Petroimperialismo: Novo conceito de “intervenção” da OTAN demonstra prentenções imperiais que preocupam o Brasil

9 de abril de 2011

Agência Brasil
07/04/2011

Novo conceito de “intervenção” da OTAN no mundo preocupa o Brasil

Alana Gandra

Repórter da Agência Brasil

A intervenção dita "Humanitária" da OTAN na Líbia demonstra claramente os interesses neoimperialistas da aliança euroatlântica que não se importa com a morte de civis inocantes, mas sim com o petróleo líbio

Rio de Janeiro – O governo brasileiro está preocupado com o novo conceito estratégico da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que permite a intervenção em qualquer lugar do mundo onde os interesses dos países integrantes tenham sido lesados, com ou sem a autorização prévia da Organização das Nações Unidas (ONU).

“Isso é carta branca”, disse hoje (7) o ministro da Defesa, Nelson Jobim, ao participar de conferência internacional promovida pelo Centro Brasileiro de Relações Internacionais (Cebri), no Rio de Janeiro. Ele não crê que isso possa afetar os interesses brasileiros, mas deu um recado: “O Brasil tem um compromisso muito sério na América do Sul com a preservação da soberania da Argentina sobre as [Ilhas] Malvinas”.

Petroimperialismo - OTAN bombardeia a Líbia de Kadafi em busca de petróleo, alegando razões humanitárias de proteger o povo líbio (!!!) - charge: Rice

No contexto da segurança internacional, o ministro defendeu os objetivos do país de garantir a soberania nacional e a integridade do território; a construção de uma identidade sul- americana de segurança e defesa baseada na cooperação; e a ampliação da capacidade de respaldo da política externa por parte da estratégia de defesa. Para isso, terá grande importância, segundo ele, o aparelhamento das Forças Armadas. “A defesa é um projeto de desenvolvimento, porque fundamenta um bem público intangível, que é a segurança.”

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Nova descoberta de petróleo no bloco 15 em Angola

12 de julho de 2010

Agência Petrobrásde Notícias

12/7/2010

Nova descoberta de petróleo em Angola


A Petrobras anuncia nova descoberta de petróleo no Bloco 15/06, no litoral de Angola. A descoberta ocorreu através da perfuração do poço Cabaça Sudeste-1, localizado a uma profundidade de 470 metros e a 100 km da costa.

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Os desdobramentos internacionais do desenvolvimento e da demanda por petróleo na China, por Diego Pautasso

28 de agosto de 2009

Meridiano 47

28/08/2009

Os desdobramentos internacionais do desenvolvimento e da demanda por petróleo na China, por Diego Pautasso

Diego Pautasso

http://meridiano47.info/
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Se os recursos energéticos fósseis tem sido centrais à economia moderna; o petróleo tem tido uma estreita ligação com a geopolítica (SÉBILLE-LOPEZ, 2006). Mais do que isto, é possível encontrar uma conexão entre a busca de segurança energética e o envolvimento militar dos EUA (FUSER, 2008) e das grandes potências desde a Segunda Guerra Mundial. Trata-se de um recurso estratégico, uma vez que é fundamental ao desenvolvimento de um país e, ao mesmo tempo, de suprimento incerto. Nesse sentido, o presente artigo de conjuntura visa a discutir os desdobramentos para o sistema internacional da ampliação da demanda externa de petróleo pela economia chinesa.

O acelerado desenvolvimento da China após a política de Reforma e Abertura de Deng Xiaoping (1978) tem impulsionado a urbanização e o crescimento da renda per capita, bem como a promoção do mercado interno e a realização de grandes obras de infraestrutura. Com efeito, a economia chinesa está aprofundando a demanda internacional por commodities agrícolas, minerais e energéticas. No caso do suprimento energético, a crescente importação de petróleo torna-se uma questão crucial, uma vez que envolve a sustentação do crescimento da economia e a estabilidade política do país oriental.

Para ilustrar, o consumo de energia na China passou de 361 em 1976 para 1.697 milhões de toneladas equivalentes de petróleo (mtoe) em 2006, ou seja, crescendo 470%, enquanto o consumo de petróleo, no mesmo período, passou de 1.546 para 7.445 milhões de barris diários (mb/d), crescendo 478%. Não houve, portanto, um aumento significativo da participação do petróleo na matriz energética chinesa, mas um aumento do consumo total de energia, preservando a expressiva participação dos recursos energéticos fósseis em mais de 90%. Ou seja, carvão representa 69% da matriz energética, petróleo 21%, hidroelétrica 6%, gás natural 3% e nuclear apenas 1%, segundo a BP Statistical Review of World Energy 2007.

