, ser a locomotiva do novo paradigma, seja energia eólica, solar ou de biomassa.

Nova pauta
É neste ponto que a minha banda de controvérsia fica inquieta, pois não aceito pratos feitos. Ótimo que Deus tenha colocado dezenas de bilhões de barris de petróleo no nosso sub-mar. Porém, será que o mesmo Deus que provê é o que nos pregou uma peça? Tivéssemos descoberto esta riqueza há 50 anos, estaríamos esgotando a sua exploração, já teríamos nos saciado com sua riqueza, e poderíamos nos alinhar com a maior cara-de-pau ao discurso ambientalista do futuro. Mas, atirar-se na exploração do pré-sal sem esgotar a discussão das alternativas, quando o mundo busca, desesperadamente, livrar-se da energia suja, é uma ironia do destino – a revogação de nosso passado de bom comportamento ambiental no setor energético. Mas será que Deus foi tão sacana assim com o Brasil? Afinal, Deus não é brasileiro?

Parto da hipótese de que Deus é brasileiro, sim senhor. Colocou o petróleo escondido lá no pré-sal, para ser descoberto no momento errado, mas nos deu solo fértil e extenso e clima tropical adequado para produzir muita, mas muita biomassa. Um exagero de biomassa, coisa que nenhum outro país consegue produzir, de forma competitiva. E também colocou dentro de nossas fronteiras um povo com capacidade empresarial, mão de obra suficiente e adequada e criatividade para gerar tecnologia agrícola e industrial, para transformar solo e clima em alimentos e energia.

É aí que eu quero chegar. Em vez de discutirmos apenas a riqueza do petróleo do pré-sal, a 7.000m de profundidade, por que não discutirmos a riqueza que podemos extrair da biomassa, um inesgotável tesouro energético de superfície. A discussão que proponho é a seguinte: seria possível extrair a mesma quantidade de energia do pré-sal, a partir da agricultura de energia? Vou procurar demonstrar que é mais do que possível. A bem da verdade, podemos extrair muito mais energia, mas vou ficar nos limites da energia do pré-sal, que é a discussão do momento.

Premissas
Para demonstrar minha tese, elaborei um modelo matemático para calcular quantos hectares precisaríamos cultivar para extrair a mesma quantidade de energia de biomassa, que obteríamos com a exploração do petróleo do pré-sal. Para tanto, aceito sem discussão as premissas que estão sendo colocadas pelas fontes oficiais, quais sejam:

1. As reservas da área do pré-sal poderiam chegar, na hipótese mais otimista, a 90 bilhões de barris de petróleo. Ninguém arrisca dizer quanto disto seria recuperável. Para evitar qualquer discussão lateral, o modelo assume que seria possível extrair integralmente a estimativa máxima, que é de 90 bilhões de barris de petróleo;

2. No evento de lançamento do marco regulatório do pré-sal, foi afirmado que, em 2020, seria possível extrair 2 milhões de barris/dia (Mb/d) de petróleo do pré-sal (730 milhões de barris/ano – Mb/a). O modelo assume que, no primeiro ano, seriam extraídos 2 milhões de barris / dia (Mb/d) porém, a cada ano, este valor seria incrementado em 3%, até o esgotamento das reservas.

Aceitas estas premissas sobre o petróleo, vamos às premissas da biomassa:
1. Extrairíamos a mesma quantidade de energia que seria obtida do petróleo do pré-sal, porém obtida de cana-de-açúcar, ou de uma combinação de cana-de-açúcar e dendê. O Brasil possui inúmeras outras opções, as matérias primas poderiam ser diversificadas, porém simplificamos o modelo apenas para demonstrar a tese;

2. Da cana é possível extrair, atualmente, bioetanol e, no futuro, uma multiplicidade de biocombustíveis, ainda mais eficientes que o etanol. Do bagaço e da palha de cana é possível gerar bioeletricidade;

3. O modelo assume como conteúdo energético da cana o valor de 7,14GJ/t, correspondendo à energia contida no caldo, na bagaço e na palha. No modelo, este valor é fixo ao longo de todo o tempo – embora seja possível aumentar o teor energético da cana – a fim de evitar imputações de favorecimento da energia renovável;

4. Na mesma linha de ser duro com a energia renovável, o modelo assume que apenas 70% da energia contida na cana seriam efetivamente transformadas em biocombustíveis ou bioeletricidade, no ínicio do processo, prevendo eventuais quebras de safra ou ineficiências de transformação. Entretanto, considerando um horizonte de 50 anos, este valor diminui à metade no final do período, pelos ganhos tecnológicos que evitarão quebras de safra (por fatores bióticos ou abióticos) e pelo ganho de eficiência de conversão de energia;

