Pré-Sal Deveria Financiar Pró-Sol No País Tropical!


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16/09/2009

Pré-Sal Deveria Financiar Pró-Sol No País Tropical!

Eloy F. Casagrande Jr., PhD

Coordenador do Escritório Verde, Universidade Tecnológica Federal do Paraná

Em 2004, um primeiro furacão do Brasil arrasou parte da costa de Santa Catarina. Em 2005, a Amazônia sofreu sua maior seca em mais de 100 anos, impactando em todo o ecossistema da região. Em 2008, as cidades do Vale do Itajaí inundavam, matando 136 pessoas e destruindo milhares de residências, também em Santa Catarina. Agora em 2009, novamente vemos a mais recente tragédia com o tornado que deixou um lastro de destruição no estado. Não há dúvidas que diretamente ou indiretamente estes fatos estão ligados ao aquecimento global. Estamos entrando numa nova era onde será preciso haver um abandono da dependência dos combustíveis fósseis em favor das energias renováveis.

O governo brasileiro prepara-se para anunciar ao mundo que pretende reduzir suas emissões de gases do Efeito Estufa na ordem de 30%, até 2020, principalmente combatendo o desmatamento na Amazônia. No entanto, omite que se cada tonelada de óleo previsto para ser retirado no Pré-sal for queimado pelos setores de energia, industrial e automobilístico, de nada adiantará o esforço. Cada barril de petróleo queimado emite entre 420 e 440 quilos de CO2 – sem contar o carbono emitido ao longo da cadeia produtiva, nos processos de extração, transporte, refino e distribuição. De acordo com a Petrobrás, os campos de petróleo do Pré-sal estarão produzindo 1,8 milhão de barris por dia até 2020, o que significa que país poderá ter um acréscimo nas suas emissões de cerca de 76 mil toneladas de CO2 diariamente!

Por outro lado, a Alemanha acaba de inaugurar sua maior usina solar, que deve evitar que sejam despejadas na atmosfera 35 mil toneladas de CO2. São 700 mil coletores de energia solar com capacidade de geração de 53 megawatts (MW) que alimentam 15 mil residências com eletricidade. O país já tem outra planta com capacidade de 10 MW. Na Espanha, uma torre solar de 115 m de altura gera 11 MW. A torre recebe luz solar de 624 espelhos móveis, cada um com uma superfície de 120 m2, aquecendo água em canos. Esta energia térmica aciona uma turbina a vapor para gerar eletricidade. É a primeira usina de uma série de outras projetadas para gerar mais 300 MW de energia para o país até o ano de 2013. Com o projeto finalizado, cerca de 180.000 casas no entorno receberão eletricidade, impedindo que mais de 600 mil toneladas de CO2 sejam liberados para o ambiente anualmente.

Até mesmo Portugal, que tanto é motivo de piadas dos brasileiros, já tem uma planta de energia solar com capacidade instalada de 46,41 MW. A produção é suficiente para abastecer 35 mil habitações e poupar cerca de 90 mil toneladas de emissões de gases com efeito de estufa.

Além das usinas centralizadas, países Europeus e Nórdicos têm programas de incentivo para instalações de painéis solares nos telhados de edificações que estão conectados aos sistemas de distribuição. Isto faz que com cada residência se torne uma mini-usina de energia solar, que quando não está consumindo eletricidade, a mesma abastece o sistema e seu proprietário recebe por isto. Na Alemanha, mais de 430 mil instalações estão em funcionamento, gerando cerca de 3.800 MW — maior que a capacidade da Hidrelétrica de Ilha Solteira, no Rio Paraná, a quinta maior do Brasil!

No final da década de 70, cada watt produzido por meio de células fotovoltaicas custava 150 dólares. Hoje, o preço varia entre 3 e 4 dólares. Especialistas estimam que quando o valor baixar para entre 1,5 e 2 dólares, a energia solar conseguirá competir com qualquer outro tipo de energia. Em 2008, houve um aumento de instalações fotovoltaicas no mundo da ordem de 5,65 gigawatt (GW), o que equivale a um crescimento de 75% em relação a 2007. A potência instalada mundialmente hoje é de cerca de 14 GW. Ainda é pouco, pois é a mesma energia gerada apenas pela Usina hidrelétrica de Itaipu. Segundo o professor Ricardo Rüther, da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), se a superfície de 1350 km2 do lago da usina fosse coberto com painéis fotovoltaicos, se teria 108 GWp – isto representa mais de 50% da energia consumida no Brasil.

Não vamos cobrir o lago de Itaipu, mas especialistas afirmam que a energia fotovoltaica vai ser competitiva no Brasil dentro de dez anos. Isto poderia ser num tempo mais curto se as lamparinas do juízo das cabeças dos nossos governantes fossem iluminadas pelo sol e houvesse agora mais investimentos, incentivos e mudanças de regras no setor. Mesmo com todo nosso potencial hidrelétrico instalado, cerca de 10 milhões de brasileiros ainda não têm acesso à energia elétrica e o governo anuncia construções de termelétricas — outro contrasenso para quem quer reduzir emissões de carbono!

O lugar menos ensolarado do Brasil (Florianópolis) recebe 40% mais energia solar do que o lugar mais ensolarado da Alemanha e não tiramos proveito disto. Como será impossível evitar a exploração do Pré-sal e com o imenso passivo ambiental que já tem a Petrobrás, o mínimo a fazer, seria de compensar o alto impacto da retirada e uso deste petróleo, dirigindo parte de seus lucros para financiamento de um programa Pró-sol, a energia do presente.

Prof. Eloy F. Casagrande Jr., PhD

Inovação Tecnológica & Sustentabilidade
Departamento Acadêmico de Construção Civil – DACOC
Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil – PPGEC
Programa de Pós-Graduação em Tecnologia – PPGTE
Universidade Tecnológica Federal do Paraná – UTFPR
tel: 41 3310-4719   ou  41 3310-4711
email: eloy.casagrande@gmail.com
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