Um ”Vale do Silício” para o pré-sal

7 de março de 2010

O Estado de S.Paulo

Domingo, 07 de Março de 2010

Um ”Vale do Silício” para o pré-sal

Petrobrás e UFRJ trabalham para transformar a Ilha do Fundão, no Rio, no ”Vale do Silício” das pesquisas de petróleo

Nicola Pamplona

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100307/not_imp520634,0.php

Inspirados no modelo que deu origem ao Vale do Silício, na Califórnia, Petrobrás e Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) trabalham para transformar a Ilha do Fundão no maior centro global de pesquisa tecnológica do setor de petróleo. O esforço já conseguiu a proeza de colocar lado a lado os três maiores prestadores de serviço de perfuração de poços do mundo. Ao todo, o projeto do Parque Tecnológico do Rio já atraiu 200 empresas dos mais variados portes e espera fazer do local um polo exportador de conhecimento.

“Isso aqui será um local único no mundo”, orgulha-se o diretor do Parque Tecnológico, Maurício Guedes, enquanto mostra as modernas instalações do centro de pesquisa em imagens em 3D e do Laboratório Oceânico, usado para simular as condições marítimas, ambos em operação. Sede do câmpus principal da UFRJ, a Ilha do Fundão já conta com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Petrobrás (Cenpes). Além da Coppe, instituto de engenharia que é um dos maiores parceiros da estatal.

Com 350 mil metros quadrados, a área do parque é hoje um imenso canteiro de obras, com a construção de centros de pesquisa de variadas especialidades. A maior parte, porém, tem relação com o setor de petróleo, diante da necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias para a exploração do pré-sal. Ao lado do Laboratório Oceânico, por exemplo, há um canteiro onde serão erguidos os laboratórios da gigante francesa Schlumberger, uma das três maiores prestadoras de serviço de perfuração de poços.

Sua concorrente Baker Hughes, com sede nos Estados Unidos, vai erguer seu centro na quadra vizinha. As duas empresas dividem com a Halliburton o mercado e foram convidadas pela Petrobrás para desenvolver ferramentas e materiais compatíveis com o tipo de rocha encontrada abaixo do sal.

“Não há, no mundo, tecnologia para essa rocha. Então resolvemos que a pesquisa deverá ser feita no Brasil, para nacionalizar também o desenvolvimento científico”, diz o diretor de exploração e produção da Petrobrás, Guilherme Estrella.

A Baker Hughes, por exemplo, vai investir cerca de US$ 50 milhões na construção de seus laboratórios, que devem empregar entre 100 e 110 pessoas, a maioria pesquisadores com alto grau de especialização. A empresa já iniciou a contratação de geólogos, geofísicos e engenheiros, entre outros, que passarão por treinamento em centros de pesquisa da empresa no exterior antes do início das atividades no País, previsto para o início do ano que vem.

A necessidade de reduzir prazos e custos de perfuração e a crescente importância do Brasil, em geral, e da Petrobrás, como cliente, motivaram o investimento, diz o vice-presidente de desenvolvimento de negócios da Baker Hughes no Brasil, Maurício Figueiredo. A proximidade com o centro de pesquisas da Petrobrás, reconhecido internacionalmente, é outro fator que atrai as companhias à Ilha do Fundão.

“Estar ali, a 500 metros do Cenpes, facilita a troca de informações”, comenta o diretor de Pesquisa e Inovação da Usiminas, Darcton Policarpo Damião. Em fevereiro, a companhia assinou convênio com a Coppe para desenvolver aços especiais para o pré-sal com o auxílio do Laboratório de Ensaios Não Destrutivos, Corrosão e Soldagem do instituto, um dos mais modernos do mundo. Os trabalhos serão desenvolvidos em um centro de pesquisas que a siderúrgica construirá no Parque Tecnológico.

A fabricante de equipamentos submarinos FMC é outra que já se comprometeu com a abertura de um laboratório no local, que terá ainda laboratórios de desenvolvimento de tecnologias de recuperação de ecossistemas e de automação industrial, entre outros. Segundo Guedes, toda a área do Parque do Rio já está negociada e há planos de ampliação do espaço para receber novas empresas. A expectativa da direção é que, em três a quatro anos, cinco mil pesquisadores trabalhem no local.

Muitos virão de fora do País, admite Figueiredo, da Baker Hughes. Para Guedes, porém, a interação com especialistas de locais diferentes é positiva, por permitir a troca de experiências. “A comunidade científica já trabalha de forma global”, aponta. No caso do Parque Tecnológico do Rio, diz, a grande vantagem é trazer as empresas para o convívio com a comunidade. “O problema é que ainda não conseguimos transformar o desenvolvimento científico em riqueza. Acho que agora conseguiremos.”

O parque já é sede de um exemplo de como a inovação pode ser transformada em negócio. Resultado de pesquisas no Laboratório de Métodos Computacionais de Engenharia da Coppe, a Virtually comercializa um simulador de operação de caminhões e guindastes de grande porte, como os usados em portos e plataformas petrolíferas. O equipamento, que custa entre R$ 800 mil e R$ 1,2 milhão, já está no mercado, inclusive internacional, com duas unidades operando na Itália.

A tecnologia recebeu Atestado de Exclusividade de Produção Nacional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee). O software pode ser trabalhado para simular a operação em portos brasileiros. “É um exemplo de como a pesquisa pode se transformar em produto e depois retornar em benefício para a universidade”, diz Gerson Gomes Cunha, um dos sócios da Virtually. Parte da receita é devolvida ao laboratório, a título de royalties, para ser aplicada em novas pesquisas.

O projeto inicial do parque não tinha foco no petróleo, conta Guedes, mas a demanda por novas tecnologias para o setor alterou a ideia original. Ele destaca que a legislação brasileira, que destina 1% da receita com a produção de óleo e gás para pesquisa, deu impulso extra ao projeto. Só no ano passado, a rubrica rendeu mais de R$ 600 milhões em convênios com universidades no Brasil.

Para as grandes empresas, porém, ainda há questões a serem equacionadas antes que o parque deslanche, notadamente na área de infraestrutura. A Ilha do Fundão é um local de difícil acesso e com problemas de segurança, o que pode afugentar pesquisadores, ressalta o vice-presidente da Baker Hughes. “É preciso de apoio do poder público, com saneamento, iluminação e policiamento”, conclui.

http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100307/not_imp520634,0.php

Helicópteros de grande porte começam a operar no pré-sal

4 de março de 2010

Aviação Brasil

04/03/2010

Helicópteros de grande porte começam a operar no pré-sal

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Sikorsky S-92

A exploração de petróleo no pré-sal começa a provocar mudanças no mercado offshore. Dois helicópteros de grande porte, modelo S-92 da americana Sikorsky, recém-adquiridos pela BHS, já estão sendo utilizados pela Petrobras para transporte offshore até o Campo de Tupi, na Bacia de Santos, a 300 km da costa.

