Um ”Vale do Silício” para o pré-sal

7 de março de 2010

O Estado de S.Paulo

Domingo, 07 de Março de 2010

Um ”Vale do Silício” para o pré-sal

Petrobrás e UFRJ trabalham para transformar a Ilha do Fundão, no Rio, no ”Vale do Silício” das pesquisas de petróleo

Nicola Pamplona

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100307/not_imp520634,0.php

Inspirados no modelo que deu origem ao Vale do Silício, na Califórnia, Petrobrás e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) trabalham para transformar a Ilha do Fundão no maior centro global de pesquisa tecnológica do setor de petróleo. O esforço já conseguiu a proeza de colocar lado a lado os três maiores prestadores de serviço de perfuração de poços do mundo. Ao todo, o projeto do Parque Tecnológico do Rio já atraiu 200 empresas dos mais variados portes e espera fazer do local um polo exportador de conhecimento.

“Isso aqui será um local único no mundo”, orgulha-se o diretor do Parque Tecnológico, Maurício Guedes, enquanto mostra as modernas instalações do centro de pesquisa em imagens em 3D e do Laboratório Oceânico, usado para simular as condições marítimas, ambos em operação. Sede do câmpus principal da UFRJ, a Ilha do Fundão já conta com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes). Além da Coppe, instituto de engenharia que é um dos maiores parceiros da estatal.

Com 350 mil metros quadrados, a área do parque é hoje um imenso canteiro de obras, com a construção de centros de pesquisa de variadas especialidades. A maior parte, porém, tem relação com o setor de petróleo, diante da necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias para a exploração do pré-sal. Ao lado do Laboratório Oceânico, por exemplo, há um canteiro onde serão erguidos os laboratórios da gigante francesa Schlumberger, uma das três maiores prestadoras de serviço de perfuração de poços.

Sua concorrente Baker Hughes, com sede nos Estados Unidos, vai erguer seu centro na quadra vizinha. As duas empresas dividem com a Halliburton o mercado e foram convidadas pela Petrobrás para desenvolver ferramentas e materiais compatíveis com o tipo de rocha encontrada abaixo do sal.

“Não há, no mundo, tecnologia para essa rocha. Então resolvemos que a pesquisa deverá ser feita no Brasil, para nacionalizar também o desenvolvimento científico”, diz o diretor de exploração e produção da Petrobrás, Guilherme Estrella.

A Baker Hughes, por exemplo, vai investir cerca de US$ 50 milhões na construção de seus laboratórios, que devem empregar entre 100 e 110 pessoas, a maioria pesquisadores com alto grau de especialização. A empresa já iniciou a contratação de geólogos, geofísicos e engenheiros, entre outros, que passarão por treinamento em centros de pesquisa da empresa no exterior antes do início das atividades no País, previsto para o início do ano que vem.

A necessidade de reduzir prazos e custos de perfuração e a crescente importância do Brasil, em geral, e da Petrobrás, como cliente, motivaram o investimento, diz o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Baker Hughes no Brasil, Maurício Figueiredo. A proximidade com o centro de pesquisas da Petrobrás, reconhecido internacionalmente, é outro fator que atrai as companhias à Ilha do Fundão.

“Estar ali, a 500 metros do Cenpes, facilita a troca de informações”, comenta o diretor de Pesquisa e Inovação da Usiminas, Darcton Policarpo Damião. Em fevereiro, a companhia assinou convênio com a Coppe para desenvolver aços especiais para o pré-sal com o auxílio do Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem do instituto, um dos mais modernos do mundo. Os trabalhos serão desenvolvidos em um centro de pesquisas que a siderúrgica construirá no Parque Tecnológico.

A fabricante de equipamentos submarinos FMC é outra que já se comprometeu com a abertura de um laboratório no local, que terá ainda laboratórios de desenvolvimento de tecnologias de recuperação de ecossistemas e de automação industrial, entre outros. Segundo Guedes, toda a área do Parque do Rio já está negociada e há planos de ampliação do espaço para receber novas empresas. A expectativa da direção é que, em três a quatro anos, cinco mil pesquisadores trabalhem no local.