5. Considera-se a média de produtividade inicial da cana de 100 t/ha, que já é obtida com facilidade pelas lavouras mais modernas. Considera-se um ganho de produtividade variável entre 1,5 e 2,4% ao ano, ao longo do período. Não foi considerada a possibilidade de irrigação, que aumentaria muito a produtividade de cana, para evitar discussões paralelas sobre competição no uso de água;

6. No caso do dendê, o modelo assume um conteúdo energético de 9,24MJ (cascas, bagaço e óleo) e uma produtividade inicial de 25 t/ha, com teor de óleo de 22%, o que está perfeitamente dentro dos valores razoáveis, com a tecnologia comercial disponível. O óleo de dendê seria aproveitado para a produção de biodiesel ou outro biocombustível, enquanto a casca e o bagaço seriam aproveitados para geração de bioeletricidade;

7. Assumiu-se uma perda de 10% na conversão de energia do dendê para biocombustível e bioeletricidade, valor fixo em todo o período, vez que a regularidade das chuvas no trópico úmido torna pouco provável quebras de produção. Para os ganhos de produtividade agrícola e industrial foram assumidos os mesmos valores utilizados para a cana.

Embora não seja possível extrair de imediato o petróleo do pré-sal, nos volumes acima referidos, o modelo assume que isto seria possível, apenas para permitir a comparação com as áreas de produção de cana e de dendê, que poderiam ser implementadas já no curto prazo.

A sequência de algoritmos do modelo prevê:
1. Calcular quantos barris de petróleo seriam extraídos por ano, do pré-sal;
2. Transformar este valor em unidades de energia (GJ);
3. Converter a energia do petróleo em equivalente de energia de biomassa (cana ou dendê), calculando quantas toneladas de biomassa seriam necessárias para obter a mesma energia;
4. Calcular a área necessária para obter o volume de biomassa calculado;
5. Corrigir a área obtida em função das quebras de safra ou ineficiências de transformação.

Resultados
A Figura 1 mostra o que aconteceria se, em vez de extrair petróleo do pré-sal, a sociedade brasileira optasse por produzir a mesma quantidade de energia, a cada ano, obtida integralmente de cana-de-açúcar. Seriam necessários, no primeiro ano, 7,26 milhões de hectares e no ano 51, quando as reservas do pré sal se esgotariam, cultivar-se-iam 10,6 milhões de hectares de cana. A energia obtida desta área equivaleria a extrair 2 Mb/d (ou 730 MB/a) no primeiro ano e 9,03 Mb/d (3.295 Mb/a), no ano 51.

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Figura 1. Área de cana-de-açúcar necessária para produzir a mesma quantidade de energia extraída do petróleo da região do pré-sal.

O leitor pode questionar que da cana não se obtém substituto do petrodiesel. Respondo com três argumentos: primeiro, no curto prazo, existem outros poços de petróleo em operação pela Petrobrás, que forneceriam o petrodiesel; segundo, já existe tecnologia comprovada e eficiente para substituir, parcialmente, petrodiesel por etanol, sem mudanças sensíveis nos motores; terceiro, já existe tecnologia em fase préindustrial, com microrganismos transgênicos, que transformam a sacarose da cana em hidrocarbonetos lineares, saturados, de cadeia média, quimicamente semelhantes ao petrodiesel (que já são chamados de diesel vegetal), e que podem ser utilizados sem mudanças nos motores. O processo de transformação da sacarose para diesel vegetal é mais eficiente que a transformação para etanol, o que significa ganhos de energia, que não foram computados no modelo, para evitar discussões desnecessárias de favorecimento da energia de biomassa.

As Figuras 2 a 4 representam um cenário em que 50% da energia equivalente ao petróleo extraído, anualmente, da região do pré-sal seriam obtidos de cana e 50% de dendê. Pelo exame da Figura 2 verifica-se que seriam necessários, inicialmente, 3,6 milhões de hectares de cana e, no ano 51 (esgotamento das reservas do pré-sal), 5,3 milhões de hectares, para obter energia equivalente à metade do petróleo que seria extraído do pré-sal. Já a Figura 3 mostra a energia obtida com a cultura do dendê, para obter outros 50% de energia equivalente ao petróleo do pré-sal. Neste caso seriam necessários, inicialmente, 9,5 milhões de hectares e, ao final do período, 15,6 milhões de hectares para produzir 50% da energia que seria obtida, anualmente, com o petróleo do pré-sal.