Além destes, outros três grandes helicópteros EC-225 Super Puma da francesa Eurocopter entraram em operação na Bacia de Campos. As cinco novas aeronaves da BHS, contratadas pela Petrobras, já ultrapassaram a marca de 500 horas de vôo.

“Estamos cumprindo todos os prazos contratuais com a Petrobras. Já estamos operando esses novos modelos de helicópteros especiais, totalmente equipados para transportar passageiros a grandes distâncias. Eles têm até 4,5 horas de autonomia de vôo e podem levar 18 pessoas às áreas mais distantes do pré-sal.”, informa Décio Galvão, diretor da BHS Helicópteros.

 

Outro helicóptero modelo S92, da Sikorky, deve entrar em operação até o final da próxima semana; e até junho mais três aeronaves adquiridas pela BHS chegam ao Brasil, completando a frota de nove contratada pela Petrobras.

 

No final do mês passado, a BHS foi homenageada pela francesa Eurocopter e pela americana Sikorsky por ser a primeira empresa a operar comercialmente esses novos modelos de helicópteros no Brasil. A cerimônia ocorreu durante a feira da HAI (Helicopter Association International), a maior do setor no mundo, realizada este ano em Houston, no Texas (EUA).

Fonte: Aviação Brasil

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Pré-Sal, soberania e a aquisição de equipamento e tecnologia militar pelo Brasil

6 de fevereiro de 2010

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Jornal do Brasil

06 de fevereiro de 2010

Montante para a compra e renovação de equipo militar é 1,5% do PIB

Carolina Eloy

RIO DE JANEIRO – A preocupação com as divisas territoriais ganhou corpo após o anúncio da descoberta de reservas de petróleo e gás na camada de pré-sal, em novembro de 2007. Nos dois anos seguintes, os recursos destinados ao Ministério da Defesa foram ampliados em 45,64%. Segundo especialistas, houve antecipação de encomendas com o objetivo de manter a soberania nacional frente aos novos recursos naturais. Mesmo assim, os valores para a compra e renovação de equipamentos militares representaram apenas 1,5% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2009.

A camada pré-sal engloba as bacias do Espírito Santo, Campos (Rio) e Santos (SP). Conforme estimativas, a reserva pode conter 100 bilhões de boe (barris de óleo equivalente), o que colocaria o Brasil entre os dez maiores produtores do mundo. Antes, as reservas nacionais eram de cerca de 14 bilhões de boe. A primeira descoberta foi feita em julho de 2005, mas o potencial de exploração só foi anunciado dois anos depois.

O aporte para a Defesa Nacional somaram R$ 4,79 bilhões no ano passado, montante 37,05% superior aos R$ 3,495 bilhões de 2008 e 45,64% maior que os R$ 3,289 bilhões de 2007. Esses valores incluem investimentos feitos pela Marinha, Exército e Aeronáutica e pela administração central do Ministério da Defesa.

O declaração oficial da pasta, no entanto, é de que não há relação entre a descoberta do óleo e o incremento dos recursos destinados à proteção do território brasileiro. O ministério ressalta ser uma política deste governo valorizar as Forças Armadas.

Manuel Nabais da Furriela, coordenador do Curso de Relações Internacionais da Faculdades Metropolitanas Unidas (FMU), diz que no texto do Projeto de Defesa Nacional, consta proteção a recursos naturais, o que inclui os marítimos – muito valorizados atualmente.

Furriela afirma que a necessidade de reequipar as Forças Armadas existe há alguns anos, mas foi adiada durante o governo de Fernando Henrique Cardoso por questões financeiras.

– As descobertas do pré-sal aceleraram o processo de modernização militar nacional. O que atrasa as negociações são condições técnicas, com a transferência de tecnologia – diz.

Seria ideal para o Brasil se os investimentos em renovação dos equipamentos militares chegasse a 2% do PIB, avalia Carlos Afonso Pierantoni Gambôa, vice-presidente executivo da Associação Brasileira das Indústrias de Materiais de Defesa e Segurança (Abimde).

Projetos

Entre os principais projetos do governo brasileiro na área de Defesa, estão a construção no Brasil de quatro submarinos convencionais e um submarino à propulsão nuclear (custo de 4,324 bilhões de euros ou R$ 12,1 bilhões).

Está em fase de análise a concorrência para a compra dos 36 caças que renovarão a frota da Força Aérea Brasileira (FAB) e a construção de 50 helicópteros EC-725 (custo de 1,847 bilhão de euros ou R$ 5,1 bilhões) pela empresa brasileira Helibrás – associada ao grupo francês Eurocopter – que servirão Exército, Marinha e Aeronáutica.

A construção dos submarinos e dos helicópteros será feita no Brasil, com transferência de tecnologia, conforme acordo de parceria estratégica assinado em dezembro de 2008 pelos presidentes do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, e da França, Nicolas Sarkozy.

Expedito Bastos, pesquisador de Assuntos Militares da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), destaca que entre 1970 e 1980 o Brasil tinha empresas que supriram militarmente às necessidades de equipamento nacional. Ele destacou que algumas companhias ainda exportavam seus produtos. “A maioria das empresas dessa época faliu. O país não compreendeu a importância estratégica do setor”. Para ele, é preciso continuidade de investimentos em pesquisa e capacitação profissional.

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2010/02/06/e060221050.asp

A Amazônia Azul: O Mar que nos Pertence

1 de fevereiro de 2010

http://energia-securanza.blogspot.com/2010_01_01_archive.html

Energía e Geopolítica

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A Amazônia Azul: O Mar que nos Pertence

Almirante Guilherme Mattos de Abreu

Para muitos, o tema Amazônia Azul conflita com a Amazônia. Na verdade, isto não ocorre. Se verificarmos as prioridades estabelecidas na legislação, no caso, na Política de Defesa Nacional (PDN) b, veremos que o documento atribui primazia à “O ENCONTRO DE DUAS AMAZÔNIAS” foi promovido pelo Centro de Atividades Externas da Escola Superior de Guerra. Foi aberto pelo General-de-Exército José Benedito de Barros Moreira – Comandante da Escola, (fundador do CEPEN).


Na Amazônia Verde, a presença da Marinha é muito discreta. Ali, indiscutivelmente, é predominante a ação do Exército e da Força Aérea. Isso é ditado pelo ambiente. Por outro lado, a Marinha, ainda que presente na Amazônia, tem que cuidar dos interesses do Brasil no Oceano.

Em um enfoque estratégico, a grande área de interesse denominada Atlântico Sul estende-se do Continente Antártico ao hemisfério norte, à altura do paralelo 16º N. Evita-se, deste modo, dividir-se artificialmente um dos mais significativos componentes geoestratégicos da região, que é o estreito de cerca de 1750 milhas náuticas entre o Nordeste brasileiro e o saliente africano. Também não se pode esquecer que uma parte do Brasil encontra-se no hemisfério norte.