Muitos virão de fora do País, admite Figueiredo, da Baker Hughes. Para Guedes, porém, a interação com especialistas de locais diferentes é positiva, por permitir a troca de experiências. “A comunidade científica já trabalha de forma global”, aponta. No caso do Parque Tecnológico do Rio, diz, a grande vantagem é trazer as empresas para o convívio com a comunidade. “O problema é que ainda não conseguimos transformar o desenvolvimento científico em riqueza. Acho que agora conseguiremos.”

O parque já é sede de um exemplo de como a inovação pode ser transformada em negócio. Resultado de pesquisas no Laboratório de Métodos Computacionais de Engenharia da Coppe, a Virtually comercializa um simulador de operação de caminhões e guindastes de grande porte, como os usados em portos e plataformas petrolíferas. O equipamento, que custa entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão, já está no mercado, inclusive internacional, com duas unidades operando na Itália.

A tecnologia recebeu Atestado de Exclusividade de Produção Nacional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O software pode ser trabalhado para simular a operação em portos brasileiros. “É um exemplo de como a pesquisa pode se transformar em produto e depois retornar em benefício para a universidade”, diz Gerson Gomes Cunha, um dos sócios da Virtually. Parte da receita é devolvida ao laboratório, a título de royalties, para ser aplicada em novas pesquisas.

O projeto inicial do parque não tinha foco no petróleo, conta Guedes, mas a demanda por novas tecnologias para o setor alterou a ideia original. Ele destaca que a legislação brasileira, que destina 1% da receita com a produção de óleo e gás para pesquisa, deu impulso extra ao projeto. Só no ano passado, a rubrica rendeu mais de R$ 600 milhões em convênios com universidades no Brasil.

Para as grandes empresas, porém, ainda há questões a serem equacionadas antes que o parque deslanche, notadamente na área de infraestrutura. A Ilha do Fundão é um local de difícil acesso e com problemas de segurança, o que pode afugentar pesquisadores, ressalta o vice-presidente da Baker Hughes. “É preciso de apoio do poder público, com saneamento, iluminação e policiamento”, conclui.

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“ESSA IV FROTA É AMIGA?”

21 de agosto de 2008

AEPET
21/08/2008

“ESSA IV FROTA É AMIGA?”

General Durval Antunes de Andrade Nery

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Para a maioria dos militares brasileiros, não há como desassociar a recriação da IV Frota dos Estados Unidos da descoberta de imensa jazida de petróleo no nosso litoral. Entre esses militares, está o general de brigada da reserva Durval Antunes de Andrade Nery, coordenador de estudos e pesquisas do Cebres (Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos), que reúne entre seus pesquisadores diplomados pela Escola Superior de Guerra. Abaixo os principais trechos da conversa dele com O DIA.

IV Quarta Frota

`A decisão dos Estados Unidos de recriar a IV Frota foi apresentada como destinada a proteger o livre fluxo do comércio nos mares da região. Ora, se alguém tem condições de proteger, tem condições de impedir esse fluxo comercial. Pergunto: Por que proteger o comércio de uma área que não vive situação de guerra? E isso quando o Brasil dá notícia da extensão das jazidas do pré-sal como uma das maiores de todo o mundo`.

Grupo Halliburton dos EUA

`Esta empresa está envolvida com o apoio logístico em todo o mundo no que diz respeito ao petróleo, principalmente no Iraque. A Halliburton é uma empresa que hoje, no Brasil, mantém um de seus (ex-) diretores como diretor da ANP (Nelson Narciso Filho, indicado pelo presidente Lula e aprovado em sabatina no Senado). Esse homem tem acesso a dados secretos das jazidas de petróleo no Brasil`.

