Governo se torna sócio da Avibrás Aeroespacial transformando dívida em ações


O Estado de S. Paulo
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Governo se torna sócio da Avibrás

Dívidas da principal fabricante de produtos militares do País com a União serão transformadas em participação

ASTROS II - Sistema lançador de míssil e foguetes fabricado pela Avibrás lança um míssil tático de cruzeiro - TM - até 300km de alcance - foto: Avibrás

ASTROS II – Sistema lançador de míssil e foguetes fabricado pela Avibrás lança um míssil tático de cruzeiro – TM – até 300km de alcance – foto: Avibrás

de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO – A Avibrás Aeroespacial, principal fabricante de produtos militares do País, vai ganhar um sócio: o governo federal. O grupo, de São José dos Campos, terá a participação do sistema financeiro da União na proporção de 15% a 25% – isso ainda está sendo discutido.

Não haverá aporte direto de dinheiro. Na forma prevista na Lei 11941/09, a presença dos recursos será efetivada por meio da conversão das dívidas da Avibrás. O anúncio da primeira parceria público-privada do setor de Defesa é esperado para abril.

A Avibrás está em regime de recuperação judicial desde julho de 2008. O valor do processo, cerca de R$ 500 milhões, foi superado pelo cumprimento de um rico contrato firmado com a Malásia, para fornecimento de baterias, munições e mais equipamentos de apoio do lançador de foguetes Astros-II, o principal produto do grupo.

Esse sistema de armas brasileiro é o principal recurso dissuasório da força terrestre malaia na região de tensão permanente no sudeste asiático.

A quarta etapa da encomenda foi entregue há apenas dois meses: uma bateria completa, das carretas lançadoras à central móvel de comando, mais 12 veículos blindados 4 x 4, embarcaram no porto de Santos dia 29 de dezembro de 2009.

Segundo o presidente do grupo, engenheiro Sami Hassuani, “as contas estão em dia: todos os compromissos trabalhistas foram quitados e, da mesma forma, a dívida com os fornecedores”. A participação do governo tem tamanho – 1,2 mil páginas, soma do texto principal e dos 12 documentos anexos.

Sistema de lancamento de foguetes e misseis ASTROS II – foto: Avibrás Aeroespacial

O faturamento do grupo formado por quatro unidades acomodadas em duas instalações, está crescendo. Foi de R$ 60 milhões em 2007, bateu em R$ 250 milhões em 2009, “e tem potencial para chegar aos R$ 500 milhões até dezembro”, avalia Sami. Segundo o executivo, a Avibrás pode vender cerca de 1,4 bilhão de euros por ano trabalhando nos seus mercados tradicionais, no Oriente Médio e Ásia, além de abrir praças novas na América Latina e África. Hassuani não confirma, mas os governos de Angola e da Colômbia teriam revelado interesse na linha Astros-II e nos foguetes ar-terra Skyfire, de 70 mm.

O Astros-II que a Malásia está recebendo é a quinta geração tecnológica do projeto, desenvolvido permanentemente desde que o lançador foi apresentado em 1980. O painel é digital, a navegação é operada por GPS e sinais de satélite, a central de comunicação é criptográfica. O veículo, uma carreta com tração integral sobre o qual a plataforma de disparo – de foguetes com raio de ação entre 9 e 150 km – com cabine é montada, é o Tatra, da República Checa. O blindado 4×4 de Comando, Controle e Comunicações, também é novo. Pesa 14 toneladas e recebe todas as informações de combate – dos dados meteorológicos às ameaças de ataque. “Podemos entrar com ele e seus derivados, inclusive versões da classe 8×8, para completar a família de carros couraçados sobre rodas que o Exército está interessado em formar.”

A próxima etapa é um ambicioso programa, o Astros 2020. “Trata-se de um conceito novo, sustentado pelo conhecimento já adquirido”, explica Sami. Vai exigir investimentos estimados em R$ 1,2 bilhão, dos quais cerca de R$ 210 milhões aplicados no desenvolvimento. “Ele vai se integrar com o míssil de cruzeiro AV-TM, de 300 quilômetros de alcance, na etapa de testes e certificação”, explica Hassuani para quem “o empreendimento 2020 vai permitir ao Exército, por exemplo, integrar o Astros com a defesa antiaérea, criando um meio de uso comum para as plataformas, os caminhões, parte dos sensores eletrônicos e os veículos de comando”.

http://economia.estadao.com.br/noticias/not_6604.htm 
Lançadores Múltiplos de Foguetes Astros II.   Foto: Avibrás
Lançadores Múltiplos de Foguetes Astros II - AV-LMU. Foto: Avibrás
republicado a partir de: http://isape.wordpress.com/2010/02/25/governo-do-brasil-se-torna-socio-da-avibras-aeroespacial-convertendo-divida-da-empresa-em-participacao-acionaria/

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