O oceano não separa – une. Para leste, essa área de interesse vai até a África. Aqui, aplica-se um secular conceito inglês: “onde houver um país que faça margem ao oceano, esse país faz fronteira com a Inglaterra”. Portanto, os países africanos que margeiam o Oceano Atlântico são os nossos vizinhos na fronteira oriental. Continue lendo »


Petrobras fará até ilha artificial para explorar o Pré-Sal

5 de outubro de 2009

http://www.valoronline.com.br/?impresso/brasil/89/5853332/petrobras-fara-ate-ilha-artificial-para-explorar-o-presal

Valor Econômico

05/10/2009

PETROBRAS FARÁ ATÉ ILHA ARTIFICIAL PARA EXPLORAR O PRÉ-SAL

Danilo Fariello

A exploração e produção do pré-sal vai exigir uma revolução logística da Petrobras. Os principais campos da empresa, atualmente na Bacia de Campos, estão localizados a uma distância entre 120 e 150 quilômetros da costa, e os poços de exploração do pré-sal estarão, em geral, a uma distância ente 200 e 300 quilômetros. Por isso, serão necessários novos investimentos em infraestrutura para que a operação no mar tenha o máximo de autonomia possível.

“Estamos diante de circunstâncias totalmente diferentes das conhecidas”, diz o gerente-geral da unidade de serviços de transporte e armazenagem do setor de Exploração e Produção da Petrobras, Ricardo Albuquerque. “Como os campos são gigantes e distantes, isso leva a um planejamento distinto daquele já conhecido.”

Apesar das muitas incertezas, há dados preliminares suficientes para planejar. Já está definido, por exemplo, que a estratégia envolverá o modelo de “hub” (termo em inglês que significa ponto de conexão) para três itens específicos.

Um é a adaptação do que já ocorre na Bacia de Campos, para a distribuição de óleo diesel às unidades marítimas da Petrobras. Atualmente, os navios-tanque ficam atracados em zona próxima às diferentes plataformas alimentando, “no varejo”, as necessidades do óleo combustível de cada unidade, explica Albuquerque. A ideia do “hub” de diesel nasceu dentro da Petrobras especificamente para a Bacia de Campos e hoje já são três os navios-tanque na região. A empresa entendeu que a concepção de “hub” adotada no caso do óleo diesel será usada no pré-sal de forma ampliada. Isso leva aos dois outros itens, que são os fluidos químicos e passageiros.

Na perfuração e produção dos poços, são necessários fluidos específicos para se manter a produtividade dos poços. São elementos que resultam da operação e que devem ser processados quimicamente e reinseridos nos poços. Hoje, isso é feito no continente, mas a ideia da Petrobras é adaptar um navio-tanque com os elementos necessários a essa operação.

O desafio tecnológico para isso é grande, pois se trata de uma infraestrutura que nunca foi levada ao mar. Roberto Ramos, da Associação Brasileira da Indústria Química (Abiquim), acha que a solução pode ser a construção de uma plataforma fixa para operar os fluidos, porque são necessários equipamentos de compressão complexos e torres acima de 60 metros.

É no sistema de transporte de passageiros, porém, que a Petrobras prepara a grande novidade logística para o pré-sal. Hoje, apenas na Bacia de Campos, a empresa transporta 10 mil passageiros por mês (ou 20 mil, contando ida e volta). No Sul e Sudeste, o transporte chega a quase 60 mil passageiros por mês. A ampliação e construção de bases aeroportuárias já está nos planos. No entanto, para o pré-sal está planejado também um ponto de interconexão no meio do mar.

Para baratear esse transporte, a estratégia é a criação de unidades marítimas que servirão como estações intermediárias. Será um meio de caminho onde os passageiros chegam por meio de uma lancha ultrarrápida para, de lá, pegar helicópteros de médio porte rumo ao seu destino final. No entanto, esse projeto também carrega diversos desafios tecnológicos.

O primeiro refere-se a manutenção dos helicópteros, explica Albuquerque. É mais eficiente fazê-la em terra e à noite. Portanto, eles teriam de ser trazidos de volta ao continente diariamente. Na primeira e na última viagem do dia, portanto, seria possível que alguns passageiros não tivessem de passar pelo “hub” de transbordo marítimo – que poderá ser mais de um, dependendo do ritmo de exploração e da distância entre os poços.

A dificuldade maior é fazer essa viagem agradável ao passageiro, de forma que ele mantenha sua capacidade de trabalho ao chegar ao destino final. Para isso, a Petrobras encomendou à americana Lockheed Martin um modelo de lancha específico para as suas necessidades, com espaço para 150 pessoas. A empresa já fornece embarcações similares para empresas que exploram campos no golfo do México, no território americano. O projeto já vem sendo desenvolvido pela empresa para a Petrobras por mais de dois anos, para a Bacia de Campos. Agora terá que ser adaptado para o pré-sal.

Segundo Albuquerque, é relativamente fácil ter uma lancha rápida com pouca movimentação, para evitar enjoo dos passageiros, mas a grande dificuldade é montar uma estrutura no mar em que, parada, a lancha não balance demais e seja firme e grande o suficiente para os helipontos. É ainda necessário que ela torne rápida a mudança de meio de transporte. Essa estrutura flutuante, com nome técnico de “gangway”, é chamada pelos funcionários da estatal de “ilha artificial”.

Um modelo que vem sendo desenvolvido confidencialmente por uma empresa tem uma forma similar à de uma rampa, com uma escada articulada – como aquelas de caminhões de bombeiros. “São vários modelos de “gangways”, mas todos os existentes mostram dificuldades principalmente em dois pontos: segurança e agilidade no transbordo”, explica Albuquerque. Por isso, a necessidade de desenvolvimento específico. A empresa também planeja que a “ilha artificial” possa servir como escala ou mesmo permanência por um tempo de passageiros que trabalhem em diferentes plataformas.

Apesar da inovação, Albuquerque diz que não se tratam de projetos suntuosos financeiramente. “A simplicidade é o destaque e a meta é reduzir custos.” No caso dos navios-tanque de diesel a solução foi simples e barata, porque foram adaptados navios ociosos da Transpetro. A lancha não será mais cara que a média das 165 embarcações que a Petrobras já possui.

