O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho

29 de fevereiro de 2008

http://www.apn.org.br/apn/index.php?Itemid=46&id=202&option=com_content&task=view
29/02/2008

O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho

No caso do roubo dos laptops da Petrobrás, PF conclui: afinal, era apenas a vovozinha, disfarçada de lobo. Será?

Em política, quando se afirma com muita insistência uma determinada “verdade”, é preciso desconfiar. A pressa em descartar a hipótese de espionagem industrial, no episódio do roubo dos laptops que continham dados confidenciais da Petrobrás sobre o campo gigante de Júpiter é extremamente preocupante.

É possível descartar com tanta facilidade essa hipótese, quando técnicos da Petrobrás, a exemplo do exploracionista João Victor Campos, estimam que o potencial das reservas de petróleo na região do pré-sal sejam de 80 bilhões, podendo chegar a 100 bilhões de barris (considerando uma extensão de 800 quilômetros do litoral brasileiro, que vai de Alagoas e Sergipe ao Paraná)?

Os argumentos que permitem desconfiar da versão oficial do roubo dos laptops, atribuído pela Polícia Federal a “ladrões de galinha”, são infindáveis. Um deles é que os quatro vigilantes da Bric Log, presos pela Polícia Federal com parte dos equipamentos, possam ter sido utilizados por terceiros. Fazer e repassar uma cópia dos dados contidos nos discos rígidos não é impossível, embora os vigilantes afirmem ter “destruído” parte da carga roubada.

Os equipamentos estavam sob a guarda da multinacional americana Halliburton. E quem é a Halliburton? O grupo norte-americano atua principalmente na área de infra-estrutura voltada para o setor de petróleo, mas também em outras áreas, como logística para operações militares. Desde a invasão norte-americana no Iraque, a empresa tem sido notícia nos principais jornais do mundo, envolvida em acusações de superfaturamento de obras, favorecimento em contratos e licitações, chegando a ser condenada a devolver 36 milhões de dólares ao governo americano.

De acordo com matéria da Folha de São Paulo, de 12 de fevereiro, “Mesmo com a investigação, em 2005 o Pentágono concedeu um contrato de logística de cerca de US$ 5 bilhões à Halliburton no Iraque. O contrato entre o Exército dos Estados Unidos e a Kellogg Brown and Root (KBR, à época uma subsidiária da Halliburton), foi assinado em maio daquele ano. As empresas se separaram no ano passado”. A Halliburton já foi comandada pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, comparado por Hillary Clinton ao vilão da série Guerra das Estrelas, Darth Vader. Existe, inclusive u m site que documenta os casos de corrupção envolvendo a empresa, o www.haliburtonwatch.org

Pois estas são as credenciais da inofensiva empresa que guardava os dados confidenciais da Petrobrás. Apesar disso, jornais e revistas, como a Veja, rapidamente decidiram mudar o tom e adotar a versão do “muito barulho por nada”, inclusive tentando ridicularizar a primeira reação do presidente da República e de autoridades ministeriais, que levantaram a hipótese da espionagem industrial. “Ora, que ridículo!” – apressam-se a dizer ao leitor, nas entrelinhas, publicações como a Veja. De fato, apenas num aspecto é preciso fazer eco com a grande mídia: ficou evidente a falta de preparo da Petrobrás na área de segurança de dados.

Insistimos em perguntar, aos que preferem acreditar nas versões oficiais: Por que uma empresa do porte da Petrobraás, com pesquisas em área de alta tecnologia, não seria objeto de espionagem industrial? Um petroleiro comparou o caso à história da Chapeuzinho Vermelho. Mas a versão oficial dos fatos está fazendo uma pequena adaptação da história. Acaba de contar que o lobo – a Halliburton? A Cia? Quem seria? – era apenas a vovozinha disfarçada de orelhas enormes, para ouvir melhor; de olhos enormes, para enxergar melhor; e uma enorme boca, mas só para enganar a Chapeuzinho Vermelho. Que seria, talvez, a Petrobrás? A população e o estado brasileiros? Cada um que reflita, e se não for tão inocente assim, que tire as suas próprias conclusões.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

http://www.apn.org.br/apn/index.php?Itemid=46&id=202&option=com_content&task=view
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Estadão: Petrobras sofre terceiro furto de peças de computadores

23 de fevereiro de 2008

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,petrobras-sofre-terceiro-furto-de-pecas-de-computadores,129333,0.htm
sábado, 23 de fevereiro de 2008