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Figura 2. Área de cana-de-açúcar necessária para produzir 50% da energia extraída do petróleo da região do pré-sal.

Figura 3. Área de dendê necessária para produzir 50% da energia extraída do petróleo da região do pré-sal.

A Figura 4 consolida as duas áreas necessárias (de cana e de dendê), mostrando que, no final do período, quando seria maior a demanda de energia, estaríamos utilizando 21 milhões de hectares, o que significa, aproximadamente, a área cultivada atualmente com soja no Brasil, ou meros 2,47% do território nacional!

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Figura 4. Área total de cana-de-açúcar e de dendê necessárias para produzir o equivalente em energia extraída do petróleo da região do pré-sal.

Discussão
Algumas questões podem ser levantadas, portanto melhor respondê-las a priori. Por exemplo:

- O Brasil dispõe da área necessária para plantar a cana, ou o dendê e a cana, para obter a mesma energia equivalente à do petróleo extraído do pré-sal?

Seguramente dispõe. E ousaria afirmar que não precisaríamos derrubar uma única árvore para tanto, o que atende tanto à determinação do Presidente Lula, quanto a luta das ONGS ambientais, sem falar na pressão dos governos de outros países.

Poderíamos cultivar toda a cana e todo o dendê apenas aproveitando as áreas já antropizadas, de pastagens degradadas, de baixa eficiência. Estima-se que, do total de 170 milhões de hectares de pastagens do Brasil, cerca de 25% se encontram em estágio avançado de degradação, com baixa eficiência produtiva. Melhorando em apenas 25% os índices médios de lotação e de idade de abate do gado de corte (que, diga-se de passagem, não fazem jus ao estado da arte da tecnologia pecuária disponível no Brasil), liberaríamos mais de 40 milhões de hectares de pastagens degradadas. Entretanto, no cenário de maior demanda de área, não precisaríamos nada além de 21 milhões de hectares para produzir a mesma energia que seria extraída dos 90 bilhões de barris de petróleo do pré-sal.

- E os fertilizantes? De onde viriam?

A cana, além de grande fornecedora de energia, também fornece água e fertilizantes. Como o fósforo e, principalmente, o potássio não são exportados, porém permanecem na torta de filtro, nas cinzas e na vinhaça, os nutrientes retornam em grande parte para a lavoura de cana. Temos grandes reservas sub-aproveitadas de fósforo, em diversos pontos do território nacional. Também temos grandes reservas de potássio, que nunca foram aproveitadas. Dispomos de tecnologia para fixar parte do nitrogênio requerido pela cana, através de bactérias endofíticas, sem necessidade de adubação. A renovação dos canaviais, a cada 5 anos, pode ser efetuada com soja ou amendoim, que deixam uma parcela do nitrogênio no solo. O cultivo intercalar de leguminosas com o dendê pode prover outra parte. E, o restante, pode ser obtido a partir da síntese utilizando como insumo industrial as reservas de gás dos atuais poços que a Petrobrás já opera.

- E quais seriam as vantagens de produzir energia de biomassa, ao invés de extrair petróleo?

Vamos enumerá-las:
1. Do ponto de vista econômico, as diferenças seriam pequenas, posto que o mercado se ajustaria aos custos e à demanda. Sob a ótica da arrecadação de impostos, não haveria muita diferença entre obter energia de uma ou outra fonte. Do ponto de vista comercial, estaríamos em linha com as tendências mundiais de uso de energia limpa, portanto um mercado ascendente nos próximos anos.

2. Do ponto de vista ambiental, evitaríamos a emissão de 43 bilhões de toneladas de gás carbônico, resultante da queima do petróleo. Este valor foi obtido utilizando a metodologia desenvolvida pelo Prof. Horta Nogueira (UNIFEI), que demonstrou que o ciclo fechado do carbono dos biocombustíveis produz uma emissão líquida de apenas 9-10% do equivalente em massa de combustível fóssil. No caso da substituição de gasolina por bioetanol, o Prof. Horta Nogueira demonstrou que, enquanto 1.000 litros de gasolina produzem uma emissão líquida de 3.368 kg de CO2, o mesmo volume de bioetanol produz emissões líquidas de apenas 309 kg de CO2. Evitar este fabuloso volume de emissões de gases de efeito estufa representará um privilegiado patrimônio geopolítico para o país, que poderá lançar mão deste crédito em negociações internacionais, acordos sobre energia, comércio ou de outra ordem.