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Logística será um dos grandes desafios para a exploração do pré-sal, prevê Gabrielli

25 de setembro de 2009

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/09/25/materia.2009-09-25.1757454596/view

AGÊNCIA BRASIL

25 de Setembro de 2009 <!–

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Logística será um dos grandes desafios para a exploração do pré-sal, prevê Gabrielli

Pedro Peduzzi

Repórter da Agência Brasil

Brasília – Um dos grandes desafios que aguardam a Petrobras na exploração do petróleo situado na camada pré-sal é a área de logística. A afirmação foi feita hoje (25) pelo presidente da estatal, José Sergio Gabrielli, após participar de um debate sobre o pré-sal no no Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia (Confea), em Brasília.

Segundo Gabrielli, “haverá muita dificuldade para operar o transporte de equipamentos e de pessoal” e para o escoamento de gás e petróleo a partir das instalações destinadas ao pré-sal. Essas unidades, disse ele, ficarão a cerca de 300 quilômetros do litoral.

Atualmente as plataformas brasileiras localizadas em alto-mar, em geral, estão a uma distância de 100 a 150 quilômetros do litoral. Mas, segundo ele, a estatal estuda saídas. “Entre elas, a utilização de plataformas menos habitadas e a compra de dezenas de helicópteros mais adaptados para a distância”, exemplificou. “Há também a possibilidade de adaptar plantas que fazem liquefação do gás em unidades flutuantes”, acrescentou.

O presidente da estatal informou que cerca de 40 mil pessoas são transportadas mensalmente para as plataformas marítimas.

A Petrobras confirmou que, depois de aprovado o projeto de lei que permitirá a emissão, pela estatal, de ações para capitalizar as reservas do pré-sal, convocará uma assembleia geral extraordinária para que a proposta seja aprovada também pelos acionistas da empresa.

“Dependendo, isso pode ser feito num prazo até menor do que 45 dias”, afirmou Gabrielli. Ele garantiu que “todos direitos dos acionistas minoritários serão respeitados” e que a legislação brasileira garante a eles preferência para a compra de novas ações.

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Lula usa pré-sal e defesa da Amazônia para justificar acordo militar com França

7 de setembro de 2009

http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u620493.shtml

FOLHA DE S. PAULO

07/09/2009

Lula usa pré-sal e defesa da Amazônia para justificar acordo militar com França

GABRIELA GUERREIRO

da Folha Online, em Brasília

Os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Nicolas Sarkozy, da França, confirmaram nesta segunda-feira o início das negociações entre os governos dos dois países para a compra de 36 aviões caça Rafale dos franceses, com o compromisso de transferência de tecnologia ao Brasil relacionada às aeronaves.

Lula e Sarkozy não revelaram os valores oficiais que envolvem a negociação, mas o governo brasileiro confirmou que negocia apenas com a França a compra das aeronaves –excluindo temporariamente a Suécia e os Estados Unidos, que também ofereceram as aeronaves ao Brasil.

Bruno Domingos/Reuters
Os presidentes Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva assinam acordo na área militar
Os presidentes Nicolas Sarkozy e Luiz Inácio Lula da Silva assinam acordo na área militar

Lula justificou a compra dos aviões de caça com o argumento de que o Brasil precisa reforçar o controle de suas fronteiras, especialmente na Amazônia. “Vamos produzir equipamentos que reforçarão a capacidade tecnológica do Brasil para proteger e fortalecer suas riquezas naturais. Esse é um componente essencial da estratégia de defesa que meu país aprovou. Queremos preservar o continente como zona de paz. O Brasil aposta em projeto regional de defesa para a integração e o desenvolvimento”, afirmou.

Ao discursar ao lado de Sarkozy, o presidente disse que o Brasil é um país que “prima pela paz”, mas precisa preservar suas fronteiras diretas –o que inclui a área de descoberta da camada pré-sal de petróleo.

“Deve sempre passar pela nossa cabeça a ideia de que o petróleo já foi motivo de muitas guerras, muitos conflitos. Não queremos nem guerra nem conflito. O Brasil vê oportunidade do pré-sal como oportunidade de daqui a 10 ou 15 anos se transformar em grande economia mundial”, afirmou.

Lula disse que Brasil e França consolidaram nesta segunda-feira uma “parceira estratégia entre dois povos que têm muita coisa em comum”. Na opinião do presidente brasileiro, a França e o Brasil não querem apenas vender aeronaves, mas “pensar juntos, criar juntos, construir juntos e, se for possível, vender muito juntos”.

Acordo

O acordo entre o governo francês e o brasileiro para a compra dos caça Rafale foi fechado na madrugada desta segunda-feira, depois que Lula jantou com Sarkosy no Palácio da Alvorada. Ministros e técnicos dos dois países ficaram reunidos até as 2h para definir os termos do acordo, que inclui a troca de tecnologia entre França e Brasil para a manutenção e futura produção das aeronaves.

Na conversa entre Lula e Sarkozy, representantes do governo francês se comprometeram em repassar tecnologia ao Brasil caso o país decida efetivamente pela compra dos caças Rafale.

“Para nós, o avião é importante. Mas o importante mesmo é ter acesso à tecnologia para que possamos produzir esse avião no Brasil. É isso que estamos negociando agora, com o ministro da Defesa da França, a empresa que produz [o avião]. No fundo, o Brasil quer comprar um avião que dê ao Brasil a garantia de uso total desse avião com transferência de tecnologia”, disse Lula.

Segundo o presidente, caberá ao comandante da Aeronáutica e ao ministro Nelson Jobim (Defesa) negociar os termos financeiros da operação de compra e venda das aeronaves. “Nós decidimos começar as negociações para a compra do Rafale. Eu não sei o total ainda. Esta semana estarei discutindo pormenores com comandante da Aeronáutica e o ministro Jobim, porque eles vão ter que viaja re discutir esses assuntos”, afirmou Lula.

Sarkoszy, por sua vez, disse que a disposição dos dois governos é fazer uma espécie de operação “casada” para a compra e venda das aeronaves com as respectivas transferências de tecnologia entre França e Brasil.

Ao contrário de Lula, que evitou confirmar o fim da concorrência com outros países para a compra dos caça Rafale, Sarkozy disse que o governo brasileiro quer negociar diretamente com a França a aquisição das aeronaves.

“Eu anuncio aqui a decisão de, a princípio, comprar os aviões de transporte brasileiro para substituir nossos C- 130. A negociação está começando, nas mesmas condições. Se eles [brasileiros] estiverem de acordo, gostaríamos de nos associar a essa construção de aviões numa verdadeira troca, como faremos da mesma maneira com o Rafale, que será desenvolvimento em comum acordo com os brasileiros”, disse Sarkozy.

Além da compra dos caça Rafale, o governo brasileiro firmou com a França o compromisso de adquirir helicópteros de transporte do tipo EC-725 e submarinos com tecnologia nuclear.

