Energias renováveis e segurança energética


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Itaipu – Sala de Imprensa

18/05/2008

Energias renováveis e segurança energética

Jorge Miguel Samek

Energias renováveis são o tema da atualidade nos fóruns internacionais, nas tratativas entre governos, na mesa de negociações entre empresas e na mídia em geral. Afinal, a todos interessa que o mundo encontre soluções para as limitações da matriz energética e a crise do aquecimento global. Há consenso na comunidade científica e econômica internacional de que a solução passa pela redução da forte dependência de combustíveis fósseis, altamente poluentes e produtores dos gases do efeito estufa.

O Brasil tem uma condição privilegiada para responder a esse desafio. Afinal, 55% da energia primária (elétrica + combustíveis) que move a economia brasileira provêm de fontes renováveis, proporção bastante significativa se comparada com a média mundial, de apenas 13%. O contraste é ainda maior em relação aos países ricos da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que dispõem de apenas 6,1% de fontes renováveis na sua matriz energética.

Se consideramos tão-somente o suprimento de energia elétrica, a vantagem brasileira é ainda mais contrastante: 79% da nossa capacidade instalada é de fontes renováveis, com predomínio da hidreletricidade, contra 23,4% da média mundial. Outro destaque é o nosso pioneirismo na área de biocombustíveis. O país respondeu prontamente ao primeiro choque do petróleo, na década de 70, com a criação do Pró-Álcool. Graças a uma política pública arrojada, o Brasil se tornou líder mundial na produção de álcool combustível a partir da cana-de-açúcar. Hoje, outros países fazem fila para copiar nossas políticas e importar nossas tecnologias.

Mas ainda há muito a se fazer, pois a demanda por energia é crescente. A nosso favor, conta o fato de o Brasil ter um potencial para o desenvolvimento de energias renováveis praticamente ilimitado, dadas as características nacionais relacionadas ao clima, biodiversidade, recursos naturais e meio rural. Porém, para que esse potencial seja plenamente realizado, é necessário que o país sirva-se de metodologias que viabilizem as fontes renováveis, como a geração distribuída para poder dar dimensão econômica à agroenergia.

A agroenergia, ou a energia gerada no campo, está em expansão no mundo. Os Estados Unidos, por exemplo, lançou a proposta “25 to 25”, que pretende fazer com que até 2025, 25% de toda a energia gerada naquele pais sejam produzidos no meio rural. Outros países europeus, como Alemanha, Áustria e Espanha também incorporaram propostas semelhantes a seus planos nacionais de desenvolvimento, o que indica uma tendência mundial de integrar as atividades agropecuárias ao parque gerador energético.

A geração distribuída – por definição a geração realizada próximo à unidade consumidora – é justamente a modalidade de produção elétrica que viabiliza o aproveitamento de todas as fontes renováveis disponíveis e abundantes no campo. Os amplos espaços do meio rural possibilitam a convivência harmoniosa da produção de alimentos com a instalação de geradores eólicos, painéis solares e biodigestores. A criação desses sistemas híbridos de geração potencializam a propriedade rural como unidade geradora de energia e esta pode, além de atingir a auto-suficiência energética, comercializar o excedente, inaugurando uma nova fonte de receita para o produtor.

A fim de comprovar a viabilidade técnica, econômica e ambiental da geração distribuída, foi criada uma unidade modelo em São Miguel do Iguaçu, na região Oeste do Paraná. Ali, a partir do gás metano liberado por dejetos de 3 mil suínos, é gerada energia suficiente para abastecer toda a propriedade. A novidade nessa iniciativa está em um painel de comando desenvolvido a partir de critérios técnicos definidos pela Companhia Paranaense de Energia (Copel), que permite transmitir o excedente energético para a rede pública, com total segurança para a rede e para a propriedade. Além do benefício econômico, essa modalidade de geração evita a liberação de gás metano na atmosfera. É importante lembrar que o metano é 21 vezes mais poluente que o gás carbônico, principal agente do efeito estufa.

Longe de propor uma competição com as fontes geradoras tradicionais, como as grandes usinas, essas unidades geradoras de pequeníssimo porte tem muito mais a função de complementar o sistema, permitindo que a energia produzida em fontes convencionais seja destinada a usos nobres como hospitais, iluminação pública, indústria e outros que definitivamente não têm condições de suprir sua própria demanda.

A Itaipu Binacional, maior hidrelétrica do mundo em geração de energia elétrica, promove com entusiasmo essa iniciativa por reconhecer os enormes benefícios que a sociedade brasileira poderá obter com o uso intensivo de biodigestores para alimentar microgeradores.

Soluções como essa farão parte das discussões do Fórum Global de Energias Renováveis, promovido pela Organização das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Indústria (Onudi) e pelo Ministério das Minas e Energia, com o apoio da Eletrobrás e da Itaipu. Esse evento – que acontece em Foz do Iguaçu (PR), deste domingo (18) até quarta-feira (21) – oferece uma oportunidade extraordinária para que o Brasil mostre aos demais países as vantagens da sua matriz energética, que tem como carro-chefe a hidreletricidade – fonte limpa e renovável de energia para um modelo de desenvolvimento sustentável.

Este Fórum será também uma oportunidade de aprendermos com os países que estão mais avançados no uso de energia solar, eólica e de biomassa. A hidreletricidade é o esteio do nosso sistema, mas a segurança energética será maior com a crescente diversificação da matriz energética. Fomos pioneiros e podemos continuar na liderança desse processo. O Brasil está mostrando ao mundo que segurança alimentar e soberania energética são dois objetivos estratégicos que podem ser alcançados simultaneamente, com tecnologia, ousadia, empreendedorismo e justiça social.

Jorge Miguel Samek, engenheiro agrônomo graduado pela Universidade Federal do Paraná (UFPR), é Diretor-Geral Brasileiro da Itaipu Binacional

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