Em função das características da matriz energética chinesa, o governo, a partir do relatório China’s Energy Conditions and Policies, tem sugerido as seguintes linhas de atuação: 1) estímulo às fontes alternativas, 2) aumento da eficiência energética, 3) diversificação das fontes energéticas e 4) ampliação dos fornecedores em escala global. Ainda assim, o forte ritmo de crescimento econômico da China tornou o país importador de petróleo em 1993. Em 2006, o país já era o 3º maior importador mesmo sendo 4º o maior produtor mundial, ou seja, a China produziu 3.687 e importou 3.761 (mb/d), alcançando uma dependência externa de mais de 50% da demanda doméstica. Cabe sembrar que o maior importador foi os EUA com 13.718 (mb/d), seguido do Japão que importou 5.164. Já os maiores produtores foram a Arábia Saudita com 10.859, Rússia com 9.769 e EUA com 6.871. Embora a China seja um grande consumidor e importador líquido de petróleo, o uso per capita ainda é muito baixo, de pouco mais de 5 barris por dia – enquanto os EUA consomem cerca de 71 barris por dia. Isto quer dizer que a tendência de crescimento ainda é muito grande, mesmo com fontes alternativas e aumento da eficiência energética, o que sugere repercussões ainda mais expressivas para o sistema internacional.

Tanto o crescimento da economia quanto o das importações de petróleo estão associados ao menor dinamismo da produção e à diminuição das reservas chinesas. Entre 1986 e 2006, a produção da China de petróleo progrediu cerca de 40%, passando de 2.621 mb/d para 3.684 mb/d, enquanto o consumo cresceu 387%, passando de 1.921 mb/d para 7.445 mb/d, no mesmo período. Já as reservas de petróleo provadas regrediram cerca de 5%, de 17,1 bilhões de barris para 16,3 b/b. Embora as pesquisas e os investimentos na exploração sejam grandes, não acompanham a velocidade do consumo, conforme o BP Statistical Review of World Energy 2007.

Cabe destacar a crescente importância da China na importação de petróleo comparando-a com a maior economia do mundo, os EUA. Em 1991, de um total de 8,2 milhões de toe (toneladas equivalentes de petróleo) consumidos em escala global, a China era responsável por 9% do consumo de petróleo mundial e os EUA, 23%. Já em 2006, de um total de 10,9 milhões de toe, a participação da China foi para 16% e a dos EUA foi para 21%. Em suma, a China foi responsável por 78% do crescimento do consumo mundial de petróleo em 2006, a Índia por 16% enquanto os EUA (e a OCDE em conjunto) tiveram declínio de 7%, como revela o Relatório BP Statistical Review of World Energy (2007, p. 10 e 28).

A análise da evolução da demanda da China por petróleo tem importantes desdobramentos internacionais. De um lado, o desenvolvimento e a ascensão da China dependem do suprimento energético, especialmente o petróleo. De outro, a segurança energética chinesa impacta os negócios e a política internacional, justamente no contexto em que o sistema internacional passa por profundo reordenamento.

O primeiro desdobramento importante, é que a segurança energética chinesa é fundamental ao desenvolvimento e à estabilidade do país, de modo que o 11 º Plano Quinquenal da China (2006) reafirmou a necessidade de desenvolver a cooperação internacional em petróleo-gás, utilizando-se do mercado internacional e proporcionando a segurança do abastecimento do país. Cada vez mais o crescimento da China relaciona-se com a estabilidade da Ásia Oriental e do próprio sistema internacional, uma vez que o país “puxa” a economia mundial – ironicamente financiando a maior potência mundial através da compra de cerca de 800 bilhões de dólares em títulos do Tesouro dos EUA.

Segundo, a necessidade do governo chinês de diversificar a matriz energética (JABBOUR, 2006, cap. 3) no contexto em que a economia mundial transita para a Revolução Científico-Tecnológica sem equacionar uma alternativa aos recursos fósseis. Embora a situação seja mais delicada na China, trata-se de um problema a um só tempo nacional e global, uma vez que as problemáticas ambiental e energética apresentam-se vinculadas. Além disso, a China precisa aprimorar a eficiência energética da economia, equiparando-se aos países desenvolvidos em termos tecnológicos, mas sem reproduzir o modelo de desenvolvimento e os padrões de consumo dos países ocidentais. Daí a necessidade das “três coordenações” a que se refere o 11° Plano Qüinqüenal: coordenação de velocidade, qualidade e rentabilidade; coordenação de consumo, investimento e exportação; e coordenação da população, recursos e ambiente.