Lula diz que negociação do caça Rafale está avançada
PIB per capita da França é três vezes o do Brasil; veja dados
Especialistas alemães são céticos sobre cooperação Brasil-França

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Etapa do Projeto de Turbina Aeronáutica de Pequena Potência de 5000 N (TAPP 5000) é concluída com sucesso

20 de agosto de 2009

Instituto de Aeronáutica e Espaço – IAE

20/08/2009

Etapa do Projeto de Turbina Aeronáutica de Pequena Potência de 5000 N (TAPP 5000) é concluída com sucesso

Contribuição: Divisão de Propulsão Aeronáutica

http://www.iae.cta.br/noticias/20082009_etapa_projeto_turbina_aeronautica.php

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Figura 1: Duto de escapamento de gases do banco da TAPP.


Uma importante etapa de implantação da infraestrutura de ensaios do projeto TAPP 5000 (Turbina Aeronáutica de Pequena Potência de 5.000 N de empuxo) foi concluída com sucesso, no dia 21 de julho de 2009, através da especificação, da fabricação e da montagem do duto de escapamento de gases de combustão (figura 1) do banco de ensaios da Divisão de Propulsão Aeronáutica (APA) do IAE. A idealização do banco de ensaios completo é apresentada na figura 2, onde se pode identificar o posicionamento do duto de escapamento.

Entenda o Projeto TAPP 5000

O projeto TAPP 5000 tem como objetivo desenvolver e fabricar um modelo de engenharia de um turborreator para utilização em aeronaves não-tripuladas que pesem até 1,5 toneladas. Atualmente, a TAPP encontrando-se em fase de fabricação do primeiro motor pela empresa TGM Turbinas, parceira do projeto por meio da FINEP.

Iniciado formalmente em novembro de 2005, está previsto no cronograma do projeto TAPP 5000 a conclusão da montagem e a instalação do primeiro protótipo no banco de ensaios (figura 2) até o final de 2009, quando se iniciarão os ensaios de desenvolvimento. Até a conclusão do projeto, previsto para dezembro de 2010, serão construídos dois dos protótipos da TAPP.

Figura 2: Idealização do banco de ensaios completo da TAPP

Figura 2: Idealização do banco de ensaios completo da TAPP.

A TAPP é composta por um compressor axial com cinco estágios, uma câmara de combustão anular de fluxo direto e uma turbina axial de um único estágio, conforme a ilustração da figura 3.

Figura 3: Idealização da TAPP

De Olho na História

O projeto TAPP é a terceira turbina aeronáutica desenvolvida pela APA. Historicamente, o Instituto de Aeronáutica e Espaço (IAE), por meio da Divisão de Propulsão Aeronáutica, tem conduzido um programa de turbomotores desde a década de 1970. Tal programa permite o domínio da tecnologia de concepção, desenvolvimento, fabricação, ensaios, operação e utilização destes motores.

Dentro do programa de turbomotores (ou turbinas a gás), destacam-se os projetos aeronáuticos: 1) Projeto Parayba I: projeto, fabricação e homologação de unidade aerotransportável para partida da aeronave AT-26 Xavante (1976); 2) Projeto TJ-2: concepção, projeto e construção de modelos experimentais de um turbojato de 320 N de empuxo (1983), financiado pela CBT – Companhia Brasileira de Tratores e pelo COMAER; e 3) Projeto TPP 1000 (TJ-10): concepção e projeto de modelos experimentais de um turbojato de 1000 N de empuxo (1984), financiado pela FINEP-FNDCT. Estas duas últimas turbinas aeronáuticas mereceram a publicação de artigo em revista internacional da American Society of Mechanical Engineers (ASME 90GT196).

A TJ-2 foi, portanto, a primeira turbina a gás aeronáutica concebida e fabricada no Brasil. A TJ-2 funcionou com querosene de aviação (QAV-1), álcool hidratado, GLP, GNV e fez os primeiros ensaios com os combustíveis experimentais Prozene e Prodiesel. Após sua fabricação, a TJ-2 foi instalada no Veículo Aéreo Não-Tripulado (VANT) da CBT (figura 4) onde executou corrida em pista na cidade de São Carlos – S.P.

Figura 4: TJ-2, a primeira turbina aeronáutica do Brasil, instalada no VANT da extinta CBT, que executou corrida em pista na década de 80

Figura 4: TJ-2, a primeira turbina aeronáutica do Brasil, instalada no VANT da extinta CBT, que executou corrida em pista na década de 80


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JB: A Halliburton e o nosso petróleo

31 de julho de 2008

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/07/31/pais20080731000.html
JORNAL DO BRASIL
31 de julho de 2008

A Halliburton e o nosso petróleo

Mauro Santayana


É muito grave a denúncia da Associação dos Engenheiros da Petrobras: quem detém todas as informações técnicas do potencial brasileiro dos combustíveis fósseis é a Halliburton – a empresa de Dick Cheney – envolvida em negócios escusos nos Estados Unidos e em sua aventura bélica no Iraque, por intermédio da Landmark Digital and Solutions. Ela administra o banco de dados da Petrobras, sem licitação, não obstante a Procuradoria-Geral da República ter exigido o processo, ainda em 2004. A empresa plantou um seu funcionário, o senhor Nelson Narciso, que a representava em Angola, como diretor da Agência Nacional do Petróleo. Entre outras de suas funções, o senhor Narciso é quem define os blocos a serem licitados, que deve ser decisão estratégica de interesse nacional. Entendamos bem: a multinacional administra as informações e, mediante seu preposto na ANP, define as áreas a serem exploradas. A lei 9.478, de 1997, determina que a Petrobras e as outras empresas encaminhem suas informações técnicas à Agência Nacional de Petróleo, responsável pelo banco de dados das reservas e operações extrativas do petróleo. A ANP, sem licitação, contratou a subsidiária da Halliburton para fazê-lo. A Halliburton é a mais conhecida das empresas corruptoras do mundo, e mantém 130 empresas subsidiárias fora dos Estados Unidos, o que lhe permite fraudes costumeiras. Corrompe nos Estados Unidos, em seus contratos com o governo, e no estrangeiro. Em maio de 2003, ela foi multada em U$ 2,4 milhões, pela Security Exchange Comission, por subornar funcionário da Nigéria.

A entrega dos segredos geológicos nacionais a uma empresa estrangeira – e com a ficha da Halliburton – se tornou possível com a política nacional do petróleo do governo social-democrata que escancarou o Brasil entre 1995 e 2003. O governo Vargas – com todos os seus imensos erros – teve o mérito de criar um projeto nacional de desenvolvimento fundado em nossos recursos naturais. Depois de mais de quatro séculos de exploração colonial e neocolonial, chegara o tempo de – com o trabalho e a inteligência dos brasileiros – explorar os recursos do solo e subsolo, a fim de libertar a população da ignorância, das doenças e da miséria. Mas o governo passado decidiu sepultar a era Vargas, e entregar tudo aos estrangeiros.