Bush e o pré-sal

`Logo depois que o mundo tomou conhecimento da existência das reservas do pré-sal, o presidente (George W.) Bush disse na imprensa: `Não reconheço a soberania brasileira sobre as 200 milhas`. O pré-sal ultrapassa as 200 milhas. Tudo que existe ali para exploração econômica é do País, isso segundo a ONU. Por que o presidente norte-americano recria a IV Frota logo após não reconhecer nossa soberania?`

O comando da IV Frota

`Poderíamos imaginar que a IV Frota vai ter missão humanitária, mesmo custando uma fortuna manter porta-aviões nucleares com 50, 60 e 100 aviões navegando permanentemente nos mares do sul. Mas, por que nomear para o comando o contra-almirante Joseph Kernan, especializado em táticas de guerra submersa e no treinamento de homens-rãs? Um homem que com seus sabotadores deu um banho nas guerras do Afeganistão e do Iraque está à frente da IV Frota para proteger?`

Blackwater no Brasil

`(Após a eleição de Bush), a Hallibourton, contratada pelo governo dos EUA para planejar a redução das despesas do país com as Forças Armadas, criou uma empresa chamada Blackwater — firma de mercenários, com contrato de seis bilhões de dólares e que, só no Iraque, tem 128 mil homens. Eles fazem segurança e matam. Pergunto: Quem está fazendo a segurança das 15 plataformas que a família Bush tem no Brasil, todas vendidas (em licitação) pela ANP? Ainda faço um desafio: vamos pegar um barco e tentar subir numa plataforma. Garanto que vamos encontrar os homens da Hallibourton armados até os dentes e que não vão deixar a gente subir`.

Estranho na selva

`Coronel que até o ano passado comandava batalhão na região da (reserva indígena) Yanomami contou que estava fazendo patrulha em um barco inflável com quatro homens em um igarapé quando avistou um sujeito armado com fuzil. Um tenente disse: `Tem mais um cara ali`. Eram cinco homens armados. O tenente advertiu: `Coronel, é uma emboscada. Vamos retrair.` Retraíram. Perguntei: `O que você fez?` Ele disse: `General, tive que ir ao distrito, pedir à juíza autorização para ir lá.` Falei: `Meu caro, você, comandante de um batalhão no meio da Amazônia, perto da fronteira, responsável por nossa segurança, só pode entrar na área se a juíza autorizar? Ele respondeu: `É. Foi isso que o governo passado (Fernando Henrique) deixou para nós. Não podemos fazer nada em área indígena sem autorização da Justiça`.

15 homens e 10 lanchas

`O coronel contou que pegou a autorização e voltou. Levou três horas para chegar ao igarapé, onde não tinha mais ninguém. Continuou em direção à fronteira. De repente, encontrou ancoradouro, com um cara loiro, de olhos azuis, fuzil nas costas, o esperando. Olhou para o lado: 10 lanchas e quatro aviões-anfíbio, no meio na selva. `Na sua área?`, perguntei. `É`, respondeu. Ele contou que abordou o homem: `Quem é você?`. Como resposta ouviu: `Sou oficial forças especiais dos Estados Unidos da América do Norte`. O coronel insistiu: `Que faz aqui`. E o cara disse que fazia segurança para uma pousada. Ele perguntou qual pousada? Ouviu: `Pertencente a um cidadão americano`. Quinze homens estavam lá, armados. Hallibourton? Blackwater?`

Crise do Petróleo

`Temos (no pré-sal), talvez, a maior jazida de petróleo do mundo. Será que países desenvolvidos vão se aquietar sabendo que o futuro deles depende do petróleo? Os Estados Unidos tem petróleo só para os próximos cinco anos. Tanto é que o país não consome o dele, porque suas reservas são baixas. Passa a pegar o que existe no mundo. Foi assim no Irã, em 1953, quando derrubaram o (primeiro-ministro Mohamed) Mossadegh. Os aiatolás pegaram de volta e agora querem outra vez atacar o Irã. No Afeganistão, deu no que deu. No Iraque, tomaram o petróleo de lá. Agora vem o petróleo do Mar Cáspio e a Georgia (em guerra com a Rússia por território onde passam gasodutos). E no Brasil, como será? Essa (IV) Frota é só amiga? Está aqui só para proteger?`.