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Figura 5. Emissões de CO2 evitadas, anualmente, com a substituição de combustíveis provenientes do petróleo do pré-sal por biocombustíveis.

3. Do ponto de vista de saúde pública, basta lembrar que a Organização Mundial de Saúde – OMS divulgou recentemente que 3 milhões de pessoas morrem, anualmente, devido aos efeitos da poluição atmosférica, sendo parcela ponderável atribuída aos poluentes liberados pela queima de combustíveis fósseis. A cidade de São Paulo gasta, por ano, US$ 208 milhões com os efeitos da poluição atmosférica sobre a saúde humana. A estimativa considera apenas os custos diretos que a cidade tem com as doenças e mortes causadas pelo coquetel de gases que os paulistanos inalam toda vez que enchem os pulmões. Estudos do Laboratório de Poluição Atmosférica Experimental da Faculdade de Medicina da USP mostram que poluição atmosférica mata oito pessoas por dia, em média, na cidade de São Paulo. Em dias em que há paralisação do metrô e consequente aumento na concentração de poluentes, ocorrem nove mortes a mais do que nos dias pós-greve. Quem vive em cidades poluídas como São Paulo tem a vida abreviada em 2,5 anos. Todo este sofrimento humano poderia ser evitado com o uso de biocombustíveis, eliminando os particulados emitidos pelos combustíveis derivados de petróleo.

4. No tocante à geração de empregos, diversos estudos podem ser citados. Primeiro, um estudo da Embrapa demonstrou que uma lavoura de dendê de 5 hectares gera renda suficiente para atender, com dignidade, as necessidades de uma família. Supondo que a família se componha de 4 pessoas, na média dos 50 anos de duração das reservas do pré-sal, seria possível gerar renda para um conjunto de mais de 10 milhões de cidadãos. Em relação à lavoura de cana, o Prof. José Goldemberg, da USP, demonstrou que, por unidade de energia produzida, a produção de bioetanol, em comparação com as cadeias de carvão mineral, hidroeletricidade e petróleo necessita, respectivamente, de 38, 50 e 152 vezes mais mão de obra. O prof. Leal, da Unicamp, refere que, durante a vida útil total de um veículo (15 anos), é necessário 6 vezes mais mão de obra caso se utilize a mistura de 24% de bioetanol na gasolina, ou 21 vezes mais, quando se utiliza 100% bioetanol, comparativamente ao mesmo veículo movido exclusivamente a gasolina. Estudos da ÚNICA e do MAPA (2004) mostraram que, para cada milhão de litros de etanol produzidos, foram gerados 37 empregos diretos no campo e, para cada emprego direto, entre 1 e 3 empregos indiretos. Baseados nestes números, seriam gerados mais de um milhão de empregos diretos e mais de 2 milhões de empregos indiretos, considerando apenas a cadeia do bioetanol (no cenário com 50% da energia obtida da cana). Caso toda a energia seja obtida da cana, seriam 2 milhões de empregos diretos e 4 milhões indiretos. Enquanto isso, de acordo com o Prof. Goldemberg, o petróleo do pré-sal geraria apenas e tão somente 12.000 empregos diretos e 24.000 indiretos. Estes números nos obrigam a pensar na empregabilidade dos nossos filhos e netos e posicioná-la na discussão do pré-sal.

5. A cada 5 anos é necessário renovar o canavial. A cultura de dendê permite intercalar cultivos, até o terceiro ano. Nesta condição, teríamos o bônus de aumentar a produção de alimentos em 15-20%, sem expandir a área cultivada, favorecendo, especialmente, a agricultura familiar.

6. Finalmente, e de extrema importância. Estamos no ano de 2061 e as reservas de petróleo do pré-sal acabaram. Porém, a demanda de energia no Brasil e no mundo continua crescendo. Como atendê-la? No caso do petróleo, não sei responder, a não ser reafirmar que não acredito que a sociedade mundial continuará com a atitude suicida de empestar a atmosfera queimando energia suja, até a metade deste século. Entretanto, no caso da biomassa tenho a resposta pronta: continuaremos produzindo cada vez mais alimentos e mais energia, por séculos e séculos, porque se trata de uma fonte não apenas limpa mas, principalmente, renovável. Os 21 milhões de hectares que foram utilizados por 50 anos para produzir energia, continuarão à nossa disposição para a finalidade que a sociedade lhe destinar. Esta é uma das grandes vantagens estratégicas que devem nortear a reflexão de todos nós.

