Evitando a “Maldição do Petróleo”


O Dia Online
19/11/2010

Carlos Lessa: Longe da maldição

 

Crises econômicas, Instabilidade política, Golpes de Estado, Guerras civis, separatismo e terrorismo: um complexo de problemas que afeta diversos países exportadores de petróleo

Rio – A exploração do petróleo do pré-sal é resultado de mais de 40 anos de esforços da geologia brasileira e cuja situou a tecnologia petrolífera brasileira na vanguarda mundial.

 

Exportar petróleo cru é uma maldição, como nos mostram os exemplos de países exportadores, sendo a Indonésia e o México os casos mais dramáticos. Entre as dimensões claramente às economias exportadoras de petróleo cru estão: má distribuição de renda, gastos militares excessivos, perseguição de minorias, influência aberta ou subterrânea das potências importadoras e dos apetites das empresas processadoras do óleo exportado cru, episódios dramáticos nas tentativas de estabelecimento de soberania nacional. A exceção é a Noruega, altamente civilizada e com procedimentos de justiça social amadurecidos.

Os EUA, após utilizar o seu petróleo pioneiro para querosene (em 1925 detinha 50% do petróleo mundial), criaram as bases tecnológicas da II Revolução Industrial e ocuparam o centro do mundo. Hoje, somente tem reservas para quatro anos de consumo e bebem quase 30% de todo o óleo produzido no mundo. Com o maior orçamento militar do mundo, os EUA dominam todos os oceanos e pratica (necessariamente) a geopolítica mundial do petróleo, e seu crescente gasto militar é maior que o somatório dos gastos das nove outras potências que lhe sucedem em dispêndio nessa área. EUA tem que ser o xerife do mundo, pois está vulnerável sem petróleo.

 

Nosso pré-sal é a Amazônia Azul, que se funde com outro objeto de cobiça, que é nossa Amazônia Verde. Energia não-renovável será cada vez mais escassa no planeta, e o petróleo é um ouro negro que tende a se valorizar mais que o ouro metal. Quanto mais conhecida e “poupada”, maior será o valor da reserva de petróleo. Ao invés de exportar a relíquia bárbara, exportar o que se produz com seus mais de três mil usos.

 

Carlos Lessa é professor e economista

 http://odia.terra.com.br/portal/opiniao/html/2010/11/carlos_lessa_longe_da_maldicao_125524.html
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