General Durval Antunes de Andrade Nery

Coordenador do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos, general vê com preocupação a reativação da esquadra dos EUA encarregada de proteger o comércio nos mares do sul e critica a presença de `mercenários` em plataformas do nosso litoral

Publicado originalmente: O Dia em 16/08/2008

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JB: A Halliburton e o nosso petróleo

31 de julho de 2008

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/07/31/pais20080731000.html
JORNAL DO BRASIL
31 de julho de 2008

A Halliburton e o nosso petróleo

Mauro Santayana


É muito grave a denúncia da Associação dos Engenheiros da Petrobras: quem detém todas as informações técnicas do potencial brasileiro dos combustíveis fósseis é a Halliburton – a empresa de Dick Cheney – envolvida em negócios escusos nos Estados Unidos e em sua aventura bélica no Iraque, por intermédio da Landmark Digital and Solutions. Ela administra o banco de dados da Petrobras, sem licitação, não obstante a Procuradoria-Geral da República ter exigido o processo, ainda em 2004. A empresa plantou um seu funcionário, o senhor Nelson Narciso, que a representava em Angola, como diretor da Agência Nacional do Petróleo. Entre outras de suas funções, o senhor Narciso é quem define os blocos a serem licitados, que deve ser decisão estratégica de interesse nacional. Entendamos bem: a multinacional administra as informações e, mediante seu preposto na ANP, define as áreas a serem exploradas. A lei 9.478, de 1997, determina que a Petrobras e as outras empresas encaminhem suas informações técnicas à Agência Nacional de Petróleo, responsável pelo banco de dados das reservas e operações extrativas do petróleo. A ANP, sem licitação, contratou a subsidiária da Halliburton para fazê-lo. A Halliburton é a mais conhecida das empresas corruptoras do mundo, e mantém 130 empresas subsidiárias fora dos Estados Unidos, o que lhe permite fraudes costumeiras. Corrompe nos Estados Unidos, em seus contratos com o governo, e no estrangeiro. Em maio de 2003, ela foi multada em U$ 2,4 milhões, pela Security Exchange Comission, por subornar funcionário da Nigéria.

A entrega dos segredos geológicos nacionais a uma empresa estrangeira – e com a ficha da Halliburton – se tornou possível com a política nacional do petróleo do governo social-democrata que escancarou o Brasil entre 1995 e 2003. O governo Vargas – com todos os seus imensos erros – teve o mérito de criar um projeto nacional de desenvolvimento fundado em nossos recursos naturais. Depois de mais de quatro séculos de exploração colonial e neocolonial, chegara o tempo de – com o trabalho e a inteligência dos brasileiros – explorar os recursos do solo e subsolo, a fim de libertar a população da ignorância, das doenças e da miséria. Mas o governo passado decidiu sepultar a era Vargas, e entregar tudo aos estrangeiros.

O governo passado, com a cumplicidade do Congresso, autorizou a venda de 40% das ações da Petrobras a investidores estrangeiros. Isso, na época, representava US$ 2 bilhões. Com o aumento dos preços do petróleo e a descoberta das grandes reservas, essa participação se elevou a 120 bilhões, segundo os cálculos do engenheiro Fernando Siqueira. As remessas de lucros referentes ao petróleo são de 6 bilhões de dólares ao ano – o que contribui para o déficit externo. Além disso, em quase todos os países produtores de petróleo, as empresas estrangeiras concessionárias pagam mais de 80% de seus lucros ao Estado. No Brasil, por generosidade do governo anterior, essa participação, variável, é, no máximo de 40%.

Estuda-se agora o novo marco regulatório sobre a exploração do petróleo do pré-sal, que – mesmo com todas as violações constitucionais – continua propriedade da União. Trata-se de recursos que poderão resolver os mais graves problemas nacionais, como os da saúde e da educação. Só no Rio de Janeiro, há mais 20 mil pessoas na fila aguardando medicamentos fornecidos pelo governo. Dados do alistamento eleitoral, por outro lado, revelam que menos de 3,5% do universo dos aptos a votar em outubro concluíram o curso universitário. Se os lucros do petróleo fossem utilizados no benefício de todo o povo, não teríamos mais números assim para nos envergonhar.