Entendo o interesse e o frisson em torno do pré-sal, a única grande incorporação de reservas de petróleo do mundo, nas últimas décadas. Entendo, perfeitamente, as razões das companhias petrolíferas – nacionais e multinacionais. Entendo as razões das empreiteiras e de toda a cadeia do petróleo. Entendo as razões dos políticos e de todos quantos defendem a exploração imediata e total desta riqueza.

Entretanto, julgo que, neste momento histórico em que se busca a segunda independência do Brasil, ser necessário analisar as alternativas de que dispomos, de espírito aberto, buscando equilibrar na balança do bom senso, o que é melhor para o Brasil e para o mundo – afinal, também vivemos no mundo. E um mundo melhor – com menos problemas climáticos, com menos problemas de saúde, com mais emprego (e menos criminalidade), com melhor distribuição de renda, com interiorização do progresso, com múltiplas oportunidades para pequenas e médias empresas, com garantia de atendimento da demanda de energia além do horizonte do fim da era do petróleo – interessa a todos.

Não tenho a pretensão de que os números aqui apresentados sejam precisos, menos ainda exatos, pois trata-se de um modelo de simulação matemática. De resto, os números do pré-sal também não são precisos ou exatos. O objetivo deste artigo é mostrar que outro mundo é possível: um mundo com menos poluição, mais emprego, mais renda, mais justiça, provocando uma reflexão do leitor por um ângulo que não lhe havia sido apresentado anteriormente. Feliz do povo que pode escolher entre alternativas, quando o restante do mundo se bate, desesperadamente, por uma solução para a crise energética – mesmo que a solução signifique o aprofundamento do problema.

Como queríamos demonstrar, Deus é brasileiro, sim. Nós, brasileiros, é que precisamos entender, corretamente, os desígnios divinos. E, para entendê-los, melhor não nos bitolarmos e não restringirmos a discussão apenas à pauta que nos é empurrada goela abaixo, buscando uma solução que seja a melhor para todos. E que pode ser até uma combinação entre o que expus acima e retirar apenas um terço do petróleo do pré-sal, impondo um imposto poluição para, através de serviços ambientais, limpar a sujeira causada pela sua queima.

Décio Gazzoni é Engenheiro Agrônomo, membro do Painel Científico Internacional de Energia Renovável.

http://www.biodieselbr.com/colunistas/gazzoni/tesouro-superficie-22-09-09.htm

Pesquisadores desenvolvem combustível para a aviação a partir de óleos vegetais

21 de setembro de 2009

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2009/ju442pdf/Pag04.pdf

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Jornal da Unicamp

21 a 27 de setembro de 2009

Pesquisadores desenvolvem combustível para a aviação a partir de óleos vegetais

Grupo da FEQ avança na busca de bioquerosene mais barato, menos poluente e com alto grau de pureza

Da redação

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Da esq. para a dir., os pesquisadores Nívea de Lima da Silva e César Benedito Batistella, e os professores Rubens Maciel Filho e Maria Regina Wolf Maciel: produção em duas etapas (Foto: Antoninho Perri)

Da esq. para a dir., os pesquisadores Nívea de Lima da Silva e César Benedito Batistella, e os professores Rubens Maciel Filho e Maria Regina Wolf Maciel: produção em duas etapas (Foto: Antoninho Perri)

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Uma equipe da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) da Unicamp, composta pelos professores Rubens Maciel Filho e Maria Regina Wolf Maciel, e pelos pesquisadores César Benedito Batistella e Nívea de Lima da Silva, desenvolveu tecnologia e depositou patente, por meio da Inova/Unicamp, para um processo de produção de bioquerosene a partir de óleos vegetais. O produto poderá substituir com diversas vantagens o querosene usado como combustível de aviões. Além de ser mais barata, essa alternativa energética é menos poluente, pois não é emissora de enxofre, de compostos nitrogenados, de hidrocarbonetos ou de materiais particulados. Depois da patente, o próximo passo é o estudo da produção em escala industrial. O grupo pretende repassar a tecnologia para empresas interessadas em produzir o bioquerosene.

O processo para sua obtenção desenvolvido pela equipe da Unicamp é composto de duas etapas. Na primeira, depois de extraído da planta e refinado, para a retirada de impurezas, o óleo vegetal é colocado em um reator, junto com o catalisador e uma quantidade pré- determinada de álcool, no caso etanol. A quantidade de etanol utilizada no processo foi otimizada através de extensivos estudos e é um ponto importante do processo. “O papel do catalisador é acelerar a reação química e fazer com que ela ocorra em uma temperatura mais baixa”, explica Maciel Filho.