O governo passado, com a cumplicidade do Congresso, autorizou a venda de 40% das ações da Petrobras a investidores estrangeiros. Isso, na época, representava US$ 2 bilhões. Com o aumento dos preços do petróleo e a descoberta das grandes reservas, essa participação se elevou a 120 bilhões, segundo os cálculos do engenheiro Fernando Siqueira. As remessas de lucros referentes ao petróleo são de 6 bilhões de dólares ao ano – o que contribui para o déficit externo. Além disso, em quase todos os países produtores de petróleo, as empresas estrangeiras concessionárias pagam mais de 80% de seus lucros ao Estado. No Brasil, por generosidade do governo anterior, essa participação, variável, é, no máximo de 40%.

Estuda-se agora o novo marco regulatório sobre a exploração do petróleo do pré-sal, que – mesmo com todas as violações constitucionais – continua propriedade da União. Trata-se de recursos que poderão resolver os mais graves problemas nacionais, como os da saúde e da educação. Só no Rio de Janeiro, há mais 20 mil pessoas na fila aguardando medicamentos fornecidos pelo governo. Dados do alistamento eleitoral, por outro lado, revelam que menos de 3,5% do universo dos aptos a votar em outubro concluíram o curso universitário. Se os lucros do petróleo fossem utilizados no benefício de todo o povo, não teríamos mais números assim para nos envergonhar.

Mas mesmo nos meios ministeriais, encarregados de propor ao governo a nova política para a exploração das novas reservas, há os que deixam de lado o interesse nacional. O caminho mais lógico será o de reter, para o desenvolvimento social (educação, saneamento básico, saúde pública) pelo menos o que retêm outros países produtores: 80% dos resultados da exploração. O melhor será a criação de nova empresa, de capital totalmente nacional e inalienável, para explorar diretamente as novas reservas. A era Vargas acabou? Voltemos a ela.

Mauro Santayana

Jornal do Brasil – Coisas da Política – 31/07/2008

http://jbonline.terra.com.br/editorias/pais/papel/2008/07/31/pais20080731000.html

Cronologia do vazamento de dados da Petrobrás e o papel da ANP

3 de março de 2008

http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=227&Itemid=46
12/03/2008

Cronologia do vazamento de dados da Petrobrás e o papel da ANP

Por Fernando Siqueira

Diretor de Comunicações da AEPET

Em face dos últimos acontecimentos, selecionamos dez eventos preocupantes e que atestam a incompetência da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis

Por Fernando Siqueira (diretor de Comunicações da AEPET)

1) Em 1997 foi aprovada a Lei 9478/97, que regulamentou a alteração no artigo 177 da Constituição Federal. Essa lei criou a ANP e estabeleceu novas regras para o setor petrolífero brasileiro. O primeiro diretor-presidente da agência reguladora foi David Zilberstajn, genro do presidente FHC e que se notabilizou por privatizar as estatais do Estado de São Paulo por preços sub-avaliados.

2) Como estava estabelecido que a Petrobrás ficaria com as áreas onde ele tivesse investido (e ela houvesse investido em todas as 29 áreas com possibilidade de existência de petróleo), a ANP resolveu que ela ficaria com 10% do total das áreas promissoras. A Petrobrás destacou a nata dos seus técnicos, que ficaram mais de seis meses analisando e selecionando as melhores possibilidades.

3) Em1998, após o esforço dos seus técnicos e escolha dos 10% das áreas, a Petrobrás recebeu da ANP uma ordem para devolver 30% dessas áreas escolhidas. Ou seja, dos 10% iniciais, a Petrobrás só pode ficar com 7%. As devoluções já estavam avaliadas. Isto ocorreu em plena Copa do Mundo de Futebol, realizada na França.

4) Recebidas as áreas, a ANP partiu célere para a venda maciça: dividiu-as em blocos com áreas 220 vezes maiores do que as áreas do blocos leiloados nos EUA.

5) No final da década de 1990, o então superintendente da Petrobrás, Milton Franke, se aposentou e foi dar consultoria à Shell. Suspeito de estar levando informações para aquela empresa, Franke foi proibido de entrar na Petrobrás. Logo depois, ele foi nomeado superintendente de licitações da ANP. Foi responsável pela elaboração de alguns leilões. Franke, na ANP, elaborou curvas de produção e consumo de Petróleo que nada tinham a ver com a realidade. A AEPET teve acesso a estas curvas numa reunião com o secretário do Ministério de Minas e Energia (MME), Mauricio Tolmasquim. Alertamos o secretário sobre a qualidade das curvas, feitas para induzir o MME a continuar com os leilões.

6) Em 1999 a ANP autorizou a Schlumberger e outras empresas estrangeiras a fazerem levantamentos sísmicos nas áreas das bacias de Santos, Espírito Santo e Campos. Essas empresas, sem autorização das Concessionárias das referidas áreas, se apossaram desses dados e osvendem até hoje.

7) Em 1998, o então superintendente da Petrobrás, Sergio Possato, se aposentou e foi para a ANP organizar o banco de dados, em face do artigo 22 da Lei 9478/97 e obrigar as concessionárias a repassar todos os dados, mesmo os mais estratégicos para a ANP. Depois de 2 anos na função, Possato saiu da ANP e montou a empresa Stratageo Soluções Tecnológicas Ltda, para a venda e assessoria de dados do setor Petróleo. A empresa tem um portal na internet – www.stratageo.com.br

8 ) No 8º Leilão, o “ex-diretor” da Halliburton em Angola, Nelson Narciso havia sido nomeado para a diretoria da ANP, que realiza os leilões. Por orientação sua, foram introduzidas sérias limitações à participação da Petrobrás nos leilões. Um exemplo: na Bacia de Santos, a Petrobrás só poderia comprar 8,5% das áreas oferecidas. O diretor disse na imprensa que “iria acabar com o monopólio de fato”.

9) No 9º Leilão, a ANP colocou em sua página dados confidencias do Campo de Tupi sendo que havia 41 blocos envolvendo esse campo e que foram providencialmente retirados do Leilão pelo Governo Federal em face da descoberta de Tupi, que confirma estudos de 30 anos e gastos de US$ 2 bilhões da Petrobrás. Essa descoberta dá uma forte indicação de que a nova província do pré-sal, que envolve Tupi, pode conter uma reserva de 90 bilhões de barris. Isto somado aos 14 bilhões de barris comprovados eleva as reservas Brasileiras para acima de 100 bilhões, ou seja, a 4ª reserva do planeta, sendo que as três primeiras se localizam no conturbado Oriente médio.

10) Em 2007, a imprensa noticiou que o atual diretor-geral da ANP promoveu um jantar onde empresas petrolíferas eram “convidadas” a contribuir com uma boa quantia para o PC do B, o partido do referido diretor. Esses são alguns dos fatos que nos levam à conclusão de que a ANP não tem a devida qualificação para exercer a condução da estratégia, energética do País e também não tem o devido zelo com dados de tamanha importância estratégica como são os do setor petróleo.