Terceiro, a presença crescente das corporações petrolíferas chinesas no mercado internacional (GUIZOT, 2007, cap. 9). As empresas chinesas sofreram reestruturações para competir no mercado internacional e com isso internalizar padrões avançados de produção e gestão dos negócios. São atualmente três grandes corporações multinacionais sobre controle estatal atuando no ramo dos hidrocarbonetos: a CNPC (China National Petroleum Corporation, cuja subsidiária é a PetroChina), a CNOOC (China National Offshore Oil Cororation) e a Sinopec (China Petrochemical Corporation). Além da produção doméstica (85% em território), há as aquisições de empresas e de campos em outros países, como no Equador (EnCana), no Cazaquistão (PetroKazakhstan), no Canadá (PetroCanada), bem como a construção de oleodutos, grandes petroleiros, modernização das refinarias, etc., como destaca o relatório da Energy Information Administration.

Quarto, a crescente demanda externa por petróleo tem forçado a política externa da China a se universalizar, diversificando o suprimento energético. Ou seja, como atesta o caso de Angola (PAUTASSO, 2009), as importações chinesas de petróleo têm como contrapartida ao país africano a realização de grandes aportes financeiros em infraestrutura; a não-imposição de padrões institucionais e de desenvolvimento; e a aceitação, pelo governo chinês, de déficits comerciais. Assim, a China amplia a sua participação no comércio e nos investimentos internacionais, ampliando a inserção internacional sobre a periferia.

Por fim, intensifica-se a competição internacional pelos hidrocarbonetos, com impactos mais diretos sobre os EUA, maior importador e consumidor mundial, como atestam os casos das reservas do Golfo da Guiné, do Mar Cáspio, entre outros. Trata-se de uma conjuntura delicada para os EUA, pois aos problemas domésticos, como déficits gêmeos, erosão do dólar e problemas militares, somam-se à crescente demanda externa por petróleo. Os EUA se deparam com um cenário pouco animador: o declínio das reservas de 39 bilhões de barris de petróleo (1970) para 20,9 bilhões (2006); da produção, que em uma década (1996-2006) caiu de 8.295 para 6.871 milhões de barris por dia (mb/d); e o aumento expressivo do consumo na mesma década (1996-2006) de 18.309 para 20.589 mb/d. O resultado é um déficit de 13.718 mb/d, ou seja, numa importação de mais 66% do total consumido no país.

A argumento central é, portanto, que a política externa e a economia da China têm fornecido uma resposta ativa à dependência de petróleo, com repercussões em várias arenas da economia política internacional. A questão energética ganha sentido maior pois é parte tanto da projeção da China ao núcleo do sistema internacional quanto da resistência dos EUA ao declínio relativo, expressando a tensão entre competição e cooperação nas relações sino-americanas. Quer dizer, o petróleo e a China estão no centro de questões fundamentais ao reordenamento mundial: as fragilidades dos EUA neste setor (importam 66% e consomem mais de 1/5 da produção mundial), a instabilidade das zonas produtoras (Iraque, Irã, Nigéria, etc.) e os novos competidores (China e Índia) que representaram 84% do crescimento do consumo petrolífero em 2006.

Mais do que isto, as equações energética, econômica e ambiental da China, cujo petróleo é uma das maiores expressões, cada vez mais se tornam uma questão global. Em outras palavras, o desenvolvimento pressiona os recursos energéticos, mas ao mesmo tempo é pré-condição para o progresso técnico, para o aumento da eficiência e para geração de alternativas energéticas em um país carente de recursos naturais e com grande população. Em suma, a China precisa equilibrar desenvolvimento e elevação do padrão de consumo sem reproduzir o modelo ocidental.

Referências bibliográficas

* BP Statistical Review of World Energy 2007
* FUSER, Igor. Petróleo e poder. São Paulo: UNESP, 2008.
* GUIZOT, Armelle. Chinese energy market. New York: PalgraveMacmillan, 2007.
* JABBOUR, Elias. China – infra-estrutura e crescimento econômico. São Paulo: Anita Garibaldi, 2006.
* MORGENTHAU, Hans. A política entre as nações. Brasília-São Paulo: UnB-IPRI, 2003.
* PAUTASSO, Diego. As relações econômicas internacionais entre China e Angola. In: Meridiano 47 – Boletim de Análise de Conjuntura em Relações Internacionais. Brasília-IBRI, 08/04/2009.
* SÉBILLE-LOPEZ, Philippe. Geopolíticas do Petróleo. Lisboa: Instituto Piaget, 2006.

Diego Pautasso é Mestre e Doutorando em Ciência Política pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul – UFRGS e professor de Relações Internacionais da Escola Superior de Propaganda eMarketing – ESPM (dpautasso@espm.br).

http://meridiano47.info/2009/08/28/os-desdobramentos-internacionais-do-desenvolvimento-e-da-demanda-por-petroleo-na-china-por-diego-pautasso/


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