Pânico com derramamento de óleo: o Pré-sal pode ser o Golfo do México amanhã?


Agência Petroleira de Notícias

01/06/10

Pânico com derramamento de óleo: o Pré-sal pode ser o Golfo do México amanhã?

Por Emanuel Cancella*

O derramamento de óleo no Golfo do México criou um pânico global. É verdade que a indústria do petróleo é predatória, agride o meio ambiente e acarreta doenças aos trabalhadores. Porém, infelizmente, ainda será a principal fonte energética nos próximos 50 anos.

O homem optou pela fonte de energia mais agressiva à vida e ao meio ambiente. E, por mais contraditório que possa parecer, o petróleo é a fonte de menor custo financeiro e de múltiplos usos. Qualquer outra fonte de energia, à exceção do carvão, é mais limpa que o petróleo: solar, hídrica, eólica e biomassa. Mas nenhuma delas é como petróleo, produzindo vários combustíveis – gasolina, diesel, gás, querosene – e cerca de 3 mil produtos petroquímicos.

Por isso o petróleo é conhecido como “ouro negro”, sendo cobiçado pelas nações poderosas, que sabem da sua importância. Os Estados Unidos, por exemplo, só têm petróleo em seu subsolo para os próximos três anos.

A partir do desastre ambiental no Golfo do México, fica a pergunta que não quer calar. Pode acontecer derramamento no Pré-sal? Pode! Principalmente se o Brasil se transformar num grande produtor e exportador de petróleo. Vale lembrar que o Brasil já é auto-suficiente na produção de petróleo.

Sem o Pré-sal, o Brasil já produz petróleo para o nosso consumo interno. Por conta disso o projeto de lei dos movimentos sociais em debate no Senado deseja que a  Petrobrás se torne 100% estatal e pública, com a volta do monopólio, o fim dos leilões da ANP e a revisão dos leilões já realizados. Propõem, ainda, intensificar o uso do petróleo na indústria petroquímica, muito mais lucrativa que a indústria de combustíveis.

Uma das grandes preocupações dos movimentos sociais, como se pode observar no projeto que tramita no Senado, refere-se à necessidade de investimentos em fontes de energia alternativas, para reduzir a dependência do petróleo. Mas essa proposta só poderá se concretizar, se essa riqueza estiver sob controle do estado brasileiro. Nessa caso, as pesquisas em novas fontes poderiam ser viabilizadas por recursos oriundos da própria prospecção do petróleo do Pré-sal.

Nesse caso, além de contribuir para evitar acidentes como o do Golfo do México, o Brasil poderia servir de exemplo ao mundo. Virar um grande exportador é imitar o México. Partilhar 70% do Pré-sal, como propõe o novo marco regulatório do presidente Lula, é deixar o país refém dos interesses das multinacionais, até porque as reservas de petróleo deles estão acabando.

Falta dizer que, no México, o petróleo é dos estrangeiros. Aos mexicanos resta a propriedade somente dos prejuízos ambientais. Aos brasileiros que estão preocupados com o futuro do Pré-sal, fica o alerta: o Brasil pode estar seguindo o mesmo caminho e repetindo os mesmos erros cometidos no Golfo do México!

Fonte: Agência Petroleira de Notícias.

*Emanuel Cancella é secretário-geral do Sindipetro-RJ.

http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=1806&Itemid=79

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