Dentro do reator ocorrem as reações de transesterificação e / ou esterificação que levam à formação do éster (bioquerosene). A reação do álcool com o óleo vegetal é chamada de transesterificação.

O etanol foi o álcool escolhido pela equipe para o processo, por ter baixa massa molar e ser um reagente não-agressivo e renovável. Ele reage com o ácido graxo, dando origem ao bioquerosene. Além disso, o processo gera como subprodutos glicerina, água e o que sobra do etanol não consumido nas reações. Após a separação desses compostos indesejados, o óleo fica mais fino e com menor viscosidade.

A produção de um biocombustível a partir de óleos vegetais é conhecida. A inovação agora é sua qualidade específica e seu uso em produtos aeronáuticos dentro de padrões mais exigentes. Outra novidade deste processo, nessa fase da tecnologia desenvolvida pela equipe da Unicamp, é o balanço preciso das diversas variáveis envolvidas nas reações químicas e também a purificação as quais resultam no bioquerosene com as propriedades desejadas. “Para se obter alta conversão de óleo vegetal em bioquerosene e maximizar a produção no menor tempo possível é preciso saber as quantidades exatas a serem usadas de cada componente da reação e definir as condições apropriadas de operação”, explica Maciel Filho. “É preciso dosar com precisão a proporção de óleo vegetal, álcool e catalisador, além da temperatura mais adequada”, acrescenta.

Mas isso não é tudo. Trata-se apenas da primeira etapa da produção do bioquerosene. A segunda, a mais importante, é a separação de todos os produtos da reação, ou seja, o isolamento do éster, do catalisador, da água e da glicerina. Reside aí a grande inovação do processo de produção do bioquerosene desenvolvido pela equipe de Maciel Filho. O isolamento é feito em uma unidade de separação intensificada, em condições de temperatura e pressão que possibilitam a obtenção do bioquerosene de forma economicamente viável e que atende aos requisitos para o querosene de aviação estabelecidos pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).

Análises

Esse último ponto foi confirmado por análises realizadas na Unicamp e no Instituto de Pesquisa Tecnológicas de São Paulo (IPT). Na verdade, não existem, no Brasil, instituições que possam atestar se o produto obtido atende às especificações do querosene de aviação. “Contudo, os resultados das análises feitas na Unicamp e no IPT foram comparados com a Tabela de especificação do querosene de aviação da ANP”, explicam os pesquisadores. “Ficou demonstrado que o bioquerosene possui características semelhantes às do querosene de aviação.”

Embora haja uma série de pesquisas e diversos biocombustíveis sendo testados em várias partes do mundo, inclusive no Brasil, a equipe não identificou processo/produto similar ao desenvolvido. Apesar de ser comentada a existência de experimentos e realizações de testes fazendo uso de bioquerosene, não foi identificada patente na literatura técnica que fizesse uso do mesmo processo, comenta Maciel Filho. “Também não foi encontrado no mercado produto identificado como bioquerosene”.

O professor da FEQ ressalta que pode não haver um produto exatamente igual, mas já existem companhias aéreas com aviões voando experimentalmente movidos a biocombustíveis. É o caso da americana Continental Airlines, que anunciou recentemente a realização do primeiro vôo de demonstração, com o uso de biocombustível, realizado no dia 7 de janeiro em Houston, no estado do Texas, nos Estados Unidos. Assim, as pesquisas realizadas pelo grupo da Unicamp podem contribuir com o desenvolvimento de processos de produção viáveis para a obtenção de biocombustíveis para a aviação por propulsão a jato, um segmento importante nos transportes, estando no âmbito do empenho mundial na redução da emissão de poluentes, avaliam os pesquisadores.

Os biocombustíveis, como o bioquerosene, têm ainda outra vantagem em relação aos combustíveis tradicionais: eles são provenientes de fontes renováveis. “Além disso, sendo produzido a partir de fontes renováveis e obtidas no País, o bioquerosene poderá contribuir para a independência tecnológica nacional, além de agregar valor à matéria-prima”, dizem os pesquisadores.

Jornal da Unicamp, Campinas, 21 a 27 de setembro de 2009 – ANO XXIV – Nº 442

http://www.unicamp.br/unicamp/unicamp_hoje/ju/setembro2009/ju442pdf/Pag04.pdf

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