JEREISSATI no ESTADÃO: “Pré-sal virou questão entre nacionalistas e entreguistas”


http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20091001/not_imp443811,0.php

O ESTADO DE S.PAULO

Quinta-Feira, 01 de Outubro de 2009

“Pré-sal virou questão entre nacionalistas e entreguistas”

Tasso Jereissati critica o modo como o governo politizou o debate sobre as regras de exploração

O senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sinalizou ontem que é hora de a oposição subir o tom em relação às propostas para o novo marco regulatório do pré-sal. Em sua apresentação no Debate Estadão “O Futuro do Pré-Sal”, Jereissati fez coro às críticas das petroleiras privadas contra a exclusividade de operação da Petrobrás e alertou para riscos a outros setores da indústria. Também presente no encontro, o presidente da estatal, José Sérgio Gabrielli, voltou a defender o papel proposto pelo governo para a companhia.

Indagado sobre a atitude pouco incisiva da oposição após a apresentação dos projetos de lei, Jereissati disse que o governo criou um clima ideológico desfavorável a críticas. “A questão foi colocada de forma muito emotiva, como disputa entre nacionalistas e entreguistas. A oposição quer colocar o debate um pouco mais no chão, para que possa ser feito com maior clareza. Não queremos levar a discussão para o “somos contra porque somos contra”.”

A crítica de Jereissati encontrou eco no governador do Espírito Santo, Paulo Hartung, do governista PMDB. Para ele, o debate está sendo feito de maneira “açodada” e com forte componente eleitoral. A oposição e as petroleiras privadas, porém, já conseguiram uma vitória, com a retirada do pedido de urgência na tramitação dos projetos.

Ontem, o senador disse que a estratégia de nacionalização de equipamentos corre o risco de repetir medidas que fracassaram no passado, citando como exemplo a reserva de mercado para a informática. O risco, disse, é que a falta de competição beneficie empresas ineficientes.

O presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo (IBP), João Carlos de Luca, alertou ainda para a necessidade de troca de experiências, que pode levar ao desenvolvimento de novas tecnologias.

“A presença de diferentes operadoras é fundamental para o desenvolvimento da tecnologia. Muita coisa do que foi introduzido na exploração do petróleo no Brasil veio do exterior”, concordou o consultor Wagner Freire, diretor da Petrobrás na década de 70. O IBP ainda espera derrubar a medida no Congresso.

A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse esta semana, porém, que o governo não abre mão de ceder a operação para a Petrobrás. Gabrielli argumentou que a companhia ganha vantagens como a otimização de infraestrutura de produção e dos recursos financeiros para os projetos, além de garantir a aplicação de uma política de conteúdo nacional que beneficie o País. “Ser operador único não quer dizer ser única empresa. Os sócios não serão afastados.”

Gabrielli afirmou ainda que não há prejuízos para a estatal, que já é acostumada a trabalhar com áreas exploratórias de portes variados. Ele reforçou que a mudança de modelo é necessária, dado o baixo risco do pré-sal. “É uma nova realidade: temos tecnologia, acesso a capitais internacionais e grandes reservas”, disse, comparando o momento atual com a elaboração da lei 9478, que pôs fim ao monopólio estatal.

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One Response to JEREISSATI no ESTADÃO: “Pré-sal virou questão entre nacionalistas e entreguistas”

  1. Parece até piada de programa humorístico! Ou aquelas “piadas prontas” como sempre fala o José Simão…

    Desde quando um tema como “Poder” não é político? Se petróleo representa Poder, obviamente qualquer debate sobre o controle do petróleo envolve poder, correlação de forças, planejamento, decisões estratégicas, em suma: Política. Portanto é um debate intrinsecamente politizado.

    A partidarização deste debate no Brasil sempre ocorreu e sempre polarizou entreguistas contra nacionalistas.
    Sinceramente não consigo acreditar no suposto desconhecimento do Senador sobre a história recente do país e do seu próprio partido em defesa do entreguismo. Se o Senador não sabia disto, alguém, por favor, entregue um livro de história do Brasil para um dos assessores, pelo menos para que leiam pra ele.

    Desde que os entreguistas tentaram impedir Vargas de nacionalizar o petróleo, o discurso é o mesmo: “o Brasil não consegue nada sozinho”, “precisamos das multinacionais aqui pra tudo”. Até que finalmente, quando os entreguistas estavam mais fortes, no auge do neoliberalismo dos anos 1990, forjaram a privatização de grande parte do patrimônio nacional que o país levou décadas para construir, incluindo neste processo a parcial e a desnacionalização da Petrobrás. Foi mais um dos surtos de entreguismo que tanto mal já fizeram ao povo brasileiro, mas daquela vez eles conseguiram vender (rifar?) a Petrobrás a preço de banana, na época duas grandes vendas de ações que mal totalizaram US$ 4 bilhões, a última em 2000. Isto ocorreu devido à subavaliação da empresa e à imagem prejudicada de seus negócios após uma série de acidentes que culminaram no terrível acidente (acidente?) com a P-36. Quando FHC deixou o governo em 2002 a Petrobrás já valia US$ 54 bilhões. Hoje a Petrobrás representa US$ 300 bilhões em valor de mercado mais do que a Microsoft. Iso sem considerar o “patrimônio” real e potencial da empresa, que é ainda maior. Outra empresa “rifada” naquele período obscuro dos aos 1990, foi a Vale do Rio Doce, por apenas US$ 3,3 bilhões, mesmo depois que técnicos americanos terem avaliado o patrimônio da empresa em US$ 100 bilhões e economistas brasileiros em US$ 200 bilhões. Hoje a Vale tem valor de mercado de US$ 200 bilhões, fora o patrimônio quase incalculável de reservas minerais, que poderiam ser do país se a empresa não tivesse sido privatizada por tão pouco.

    Hoje os entreguistas-neoliberais perderam força e o Brasil vai retomar as rédeas do seu próprio desenvolvimento e voltar a controlar seus recursos naturais, senão totalmente, ao menos mais diretamente do que antes. Isto implica necessariamente em abolir a legislação entreguista criada no período FHC, que permitiu a privatização de 2/3 da Petrobrás e entregou nosso petróleo para a livre-exploração das multinacionais do petróleo.

    Como não têm um único argumento minimamente plausível ou aceitável, estes cidadãos (serão brasileiros me pergunto sempre?), agora adotam este discursinho de programa humorístico para tentar polemizar um debate sério. Será brincadeira?

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