Petrobras sofre terceiro furto de peças de computadores

Para polícia, novo furto dá sinais que sumiço de equipamentos não seria fruto de espionagem industrial

Marcelo Auler

de O Estado de S. Paulo

RIO – Um novo furto de peças – o terceiro – de computadores que foram usados em trabalhos nas plataformas petrolíferas da Petrobras reforça a tese dos investigadores da Polícia Federal de que o desaparecimento destes equipamentos não seria fruto de espionagem industrial. A nova ocorrência foi descoberta na sexta-feira, 22, no pátio da empresa Halliburton, em Macaé, na região norte fluminense, na chegada de uma caixa transportando um computador que estava na sonda petrolífera de perfuração S-45, conhecida como Atlantic Star, na Bacia de Campos. A caixa estava sem o lacre e sem o drive de DVD. A empresa norte-americana comunicou o fato à Polícia Federal. Nos dois primeiros furtos, foram levados peças de computador e de notebooks com informações sobre o Poço de Júpiter, recém-descoberto, na Bacia de Santos.

O fato de terem roubado apenas um drive de DVD, deixando intacto o HD que contém a memória da máquina, é, para a PF, sinal do interesse meramente comercial dos ladrões. Isto corrobora a tese de que não houve busca de informações estratégicas sobre o poço de Júpiter. Um dado importante que vem sendo mantido em sigilo pelos investigadores é que, no computador que teve seu HD roubado, permaneceu intacta uma placa especial, desenvolvida especificamente para a Halliburton ler os seus programas de trabalho nas plataformas petrolíferas. Caso o roubo fosse provocado por espionagem industrial, dificilmente esta placa deixaria de ser levada.

Também chamou a atenção o fato de as peças furtadas não estarem presas na CPU por parafusos. Como eram mantidas dentro do computador por pressão, puderam ser retiradas apenas com as mãos, sem o uso de ferramentas. Da mesma forma, computadores que estavam presos à bancada deixaram de ser levados. Isto, pela experiência dos policiais, demonstra que os ladrões não quiseram perder tempo e recolheram os equipamentos mais fáceis de serem retirados.

A descoberta do novo furto reforça também a tese de que o local dos crimes foi o terminal de cargas da Poliportos, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro. Desta vez, a caixa que estava com o computador cuja peça foi retirada tinha acabado de chegar ao pátio da empresa em Macaé, já sem o lacre. Isto demonstraria que nos casos anteriores, o furto demorou a ser descoberto por negligência dos empregados da Halliburton. Eles receberam o aparelho no dia 25 de janeiro e só foram conferir seu funcionamento no dia 30, ao descobrirem o arrombamento do container SU96071, trazido da sonda S-21, que trabalhava nos estudos do Poço de Júpiter.

A caixa com este computador vindo da Bacia de Campos chegou à Poliportos antes do dia 15 de janeiro e só quinta-feira foi levada para Macaé. O computador que veio da sonda S-21 em outra caixa de transporte e teve peças furtadas, desceu no terminal de cargas do bairro do Caju no dia 15 e saiu no dia 25 para a Halliburton. O container com os notebooks e uma impressora furtados chegou no mesmo pátio dia 23 e dali foi transportado para Macaé seis dias depois.

Para a polícia, a tese mais provável é de que os três furtos de equipamentos de informática ocorreram em uma única ação, entre os dias 23 e 25, no pátio da Poliportos. As investigações – que prosseguiram ontem de manhã – visam descobrir evidências disto para depois tentar identificar os responsáveis.

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Contêiner com dados foi arrombado no pátio da Halliburton

21 de fevereiro de 2008

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81865-5855,00-CONTEINER+COM+DADOS+FOI+ARROMBADO+NO+PATIO+DA+HALLIBURTON.html
REVISTA ÉPOCA, Edição nº 509
21/02/2008 – 19:25

Contêiner com dados foi arrombado no pátio da Halliburton

Da Redação

Segundo publicou nesta quinta-feira (21) o jornal Folha de São Paulo, o arrombamento do contêiner em que estariam equipamentos de informática da Petrobras aconteceu no porto do Rio de Janeiro, segundo informou a empresa Halliburton, responsável pelo transporte do material entre a sonda e a petrolífera de perfuração S-21, na bacia de Santos, e o porto de Macaé, a 188 km do Rio de Janeiro.