Mas mesmo nos meios ministeriais, encarregados de propor ao governo a nova política para a exploração das novas reservas, há os que deixam de lado o interesse nacional. O caminho mais lógico será o de reter, para o desenvolvimento social (educação, saneamento básico, saúde pública) pelo menos o que retêm outros países produtores: 80% dos resultados da exploração. O melhor será a criação de nova empresa, de capital totalmente nacional e inalienável, para explorar diretamente as novas reservas. A era Vargas acabou? Voltemos a ela.

Mauro Santayana

Jornal do Brasil – Coisas da Política – 31/07/2008

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/07/31/pais20080731000.html

Cronologia do vazamento de dados da Petrobrás e o papel da ANP

3 de março de 2008

http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=227&Itemid=46
12/03/2008

Cronologia do vazamento de dados da Petrobrás e o papel da ANP

Por Fernando Siqueira

Diretor de Comunicações da AEPET

Em face dos últimos acontecimentos, selecionamos dez eventos preocupantes e que atestam a incompetência da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

Por Fernando Siqueira (diretor de Comunicações da AEPET)

1) Em 1997 foi aprovada a Lei 9478/97, que regulamentou a alteração no artigo 177 da Constituição Federal. Essa lei criou a ANP e estabeleceu novas regras para o setor petrolífero brasileiro. O primeiro diretor-presidente da agência reguladora foi David Zilberstajn, genro do presidente FHC e que se notabilizou por privatizar as estatais do Estado de São Paulo por preços sub-avaliados.

2) Como estava estabelecido que a Petrobrás ficaria com as áreas onde ele tivesse investido (e ela houvesse investido em todas as 29 áreas com possibilidade de existência de petróleo), a ANP resolveu que ela ficaria com 10% do total das áreas promissoras. A Petrobrás destacou a nata dos seus técnicos, que ficaram mais de seis meses analisando e selecionando as melhores possibilidades.

3) Em1998, após o esforço dos seus técnicos e escolha dos 10% das áreas, a Petrobrás recebeu da ANP uma ordem para devolver 30% dessas áreas escolhidas. Ou seja, dos 10% iniciais, a Petrobrás só pode ficar com 7%. As devoluções já estavam avaliadas. Isto ocorreu em plena Copa do Mundo de Futebol, realizada na França.

4) Recebidas as áreas, a ANP partiu célere para a venda maciça: dividiu-as em blocos com áreas 220 vezes maiores do que as áreas do blocos leiloados nos EUA.

5) No final da década de 1990, o então superintendente da Petrobrás, Milton Franke, se aposentou e foi dar consultoria à Shell. Suspeito de estar levando informações para aquela empresa, Franke foi proibido de entrar na Petrobrás. Logo depois, ele foi nomeado superintendente de licitações da ANP. Foi responsável pela elaboração de alguns leilões. Franke, na ANP, elaborou curvas de produção e consumo de Petróleo que nada tinham a ver com a realidade. A AEPET teve acesso a estas curvas numa reunião com o secretário do Ministério de Minas e Energia (MME), Mauricio Tolmasquim. Alertamos o secretário sobre a qualidade das curvas, feitas para induzir o MME a continuar com os leilões.

6) Em 1999 a ANP autorizou a Schlumberger e outras empresas estrangeiras a fazerem levantamentos sísmicos nas áreas das bacias de Santos, Espírito Santo e Campos. Essas empresas, sem autorização das Concessionárias das referidas áreas, se apossaram desses dados e osvendem até hoje.