Fonte: “AEPET Notícias” nº 345 – março de 2008.

http://www.apn.org.br/apn/index.php?option=com_content&task=view&id=227&Itemid=46

O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho

29 de fevereiro de 2008

http://www.apn.org.br/apn/index.php?Itemid=46&id=202&option=com_content&task=view
29/02/2008

O caso do roubo dos laptops da Petrobrás, o lobo e a chapeuzinho vermelho

No caso do roubo dos laptops da Petrobrás, PF conclui: afinal, era apenas a vovozinha, disfarçada de lobo. Será?

Em política, quando se afirma com muita insistência uma determinada “verdade”, é preciso desconfiar. A pressa em descartar a hipótese de espionagem industrial, no episódio do roubo dos laptops que continham dados confidenciais da Petrobrás sobre o campo gigante de Júpiter é extremamente preocupante.

É possível descartar com tanta facilidade essa hipótese, quando técnicos da Petrobrás, a exemplo do exploracionista João Victor Campos, estimam que o potencial das reservas de petróleo na região do pré-sal sejam de 80 bilhões, podendo chegar a 100 bilhões de barris (considerando uma extensão de 800 quilômetros do litoral brasileiro, que vai de Alagoas e Sergipe ao Paraná)?

Os argumentos que permitem desconfiar da versão oficial do roubo dos laptops, atribuído pela Polícia Federal a “ladrões de galinha”, são infindáveis. Um deles é que os quatro vigilantes da Bric Log, presos pela Polícia Federal com parte dos equipamentos, possam ter sido utilizados por terceiros. Fazer e repassar uma cópia dos dados contidos nos discos rígidos não é impossível, embora os vigilantes afirmem ter “destruído” parte da carga roubada.

Os equipamentos estavam sob a guarda da multinacional americana Halliburton. E quem é a Halliburton? O grupo norte-americano atua principalmente na área de infra-estrutura voltada para o setor de petróleo, mas também em outras áreas, como logística para operações militares. Desde a invasão norte-americana no Iraque, a empresa tem sido notícia nos principais jornais do mundo, envolvida em acusações de superfaturamento de obras, favorecimento em contratos e licitações, chegando a ser condenada a devolver 36 milhões de dólares ao governo americano.

De acordo com matéria da Folha de São Paulo, de 12 de fevereiro, “Mesmo com a investigação, em 2005 o Pentágono concedeu um contrato de logística de cerca de US$ 5 bilhões à Halliburton no Iraque. O contrato entre o Exército dos Estados Unidos e a Kellogg Brown and Root (KBR, à época uma subsidiária da Halliburton), foi assinado em maio daquele ano. As empresas se separaram no ano passado”. A Halliburton já foi comandada pelo atual vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, comparado por Hillary Clinton ao vilão da série Guerra das Estrelas, Darth Vader. Existe, inclusive u m site que documenta os casos de corrupção envolvendo a empresa, o www.haliburtonwatch.org

Pois estas são as credenciais da inofensiva empresa que guardava os dados confidenciais da Petrobrás. Apesar disso, jornais e revistas, como a Veja, rapidamente decidiram mudar o tom e adotar a versão do “muito barulho por nada”, inclusive tentando ridicularizar a primeira reação do presidente da República e de autoridades ministeriais, que levantaram a hipótese da espionagem industrial. “Ora, que ridículo!” – apressam-se a dizer ao leitor, nas entrelinhas, publicações como a Veja. De fato, apenas num aspecto é preciso fazer eco com a grande mídia: ficou evidente a falta de preparo da Petrobrás na área de segurança de dados.

Insistimos em perguntar, aos que preferem acreditar nas versões oficiais: Por que uma empresa do porte da Petrobraás, com pesquisas em área de alta tecnologia, não seria objeto de espionagem industrial? Um petroleiro comparou o caso à história da Chapeuzinho Vermelho. Mas a versão oficial dos fatos está fazendo uma pequena adaptação da história. Acaba de contar que o lobo – a Halliburton? A Cia? Quem seria? – era apenas a vovozinha disfarçada de orelhas enormes, para ouvir melhor; de olhos enormes, para enxergar melhor; e uma enorme boca, mas só para enganar a Chapeuzinho Vermelho. Que seria, talvez, a Petrobrás? A população e o estado brasileiros? Cada um que reflita, e se não for tão inocente assim, que tire as suas próprias conclusões.

Fonte: Agência Petroleira de Notícias (www.apn.org.br)

http://www.apn.org.br/apn/index.php?Itemid=46&id=202&option=com_content&task=view

Estadão: Petrobras sofre terceiro furto de peças de computadores

23 de fevereiro de 2008

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,petrobras-sofre-terceiro-furto-de-pecas-de-computadores,129333,0.htm
sábado, 23 de fevereiro de 2008

Petrobras sofre terceiro furto de peças de computadores

Para polícia, novo furto dá sinais que sumiço de equipamentos não seria fruto de espionagem industrial

Marcelo Auler

de O Estado de S. Paulo

RIO – Um novo furto de peças – o terceiro – de computadores que foram usados em trabalhos nas plataformas petrolíferas da Petrobras reforça a tese dos investigadores da Polícia Federal de que o desaparecimento destes equipamentos não seria fruto de espionagem industrial. A nova ocorrência foi descoberta na sexta-feira, 22, no pátio da empresa Halliburton, em Macaé, na região norte fluminense, na chegada de uma caixa transportando um computador que estava na sonda petrolífera de perfuração S-45, conhecida como Atlantic Star, na Bacia de Campos. A caixa estava sem o lacre e sem o drive de DVD. A empresa norte-americana comunicou o fato à Polícia Federal. Nos dois primeiros furtos, foram levados peças de computador e de notebooks com informações sobre o Poço de Júpiter, recém-descoberto, na Bacia de Santos.

O fato de terem roubado apenas um drive de DVD, deixando intacto o HD que contém a memória da máquina, é, para a PF, sinal do interesse meramente comercial dos ladrões. Isto corrobora a tese de que não houve busca de informações estratégicas sobre o poço de Júpiter. Um dado importante que vem sendo mantido em sigilo pelos investigadores é que, no computador que teve seu HD roubado, permaneceu intacta uma placa especial, desenvolvida especificamente para a Halliburton ler os seus programas de trabalho nas plataformas petrolíferas. Caso o roubo fosse provocado por espionagem industrial, dificilmente esta placa deixaria de ser levada.

Também chamou a atenção o fato de as peças furtadas não estarem presas na CPU por parafusos. Como eram mantidas dentro do computador por pressão, puderam ser retiradas apenas com as mãos, sem o uso de ferramentas. Da mesma forma, computadores que estavam presos à bancada deixaram de ser levados. Isto, pela experiência dos policiais, demonstra que os ladrões não quiseram perder tempo e recolheram os equipamentos mais fáceis de serem retirados.