Em nota nesta quarta-feira (20) a Transmagno divulgou que, ao receber o contêiner no porto do Rio, não havia problema no lacre. Isso indicaria que o arrombamento ocorrera no pátio da empresa Halliburton em Macaé. No depoimento que deu à polícia, o motorista da Transmagno afirmou que a inspeção foi visual, o que significa que o lacre violado pode ter sido ajeitado para que não fosse percebida a violação.

Guilherme da Silva Vieira, técnico de manutenção enviado pela Halliburton à 123ª Delegacia de Polícia no dia 1º, listou as peças que teriam sido retiradas do contâiner. Ele relatou que o furto teria sido praticado no terminal de containeres da Poliportos, na zona portuária do Rio. Até então o crime vinha sendo tratado como furto comum. Vieira afirmou que, ao conferir a carga, o lacre estava violado e o cadeado, trocado.

Há contradições entre datas e o delegado responsável pelo inquérito, Daniel Gomes, vai convocar Vieira para depor.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81865-5855,00-CONTEINER+COM+DADOS+FOI+ARROMBADO+NO+PATIO+DA+HALLIBURTON.html

Halliburton-Petrobras: relações perigosas

19 de fevereiro de 2008

http://www.msia.org.br/ibero-am-rica-iberoam-rica/brasil/540.html
MOVIMENTO DE SOLIDADRIEDADE IBERO-AMERICANA (MSIa)
19/02/2008

Halliburton-Petrobras: relações perigosas

O imbróglio envolvendo o arrombamento de um contêiner da empresa estadunidense Halliburton e o desaparecimento de computadores e um disco rígido contendo informações sobre os novos campos petrolíferos ultraprofundos da bacia de Santos não deve ser tratado como uma mera ocorrência policial.

Em primeiro lugar, cabe uma pergunta elementar: se as informações contidas nos computadores roubados eram “estratégicas e sigilosas”, como afirmou uma nota da Petrobras, ou “segredo de Estado”, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como se justifica que esse material estivesse sendo transportado com tanta negligência, principalmente quando é público e notório o elevado índice de roubos de cargas nos portos brasileiros?

Segundo, por que informações tão importantes estavam sob a responsabilidade de uma empresa estrangeira, e não uma qualquer, mas a Halliburton, uma das flagships empresariais do Establishment dominante dos EUA? Embora ela seja uma das principais prestadoras de serviços especializados ao setor petrolífero mundial, não se pode ignorar que se trata de uma empresa-símbolo de um paradigma hegemônico que não apenas está na raiz da presente crise sistêmica global, mas também vem sendo crescentemente questionado, por subordinar o que deveria ser predominantemente patrimônio de povos e nações – recursos naturais, em especial – aos interesses corporativos de grupos privilegiados.

De acordo com a Petrobras, a Halliburton tem um contrato de quatro anos, no valor de 270 milhões de dólares, para realizar ensaios de pesquisas em reservatórios petrolíferos de altas pressões e temperaturas, condições semelhantes às da chamada camada pré-sal da bacia de Santos, na qual foram encontrados os campos gigantes de Tupi e Júpiter. Embora certos tipos de know-how superespecializados sejam rotineiramente subcontratados pelas grandes empresas petrolíferas, o novo patamar exploratório atingido pela Petrobrás com as recentes descobertas sugere que ela própria terá que se empenhar em dominar o mais rapidamente possível atividades que até agora podiam ser terceirizadas – ou correr o risco de ver tais surpresas desagradáveis virarem rotina.

Da mesma forma, é certo que, como uma estratégia de Estado, o governo brasileiro ver-se-á diante da necessidade de reconsiderar certos aspectos da política de abertura do setor petrolífero, além da providencial retirada de blocos adjacentes ao campo de Tupi da nona licitação promovida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) logo após o anúncio da descoberta. Como afirmou o diretor de Comunicações da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Fernando Siqueira, em nota divulgada assim que se tornou público o sumiço dos equipamentos, tais fatos reforçam os argumentos para o cancelamento dos leilões das bacias sedimentares brasileiras. “Com os dados sigilosos nas mãos, os interessados terão informação privilegiada para disputar os leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo e arrematar os melhores campos”, disse ele.

Ainda mais grave, segundo ele, foi o fato de a ANP ter entregue informações provenientes das áreas pré-sal antes do prazo legal de cinco anos. “A ANP divulgou tais dados para as empresas concorrentes. Tal atitude revela a falta de decência, falta de zelo e falta de patriotismo”, disse Siqueira. Além disso, acrescentou, o então superintendente de Gestão de Informações da ANP, Sérgio Possato, saiu da agência reguladora com os dados da Petrobrás debaixo do braço e os utilizou como mercadoria a ser negociada por sua empresa, que passou a vender o resultado das pesquisas da Petrobrás para empresas, na sua maioria multinacionais, no sexto e no sétimo leilões da ANP.

