Brasil vai em busca de hidrelétricas com reservatórios no exterior: Eletrobrás estuda 16GW em projetos no Cone Sul


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Jornal da Energia

São Paulo, 15 de Outubro de 2009

Brasil vai em busca de hidrelétricas com reservatórios no exterior

Eletrobrás estuda 16GW em projetos no Cone Sul

Milton Leal

Rio de Janeiro

O setor ambiental brasileiro já deixou mais do que claro que não serão construídas usinas hidrelétricas com reservatórios no País em razão dos impactos ambientais provocados pelos alagamentos de terras. Prova disso é a tecnologia de usinas a fio d’água, que foi utilizada nas plantas do rio Madeira.

Sem capacidade de regularização do sistema e com a dificuldade de obter licenciamento ambiental para vários projetos hidrelétricos, a alternativa foi iniciar o processo de transição da matriz hidrelétrica para uma composição hidrotérmica.

Nos últimos leilões de energia, termelétricas poluentes foram contratadas a peso de ouro para ficarem paradas boa parte do ano e servirem como segurança do sistema.

A saída para este problema está literalmente além das fronteiras brasileiras. O potencial hidrelétrico inexplorado nos vizinhos sul-americanos é da ordem de 270 mil MW. A grande maioria destes aproveitamentos, segundo o presidente da PSR Consultoria, Mário Veiga, podem ser construídos com reservatórios, como é o caso do projeto de Iñambari, no Peru, que possui 2,2 mil MW e que está sendo prospectado pela Eletrobrás.

De acordo com o superintendente de operações internacionais da estatal, Sinval Gama, a empresa está estudando 16 mil MW de geração na América do Sul. Para tirar esses projetos do papel seriam necessários cerca de US$40 bilhões. Além disso, 10 mil km de linhas na região compõem o portfólio de estudos da companhia.

Gama também revelou que o braço de operações no exterior da Eletrobrás está inventariando cerca de 7,5 mil MW de potencial hidrelétrico na Guiana – país localizado na fronteira com Roraima e que possui um regime hidrológico oposto do brasileiro – o que poderia contribuir muito com o aumento da capacidade de regularização dos tanques de armazenamento nacionais.

Segundo ele, a expectativa é que em seis meses os estudos estejam prontos para que se sobre a factibilidade de exploração dos empreendimentos. “Estamos fazendo todo o trabalho na Guiana para checarmos se o aproveitamento de Tortruba é realmente o melhor”, explicou o executivo, referindo-se ao estudo de inventário de uma usina de 800MW que já estava pronto, mas que está sendo refeito.

No Peru, além de Iñambari, a Eletrobrás está de olho em outras cinco oportunidades. No início, chegou-se a cogitar a possibilidade de construir 15 hidrelétricas. Estudos de otimização foram feitos e este número caiu para seis. “Pretendemos finalizar os estudos de viabilidade até dezembro de 2010”, disse Gama.

Na Argentina, os estudos de inventário da hidrelétrica binacional de Garabi estão quase prontos. O superintendente da Eletrobrás acredita que a tendência é que a usina seja dividida em dois aproveitamentos, que juntos terão 2,4 mil MW de capacidade.

No âmbito das interconexões elétricas, Brasil e Venezuela estudam uma linha de transmissão de 1,2 mil km de distância que teria capacidade de transpostar 2 mil MW de energia para o território brasileiro. Contudo, como os venezuelanos não possuem excedente de energia, os brasileiros aguardam o surgimento de novas usinas no país que criem demanda para justificar a construção da linha.

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