Usiminas investe R$ 1 bilhão para atender demanda do pré-sal


Estado de Minas
27/10/2009

Usiminas investe R$ 1 bilhão pelo pré-sal

Empresa, que lucrou 23% a mais no terceiro trimestre, quer disputar o mercado aberto pela exploração da camada

Marta Vieira

Produção da Usiminas em Ipatinga: por enquanto, siderúrgica mantém suspensos investimentos em expansão

 

Para disputar com aços de alta resistência o aumento do consumo da matéria-prima nos setores de petróleo e gás e na indústria naval, a Usiminas vai investir R$ 1 bilhão nos próximos três meses em projetos que ficaram a salvo das fortes medidas de ajuste adotadas pela siderúrgica depois da crise financeira mundial. Entre as principais obras mantidas, a unidade de Ipatinga está sendo preparada para atender exigências do programa de exploração da camada pré-sal, e a Cosipa, de Cubatão (SP), dá continuidade à instalação de um laminador de tiras a quente.

Apesar da recuperação da produção e das vendas no terceiro trimestre, o presidente da siderúrgica, Marco Antônio Castello Branco, disse ontem, que permanecem suspensos os planos para a construção de uma usina de placas em Santana do Paraíso, no Vale do Rio Doce.

Segundo o executivo, ao contrário de outras empresas do setor como a Gerdau, que anunciou esta semana a retomada de investimentos, a Usiminas não vê motivo suficiente para tocar projetos de expansão da sua capacidade produtiva. A reação do mercado brasileiro, de acordo com Castello Branco, tem se mostrado de forma sistemática nos últimos meses, mas de forma vagarosa.

“Achamos prematuro tomar essa medida. O cenário econômico, particularmente o cenário brasileiro, não está muito claro para nós. Estamos saindo de um período de reestocagem depois da queda muito grande do consumo”, afirmou, durante entrevista para divulgação dos resultados da siderúrgica de julho a setembro.

O projeto da nova usina só será reavaliado no fim do primeiro semestre do ano que vem. Embora a usina de Ipatinga esteja trabalhando a um ritmo de 80% da sua capacidade de produção de 12 mil toneladas por dia, também não há perspectiva de religamento do alto-forno 1. O equipamento ficará desligado em boa parte de 2010, na avaliação do presidente da siderúrgica, tendo em vista o consumo superior à produção de aço não só no Brasil, como no mundo. Para Castello Branco, o mercado brasileiro só voltará aos níveis pré-crise em meados de 2011 e início de 2012.

“Não são todos os setores que estão vendo a recuperação”, disse o executivo. Ele estima que a demanda por aço crescerá no Brasil para 22,5 milhões de toneladas em 2010, ante 20,8 milhões de toneladas neste ano, mas diante de excedentes de produção. Não é por outro motivo que a siderúrgica decidiu dar prioridade a investimentos para aumentar o valor de seus produtos. A Usiminas deve encerrar 2009 com desembolso de R$ 2,3 bilhões.

No terceiro trimestre as vendas da siderúrgica somaram 1,7 milhão de toneladas, sendo 1,1 milhão destinado ao mercado brasileiro, resultado que significou crescimento de 23% frente ao período de abril a junho. As exportações também se recuperaram, contribuindo para o balanço com crescimento de 109% ante o segundo trimestre. Tanto a receita líquida, de R$ 2,86 bilhões de julho a setembro, quanto o lucro líquido de R$ 454 milhões nesses meses mostraram crescimento, de 19% e 23%, respectivamente, frente ao trimestre anterior.

A performance da companhia de janeiro a setembro, no entanto, reflete os efeitos do baque no consumo de aço. Nos nove meses do ano, a receita líquida de R$ 11,98 bilhões ficou 34% abaixo da do terceiro trimestre de 2008, ante a redução das vendas e os descontos de preços que a siderúrgica se viu obrigada a negociar com seus clientes. O lucro líquido, de R$ 711 milhões, diminuiu 69% em comparação aos três primeiros trimestres do ano passado.

Anglo American

O grupo de mineração Anglo American anunciou ontem uma reestruturação que reduzirá um quarto dos empregados, com a demissão de 2,7 mil, e poupará US$ 120 milhões por ano. Informou também a criação de sete unidades descentralizadas de negócios. Duas das novas unidades teriam como base o Brasil, uma de minério de ferro e uma de níquel; três na África do Sul, a de platina, outra de minério e uma de carvão, enquanto outra unidade de cobre seria no Chile e a de cobre metalúrgico na Austrália.

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