7) Em 1998, o então superintendente da Petrobrás, Sergio Possato, se aposentou e foi para a ANP organizar o banco de dados, em face do artigo 22 da Lei 9478/97 e obrigar as concessionárias a repassar todos os dados, mesmo os mais estratégicos para a ANP. Depois de 2 anos na função, Possato saiu da ANP e montou a empresa Stratageo Soluções Tecnológicas Ltda, para a venda e assessoria de dados do setor Petróleo. A empresa tem um portal na internet – www.stratageo.com.br

8 ) No 8º Leilão, o “ex-diretor” da Halliburton em Angola, Nelson Narciso havia sido nomeado para a diretoria da ANP, que realiza os leilões. Por orientação sua, foram introduzidas sérias limitações à participação da Petrobrás nos leilões. Um exemplo: na Bacia de Santos, a Petrobrás só poderia comprar 8,5% das áreas oferecidas. O diretor disse na imprensa que “iria acabar com o monopólio de fato”.

9) No 9º Leilão, a ANP colocou em sua página dados confidencias do Campo de Tupi sendo que havia 41 blocos envolvendo esse campo e que foram providencialmente retirados do Leilão pelo Governo Federal em face da descoberta de Tupi, que confirma estudos de 30 anos e gastos de US$ 2 bilhões da Petrobrás. Essa descoberta dá uma forte indicação de que a nova província do pré-sal, que envolve Tupi, pode conter uma reserva de 90 bilhões de barris. Isto somado aos 14 bilhões de barris comprovados eleva as reservas Brasileiras para acima de 100 bilhões, ou seja, a 4ª reserva do planeta, sendo que as três primeiras se localizam no conturbado Oriente médio.

10) Em 2007, a imprensa noticiou que o atual diretor-geral da ANP promoveu um jantar onde empresas petrolíferas eram “convidadas” a contribuir com uma boa quantia para o PC do B, o partido do referido diretor. Esses são alguns dos fatos que nos levam à conclusão de que a ANP não tem a devida qualificação para exercer a condução da estratégia, energética do País e também não tem o devido zelo com dados de tamanha importância estratégica como são os do setor petróleo.

Fonte: “AEPET Notícias” nº 345 – março de 2008.

http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=227&Itemid=46

O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho

29 de fevereiro de 2008

http://www.apn.org.br/apn/index.php?Itemid=46&id=202&option=com_content&task=view
29/02/2008

O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho

No caso do roubo dos laptops da Petrobrás, PF conclui: afinal, era apenas a vovozinha, disfarçada de lobo. Será?

Em política, quando se afirma com muita insistência uma determinada “verdade”, é preciso desconfiar. A pressa em descartar a hipótese de espionagem industrial, no episódio do roubo dos laptops que continham dados confidenciais da Petrobrás sobre o campo gigante de Júpiter é extremamente preocupante.

É possível descartar com tanta facilidade essa hipótese, quando técnicos da Petrobrás, a exemplo do exploracionista João Victor Campos, estimam que o potencial das reservas de petróleo na região do pré-sal sejam de 80 bilhões, podendo chegar a 100 bilhões de barris (considerando uma extensão de 800 quilômetros do litoral brasileiro, que vai de Alagoas e Sergipe ao Paraná)?

Os argumentos que permitem desconfiar da versão oficial do roubo dos laptops, atribuído pela Polícia Federal a “ladrões de galinha”, são infindáveis. Um deles é que os quatro vigilantes da Bric Log, presos pela Polícia Federal com parte dos equipamentos, possam ter sido utilizados por terceiros. Fazer e repassar uma cópia dos dados contidos nos discos rígidos não é impossível, embora os vigilantes afirmem ter “destruído” parte da carga roubada.

Os equipamentos estavam sob a guarda da multinacional americana Halliburton. E quem é a Halliburton? O grupo norte-americano atua principalmente na área de infra-estrutura voltada para o setor de petróleo, mas também em outras áreas, como logística para operações militares. Desde a invasão norte-americana no Iraque, a empresa tem sido notícia nos principais jornais do mundo, envolvida em acusações de superfaturamento de obras, favorecimento em contratos e licitações, chegando a ser condenada a devolver 36 milhões de dólares ao governo americano.

