O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho


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29/02/2008

O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho

No caso do roubo dos laptops da Petrobrás, PF conclui: afinal, era apenas a vovozinha, disfarçada de lobo. Será?

Em política, quando se afirma com muita insistência uma determinada “verdade”, é preciso desconfiar. A pressa em descartar a hipótese de espionagem industrial, no episódio do roubo dos laptops que continham dados confidenciais da Petrobrás sobre o campo gigante de Júpiter é extremamente preocupante.

É possível descartar com tanta facilidade essa hipótese, quando técnicos da Petrobrás, a exemplo do exploracionista João Victor Campos, estimam que o potencial das reservas de petróleo na região do pré-sal sejam de 80 bilhões, podendo chegar a 100 bilhões de barris (considerando uma extensão de 800 quilômetros do litoral brasileiro, que vai de Alagoas e Sergipe ao Paraná)?

Os argumentos que permitem desconfiar da versão oficial do roubo dos laptops, atribuído pela Polícia Federal a “ladrões de galinha”, são infindáveis. Um deles é que os quatro vigilantes da Bric Log, presos pela Polícia Federal com parte dos equipamentos, possam ter sido utilizados por terceiros. Fazer e repassar uma cópia dos dados contidos nos discos rígidos não é impossível, embora os vigilantes afirmem ter “destruído” parte da carga roubada.

Os equipamentos estavam sob a guarda da multinacional americana Halliburton. E quem é a Halliburton? O grupo norte-americano atua principalmente na área de infra-estrutura voltada para o setor de petróleo, mas também em outras áreas, como logística para operações militares. Desde a invasão norte-americana no Iraque, a empresa tem sido notícia nos principais jornais do mundo, envolvida em acusações de superfaturamento de obras, favorecimento em contratos e licitações, chegando a ser condenada a devolver 36 milhões de dólares ao governo americano.

De acordo com matéria da Folha de São Paulo, de 12 de fevereiro, “Mesmo com a investigação, em 2005 o Pentágono concedeu um contrato de logística de cerca de US$ 5 bilhões à Halliburton no Iraque. O contrato entre o Exército dos Estados Unidos e a Kellogg Brown and Root (KBR, à época uma subsidiária da Halliburton), foi assinado em maio daquele ano. As empresas se separaram no ano passado”. A Halliburton já foi comandada pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, comparado por Hillary Clinton ao vilão da série Guerra das Estrelas, Darth Vader. Existe, inclusive u m site que documenta os casos de corrupção envolvendo a empresa, o www.haliburtonwatch.org

Pois estas são as credenciais da inofensiva empresa que guardava os dados confidenciais da Petrobrás. Apesar disso, jornais e revistas, como a Veja, rapidamente decidiram mudar o tom e adotar a versão do “muito barulho por nada”, inclusive tentando ridicularizar a primeira reação do presidente da República e de autoridades ministeriais, que levantaram a hipótese da espionagem industrial. “Ora, que ridículo!” – apressam-se a dizer ao leitor, nas entrelinhas, publicações como a Veja. De fato, apenas num aspecto é preciso fazer eco com a grande mídia: ficou evidente a falta de preparo da Petrobrás na área de segurança de dados.

Insistimos em perguntar, aos que preferem acreditar nas versões oficiais: Por que uma empresa do porte da Petrobraás, com pesquisas em área de alta tecnologia, não seria objeto de espionagem industrial? Um petroleiro comparou o caso à história da Chapeuzinho Vermelho. Mas a versão oficial dos fatos está fazendo uma pequena adaptação da história. Acaba de contar que o lobo – a Halliburton? A Cia? Quem seria? – era apenas a vovozinha disfarçada de orelhas enormes, para ouvir melhor; de olhos enormes, para enxergar melhor; e uma enorme boca, mas só para enganar a Chapeuzinho Vermelho. Que seria, talvez, a Petrobrás? A população e o estado brasileiros? Cada um que reflita, e se não for tão inocente assim, que tire as suas próprias conclusões.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

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