Entretanto, no atual modelo de abertura do setor, não é necessário recorrer a recursos ilegais ou pouco éticos para se obter o conhecimento privilegiado da Petrobrás sobre as bacias sedimentares brasileiras. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo de 18 de fevereiro, um funcionário da empresa que preferiu não se identificar revelou que, nos últimos quatro meses, pelo menos 40 técnicos da área de exploração que trocaram a Petrobrás por outras companhias petrolíferas nacionais e estrangeiras. Tais técnicos, disse a fonte, “conheciam os procedimentos de transporte e detalhes da segurança”.

Embora seja difícil imaginar uma reversão ao status quo ante, em que a Petrobrás detinha o monopólio de exploração no setor, o fato é que o País terá que encontrar formas de resguardar os interesses nacionais de longo prazo, sem precisar quebrar contratos. Como analisamos na edição de 21/03/2007 da Resenha Estratégica (“Petróleo e gás natural: as ‘novas sete irmãs'”), uma das principais manifestações de recuo da tsunami “liberalizante” das últimas décadas é a grande transformação que estão sofrendo os mercados mundiais de petróleo e gás natural, caracterizada por uma crescente reafirmação dos Estados nacionais no controle das reservas e exploração desses recursos naturais.

Na ocasião, citamos uma reportagem do Financial Times (“As novas Sete Irmãs: gigantes de petróleo e gás se agigantam sobre rivais ocidentais”, 11/03/2007), a qual mostra que as novas regras da indústria e dos mercados petrolíferos estão sendo escritas por um seleto grupo de empresas estatais, que estão destronando as antigas gigantes multinacionais que dominavam tradicionalmente o setor.

“Esmagadoramente estatais, elas controlam quase um terço da produção mundial de petróleo e gás e mais de um terço das reservas totais de petróleo e gás. Em contraste, as velhas sete irmãs – que encolheram para quatro na consolidação da indústria ocorrida na década de 1990 – controlam apenas 3% das reservas”, observa o texto da jornalista Carola Hoyos.

De forma emblemática, as novas “Sete Irmãs” nomeadas pela jornalista são: 1) a saudita Aramco; 2) a russa Gazprom; 3) a chinesa CNPC; 4) a iraniana NIOC; 5) a venezuelana PDVSA; 6) a Petrobras; e 7) a malaia Petronas.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), nos próximos 40 anos, 90% da oferta de hidrocarbonetos virá de países em desenvolvimento, o que representa uma grande mudança em relação às últimas três décadas, quando 40% da produção vinha de países industrializados.

Tais fatos só fazem reforçar os argumentos em favor de uma ampla rediscussão da política petrolífera brasileira. Em um importante artigo publicado no Jornal do Brasil de 20 de janeiro (“Uma nova campanha do petróleo é nosso”), o ex-deputado federal e ex-diretor do Banco do Brasil, Léo de Almeida Neves, faz algumas importantes considerações a respeito:

É inquestionável que a prioridade nacional exige novas normas para exploração de petróleo no país, agora que o risco de encontrar petróleo tornou-se inexistente nos extensos 800 quilômetros que vão do Espírito Santo até a costa do Rio Grande do Sul.

A União terá de ficar com grande quinhão da renda do petróleo obtido (de 75% a 90% do valor real), dividindo essa receita com Estados e municípios sob a forma de tributo, de royalty, partilha ou o que seja. Talvez venha a ser o caso de convivermos com modelos diferenciados, conforme os blocos localizados em áreas com menor ou maior probabilidade de achar o precioso ouro negro.

Vejam o contra-senso. Sem necessidade de ter sócios, porque a Petrobras é a operadora, a única que dispõe de tecnologia de perfuração e logística em águas profundas (graças às pesquisas do CENPES), a nossa estatal vai fazer a felicidade dos acionistas da portuguesa Galp, da inglesa BG e da espanhola Repsol, que estão juntas na Tupi e em outras duas descobertas anexas.

A robusta arrecadação que a União vai auferir com o petróleo contribuirá para destinar verbas ao etanol e ao biodiesel, e aliviar a carga tributária de impostos indesejáveis. A fabulosa receita cambial que se avizinha servirá para acumular reservas, mas não deve inibir a exportação de bens industriais de valor agregado, mediante política cambial realista, nos moldes da que a China vem praticando.