De acordo com matéria da Folha de São Paulo, de 12 de fevereiro, “Mesmo com a investigação, em 2005 o Pentágono concedeu um contrato de logística de cerca de US$ 5 bilhões à Halliburton no Iraque. O contrato entre o Exército dos Estados Unidos e a Kellogg Brown and Root (KBR, à época uma subsidiária da Halliburton), foi assinado em maio daquele ano. As empresas se separaram no ano passado”. A Halliburton já foi comandada pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, comparado por Hillary Clinton ao vilão da série Guerra das Estrelas, Darth Vader. Existe, inclusive u m site que documenta os casos de corrupção envolvendo a empresa, o www.haliburtonwatch.org

Pois estas são as credenciais da inofensiva empresa que guardava os dados confidenciais da Petrobrás. Apesar disso, jornais e revistas, como a Veja, rapidamente decidiram mudar o tom e adotar a versão do “muito barulho por nada”, inclusive tentando ridicularizar a primeira reação do presidente da República e de autoridades ministeriais, que levantaram a hipótese da espionagem industrial. “Ora, que ridículo!” – apressam-se a dizer ao leitor, nas entrelinhas, publicações como a Veja. De fato, apenas num aspecto é preciso fazer eco com a grande mídia: ficou evidente a falta de preparo da Petrobrás na área de segurança de dados.

Insistimos em perguntar, aos que preferem acreditar nas versões oficiais: Por que uma empresa do porte da Petrobraás, com pesquisas em área de alta tecnologia, não seria objeto de espionagem industrial? Um petroleiro comparou o caso à história da Chapeuzinho Vermelho. Mas a versão oficial dos fatos está fazendo uma pequena adaptação da história. Acaba de contar que o lobo – a Halliburton? A Cia? Quem seria? – era apenas a vovozinha disfarçada de orelhas enormes, para ouvir melhor; de olhos enormes, para enxergar melhor; e uma enorme boca, mas só para enganar a Chapeuzinho Vermelho. Que seria, talvez, a Petrobrás? A população e o estado brasileiros? Cada um que reflita, e se não for tão inocente assim, que tire as suas próprias conclusões.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

http://www.apn.org.br/apn/index.php?Itemid=46&id=202&option=com_content&task=view

Estadão: Petrobras sofre terceiro furto de peças de computadores

23 de fevereiro de 2008

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,petrobras-sofre-terceiro-furto-de-pecas-de-computadores,129333,0.htm
sábado, 23 de fevereiro de 2008

Petrobras sofre terceiro furto de peças de computadores

Para polícia, novo furto dá sinais que sumiço de equipamentos não seria fruto de espionagem industrial

Marcelo Auler

de O Estado de S. Paulo

RIO – Um novo furto de peças – o terceiro – de computadores que foram usados em trabalhos nas plataformas petrolíferas da Petrobras reforça a tese dos investigadores da Polícia Federal de que o desaparecimento destes equipamentos não seria fruto de espionagem industrial. A nova ocorrência foi descoberta na sexta-feira, 22, no pátio da empresa Halliburton, em Macaé, na região norte fluminense, na chegada de uma caixa transportando um computador que estava na sonda petrolífera de perfuração S-45, conhecida como Atlantic Star, na Bacia de Campos. A caixa estava sem o lacre e sem o drive de DVD. A empresa norte-americana comunicou o fato à Polícia Federal. Nos dois primeiros furtos, foram levados peças de computador e de notebooks com informações sobre o Poço de Júpiter, recém-descoberto, na Bacia de Santos.

O fato de terem roubado apenas um drive de DVD, deixando intacto o HD que contém a memória da máquina, é, para a PF, sinal do interesse meramente comercial dos ladrões. Isto corrobora a tese de que não houve busca de informações estratégicas sobre o poço de Júpiter. Um dado importante que vem sendo mantido em sigilo pelos investigadores é que, no computador que teve seu HD roubado, permaneceu intacta uma placa especial, desenvolvida especificamente para a Halliburton ler os seus programas de trabalho nas plataformas petrolíferas. Caso o roubo fosse provocado por espionagem industrial, dificilmente esta placa deixaria de ser levada.

