Segundo estudo do IPEA a fabricação de biocombustíveis não vai prejudicar produção de alimentos no Brasil


Agência Brasil

26/05/2010

Ipea: fabricação de biocombustíveis não vai prejudicar produção de alimentos

Danilo Macedo

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Apesar do avanço das lavouras de cana-de-açúcar sobre áreas destinadas à pecuária e à agricultura nos últimos anos, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) apresentada hoje (26) afirma que o país não vai perder potencial como produtor de alimentos em função desse crescimento. Para isso, no entanto, o estudo Biocombustíveis no Brasil: Etanol e Biodiesel, ressalta a necessidade de o Estado regular a fabricação de etanol e priorizar a produção de alimentos com financiamento e infraestrutura.

O documento apresenta como um dos grandes desafios do mercado de etanol a estabilidade dos preços, que atualmente apresentam forte volatilidade durante o ano. Além da formação de um grande estoque regulador a partir deste ano, que estará contemplado com R$ 2,4 bilhões no próximo plano safra, outras medidas para evitar tais oscilações são a consolidação das compras futuras e a liberação da alíquota para importação de etanol, que era de 20% e foi suspensa pela Câmara de Comércio Exterior (Camex) no início de abril.

O mercado internacional de etanol, segundo a pesquisa, poderá atingir 200 bilhões de litros nos próximos dez anos. Na última safra, o Brasil produziu 25 bilhões de litros, dos quais 4,7 bilhões foram exportados. O protecionismo aos mercados externos, entretanto, pode apresentar um empecilho a essa expansão, de acordo com o Ipea.

Para contrapor os argumentos protecionistas, que se referem à sustentabilidade socioambiental, o estudo mostra que algumas iniciativas importantes devem ser reforçadas, como o Compromisso Nacional para Aperfeiçoar as Condições de Trabalho na Cana-de-Açúcar, entre sindicatos, governo e usineiros; e o Zoneamento Agroecológico (ZAE) da Cana-de-Açúcar, que proíbe sua expansão e a instalação de novas usinas na Amazônia, no Pantanal e na Bacia do Alto Paraguai.

Edição: Talita Cavalcante

http://agenciabrasil.ebc.com.br/home/-/journal_content/56/19523/962667

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Leia a íntegra do Comunicado do Ipea nº 53

Veja os gráficos da apresentação sobre etanol

Veja os gráficos da apresentação sobre biodiesel

28/05/2010

Brasil precisa fortalecer comércio com vizinhos para reduzir perda de mercado para a China

Pedro Peduzzi

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Para diminuir a perda do mercado externo para a China, sobretudo na América Latina e nos Estados Unidos, o Brasil precisará olhar principalmente para dentro, visando a reduzir custos da produção. A avaliação foi feita por alguns dos pesquisadores que lançaram hoje (28) o livro O Brasil e os demais Brics: Comércio e Política, no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

“A China é, sim, a nova oficina da manufatura mundial e isso é uma ameaça para o Brasil, caso o país não passe por uma estratégia de fortalecimento, principalmente na América do Sul. Ou fazemos isso ou seremos prejudicados”, avalia o coordenador de Pesquisas e Estudos de Economia e Política Internacional do Ipea, Marcos Antônio Macedo Cintra.

“Mas, ao mesmo tempo, com os ganhos que temos por exportarmos muito para a China, geramos dólares que podem fortalecer a economia e a indústria brasileira para buscar esses objetivos, principalmente na América do Sul”, disse o pesquisador.

De acordo com o diretor do escritório da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (Cepal), organizadora da publicação, Renato Baumann, as maiores perdas ocorreram nos mercados dos EUA e da América Latina. “Os resultados desses estudos buscam provocar mais estudos para entender o que está acontecendo e estimular novas políticas econômicas para o Brasil”, disse Baumann.

“Isso passa pela necessidade de implementarmos agendas nacionais, regionais e internacionais no país, visando a reduzir o custo Brasil, melhorar a infraestrutura, a legislação e a qualidade da mão de obra e os vínculos com países vizinhos”, acrescentou.

Cintra destaca, no entanto, que os países do Bric – e principalmente a China – podem ajudar o Brasil na articulação de temas internacionais. “Sobretudo na chamada ordem financeira e monetária internacional, uma vez que está em cheque o papel da moeda de reserva internacional [o dólar]”, avalia.

Ele explica que a China tem US$ 2,5 trilhões em reservas. “Isso faz dela um ator importante na ordem financeira internacional, com poder de negociação para que novas regras surjam, relacionadas ao funcionamento do Fundo Monetário Internacional [FMI], do Banco Mundial e da própria moeda das reservas internacionais.”

Para o subsecretário-geral de Assuntos Políticos do Ministério das Relações Exteriores, Roberto Jaguaribe, apesar de apresentarem diferenças significativas, os países do Bric podem alcançar muitos objetivos comuns.

“O Bric em si já é um reflexo das aprofundadas mudanças do contexto internacional, servindo de instrumento facilitador do processo de multipolarização. Há diferenças, mas também muitas coisas em comum. Inclusive o tamanho. É hoje um grupo com peso internacional e são importantes inclusive fora da área econômica e financeira, que é a origem do grupo”, avalia o embaixador.

Quanto aos problemas decorrentes da perda de mercado na América Latina, Jaguaribe também acredita que se trata de um processo que envolve mais questões internas do que externas ao Brasil. “Há questões que são provocadas por inadequações internas brasileiras que estão sendo corrigidas. Estamos voltando a ter crescimento sustentável e capacidade de competir com tecnologias e indústrias. O avanço chinês é mais um alerta para que resolvamos essas questões [internas]”, disse Jaguaribe. “E o Brasil tem condições nacionais estruturais de permitir economias competitivas, com multiplicidade de setores, inclusive de agregação de valores.”.

“No entanto temos de desmistificar a ideia de que vender commodities e produtos agrícolas é uma coisa ruim. Só é possível fazer isso no grau em que o Brasil faz com uma enorme capacidade competitiva que vai além de água, do solo e do sol. Há pesquisas realizadas com muito empenho e por muitos séculos em nosso país”, completou.

Edição: João Carlos Rodrigues

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