Tupi e a camada pré-sal representam espetacular ganho, que se reveste de caráter intertemporal, projetando-se sobre as gerações futuras. Todavia, terá de haver modificação no marco regulatório do setor do petróleo e gás, permitindo a partilha da produção com a União, e as companhias (inclusive a Petrobras) que participarem da exploração não serão proprietárias do óleo. Este é o regulamento utilizado pela Rússia, Qatar, Iraque e Nigéria. O contrato de prestação de serviços é a praxe da Arábia Saudita, Irã, Kuwait e Venezuela. O Brasil usa o inconveniente contrato de concessão, com as concessionárias ficando donas do petróleo que descobrirem.

Outra conseqüência da descoberta do petróleo da camada pré-sal é que a Petrobras deverá reduzir o ritmo de seus investimentos no exterior, atualmente priorizando os Estados Unidos (Golfo do México), e concentrar recursos e esforços no Brasil. Os derrotistas, as cassandras, os detratores do nosso povo e do nosso país poderão arregimentar-se contra uma solução nacionalista para o petróleo. Bem que o Clube Militar, a OAB Nacional, o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, a ABI e outras entidades de prestígio poderiam mobilizar-se para essa luta de enfrentamento de grupos internacionais poderosos e de seus asseclas locais.

Dos desdobramentos desses acontecimentos, irão depender em grande medida as perspectivas de o Brasil adentrar as próximas décadas como uma Nação soberana adulta e consagrada ao bem comum de sua população, assim como comprometida com a promoção dos mesmos valores em âmbito global, ou como um adolescente político tutelado por interesses para os quais tais valores não passam de mera retórica.

http://www.msia.org.br/ibero-am-rica-iberoam-rica/brasil/540.html

FSP: “Petrobras confirma furto de dados sigilosos; Halliburton não se pronuncia”

14 de fevereiro de 2008

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u372404.shtml

FOLHA DE S.PAULO

14/02/2008

Petrobras confirma furto de dados sigilosos; Halliburton não se pronuncia

CIRILO JUNIOR

da Folha Online, no Rio

A Petrobras confirmou nesta quinta-feira que dados sigilosos sobre pesquisas sísmicas, que podem incluir a descoberta de petróleo e gás, foram furtados de um contêiner da empresa. A estatal informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. O contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton –a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.

Segundo a Petrobras, o furto ocorreu no início deste mês e a investigação está sob sigilo. Uma missão especial da Polícia Federal no Rio, em conexão direta com o comando da PF em Brasília, investiga o caso.

Quando ocorreu o furto de um disco rígido e dois computadores portáteis com dados sigilosos, o contêiner da Halliburton se dirigia a Macaé (RJ) após sair de uma plataforma na Bacia de Campos, rumo à base de operações da Petrobras.

A estatal não informou detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. A Petrobras também evitou comentar detalhes do furto, mas disse que possui cópias das informações.

A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.

A companhia americana atua principalmente na área de infra-estrutura voltada para o setor petrolífero, mas também em outras áreas, como logística para operações militares.

Tupi

Anunciado em novembro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, tem uma reserva estimada entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo (segundo a Petrobras), e é considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.

O roubo ganha gravidade caso realmente se confirme que o contêiner tinha informações sobre Tupi. Devido à dimensão de suas possíveis reservas, o megacampo mexe com o mercado há meses.

Recentemente, as ações da estatal tiveram forte oscilação, após a empresa britânica BG Group (parceira do Brasil no campo, com 25%) ter divulgado nota estimando uma capacidade entre 12 bilhões e 30 bilhões de barris de petróleo equivalente em Tupi. A portuguesa Galp (10% do projeto) confirmou o número.

Como termo de comparação, as reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Ou seja, se a nova estimativa estiver correta, Tupi tem potencial para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser extraído do subsolo brasileiro.

Maior descoberta da história da estatal, o campo está localizado na chamada camada pré-sal, nova e promissora fronteira exploratória do subsolo marinho brasileiro. A área se estende ao longo dos litorais dos Estados de Santa Catarina ao Espírito Santo (bacias de Santos, Campos e Espíritos Santo). Fica abaixo de uma espessa camada de sal –sobre ela se concentrava até agora a exploração de petróleo no Brasil.

Com Folha de S.Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u372404.shtml

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