Também chamou a atenção o fato de as peças furtadas não estarem presas na CPU por parafusos. Como eram mantidas dentro do computador por pressão, puderam ser retiradas apenas com as mãos, sem o uso de ferramentas. Da mesma forma, computadores que estavam presos à bancada deixaram de ser levados. Isto, pela experiência dos policiais, demonstra que os ladrões não quiseram perder tempo e recolheram os equipamentos mais fáceis de serem retirados.

A descoberta do novo furto reforça também a tese de que o local dos crimes foi o terminal de cargas da Poliportos, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro. Desta vez, a caixa que estava com o computador cuja peça foi retirada tinha acabado de chegar ao pátio da empresa em Macaé, já sem o lacre. Isto demonstraria que nos casos anteriores, o furto demorou a ser descoberto por negligência dos empregados da Halliburton. Eles receberam o aparelho no dia 25 de janeiro e só foram conferir seu funcionamento no dia 30, ao descobrirem o arrombamento do container SU96071, trazido da sonda S-21, que trabalhava nos estudos do Poço de Júpiter.

A caixa com este computador vindo da Bacia de Campos chegou à Poliportos antes do dia 15 de janeiro e só quinta-feira foi levada para Macaé. O computador que veio da sonda S-21 em outra caixa de transporte e teve peças furtadas, desceu no terminal de cargas do bairro do Caju no dia 15 e saiu no dia 25 para a Halliburton. O container com os notebooks e uma impressora furtados chegou no mesmo pátio dia 23 e dali foi transportado para Macaé seis dias depois.

Para a polícia, a tese mais provável é de que os três furtos de equipamentos de informática ocorreram em uma única ação, entre os dias 23 e 25, no pátio da Poliportos. As investigações – que prosseguiram ontem de manhã – visam descobrir evidências disto para depois tentar identificar os responsáveis.

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,petrobras-sofre-terceiro-furto-de-pecas-de-computadores,129333,0.htm

Contêiner com dados foi arrombado no pátio da Halliburton

21 de fevereiro de 2008

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81865-5855,00-CONTEINER+COM+DADOS+FOI+ARROMBADO+NO+PATIO+DA+HALLIBURTON.html
REVISTA ÉPOCA, Edição nº 509
21/02/2008 – 19:25

Contêiner com dados foi arrombado no pátio da Halliburton

Da Redação

Segundo publicou nesta quinta-feira (21) o jornal Folha de São Paulo, o arrombamento do contêiner em que estariam equipamentos de informática da Petrobras aconteceu no porto do Rio de Janeiro, segundo informou a empresa Halliburton, responsável pelo transporte do material entre a sonda e a petrolífera de perfuração S-21, na bacia de Santos, e o porto de Macaé, a 188 km do Rio de Janeiro.

Em nota nesta quarta-feira (20) a Transmagno divulgou que, ao receber o contêiner no porto do Rio, não havia problema no lacre. Isso indicaria que o arrombamento ocorrera no pátio da empresa Halliburton em Macaé. No depoimento que deu à polícia, o motorista da Transmagno afirmou que a inspeção foi visual, o que significa que o lacre violado pode ter sido ajeitado para que não fosse percebida a violação.

Guilherme da Silva Vieira, técnico de manutenção enviado pela Halliburton à 123ª Delegacia de Polícia no dia 1º, listou as peças que teriam sido retiradas do contâiner. Ele relatou que o furto teria sido praticado no terminal de containeres da Poliportos, na zona portuária do Rio. Até então o crime vinha sendo tratado como furto comum. Vieira afirmou que, ao conferir a carga, o lacre estava violado e o cadeado, trocado.

Há contradições entre datas e o delegado responsável pelo inquérito, Daniel Gomes, vai convocar Vieira para depor.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81865-5855,00-CONTEINER+COM+DADOS+FOI+ARROMBADO+NO+PATIO+DA+HALLIBURTON.html

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