A descoberta do novo furto reforça também a tese de que o local dos crimes foi o terminal de cargas da Poliportos, no bairro do Caju, no Rio de Janeiro. Desta vez, a caixa que estava com o computador cuja peça foi retirada tinha acabado de chegar ao pátio da empresa em Macaé, já sem o lacre. Isto demonstraria que nos casos anteriores, o furto demorou a ser descoberto por negligência dos empregados da Halliburton. Eles receberam o aparelho no dia 25 de janeiro e só foram conferir seu funcionamento no dia 30, ao descobrirem o arrombamento do container SU96071, trazido da sonda S-21, que trabalhava nos estudos do Poço de Júpiter.

A caixa com este computador vindo da Bacia de Campos chegou à Poliportos antes do dia 15 de janeiro e só quinta-feira foi levada para Macaé. O computador que veio da sonda S-21 em outra caixa de transporte e teve peças furtadas, desceu no terminal de cargas do bairro do Caju no dia 15 e saiu no dia 25 para a Halliburton. O container com os notebooks e uma impressora furtados chegou no mesmo pátio dia 23 e dali foi transportado para Macaé seis dias depois.

Para a polícia, a tese mais provável é de que os três furtos de equipamentos de informática ocorreram em uma única ação, entre os dias 23 e 25, no pátio da Poliportos. As investigações – que prosseguiram ontem de manhã – visam descobrir evidências disto para depois tentar identificar os responsáveis.

http://www.estadao.com.br/noticias/economia,petrobras-sofre-terceiro-furto-de-pecas-de-computadores,129333,0.htm

Contêiner com dados foi arrombado no pátio da Halliburton

21 de fevereiro de 2008

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81865-5855,00-CONTEINER+COM+DADOS+FOI+ARROMBADO+NO+PATIO+DA+HALLIBURTON.html
REVISTA ÉPOCA, Edição nº 509
21/02/2008 – 19:25

Contêiner com dados foi arrombado no pátio da Halliburton

Da Redação

Segundo publicou nesta quinta-feira (21) o jornal Folha de São Paulo, o arrombamento do contêiner em que estariam equipamentos de informática da Petrobras aconteceu no porto do Rio de Janeiro, segundo informou a empresa Halliburton, responsável pelo transporte do material entre a sonda e a petrolífera de perfuração S-21, na bacia de Santos, e o porto de Macaé, a 188 km do Rio de Janeiro.

Em nota nesta quarta-feira (20) a Transmagno divulgou que, ao receber o contêiner no porto do Rio, não havia problema no lacre. Isso indicaria que o arrombamento ocorrera no pátio da empresa Halliburton em Macaé. No depoimento que deu à polícia, o motorista da Transmagno afirmou que a inspeção foi visual, o que significa que o lacre violado pode ter sido ajeitado para que não fosse percebida a violação.

Guilherme da Silva Vieira, técnico de manutenção enviado pela Halliburton à 123ª Delegacia de Polícia no dia 1º, listou as peças que teriam sido retiradas do contâiner. Ele relatou que o furto teria sido praticado no terminal de containeres da Poliportos, na zona portuária do Rio. Até então o crime vinha sendo tratado como furto comum. Vieira afirmou que, ao conferir a carga, o lacre estava violado e o cadeado, trocado.

Há contradições entre datas e o delegado responsável pelo inquérito, Daniel Gomes, vai convocar Vieira para depor.

http://revistaepoca.globo.com/Revista/Epoca/0,,EDG81865-5855,00-CONTEINER+COM+DADOS+FOI+ARROMBADO+NO+PATIO+DA+HALLIBURTON.html

Halliburton-Petrobras: relações perigosas

19 de fevereiro de 2008

http://www.msia.org.br/ibero-am-rica-iberoam-rica/brasil/540.html
MOVIMENTO DE SOLIDADRIEDADE IBERO-AMERICANA (MSIa)
19/02/2008

Halliburton-Petrobras: relações perigosas

O imbróglio envolvendo o arrombamento de um contêiner da empresa estadunidense Halliburton e o desaparecimento de computadores e um disco rígido contendo informações sobre os novos campos petrolíferos ultraprofundos da bacia de Santos não deve ser tratado como uma mera ocorrência policial.

Em primeiro lugar, cabe uma pergunta elementar: se as informações contidas nos computadores roubados eram “estratégicas e sigilosas”, como afirmou uma nota da Petrobras, ou “segredo de Estado”, segundo o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, como se justifica que esse material estivesse sendo transportado com tanta negligência, principalmente quando é público e notório o elevado índice de roubos de cargas nos portos brasileiros?

Segundo, por que informações tão importantes estavam sob a responsabilidade de uma empresa estrangeira, e não uma qualquer, mas a Halliburton, uma das flagships empresariais do Establishment dominante dos EUA? Embora ela seja uma das principais prestadoras de serviços especializados ao setor petrolífero mundial, não se pode ignorar que se trata de uma empresa-símbolo de um paradigma hegemônico que não apenas está na raiz da presente crise sistêmica global, mas também vem sendo crescentemente questionado, por subordinar o que deveria ser predominantemente patrimônio de povos e nações – recursos naturais, em especial – aos interesses corporativos de grupos privilegiados.

De acordo com a Petrobras, a Halliburton tem um contrato de quatro anos, no valor de 270 milhões de dólares, para realizar ensaios de pesquisas em reservatórios petrolíferos de altas pressões e temperaturas, condições semelhantes às da chamada camada pré-sal da bacia de Santos, na qual foram encontrados os campos gigantes de Tupi e Júpiter. Embora certos tipos de know-how superespecializados sejam rotineiramente subcontratados pelas grandes empresas petrolíferas, o novo patamar exploratório atingido pela Petrobrás com as recentes descobertas sugere que ela própria terá que se empenhar em dominar o mais rapidamente possível atividades que até agora podiam ser terceirizadas – ou correr o risco de ver tais surpresas desagradáveis virarem rotina.

Da mesma forma, é certo que, como uma estratégia de Estado, o governo brasileiro ver-se-á diante da necessidade de reconsiderar certos aspectos da política de abertura do setor petrolífero, além da providencial retirada de blocos adjacentes ao campo de Tupi da nona licitação promovida pela Agência Nacional de Petróleo (ANP) logo após o anúncio da descoberta. Como afirmou o diretor de Comunicações da Associação dos Engenheiros da Petrobrás (AEPET), Fernando Siqueira, em nota divulgada assim que se tornou público o sumiço dos equipamentos, tais fatos reforçam os argumentos para o cancelamento dos leilões das bacias sedimentares brasileiras. “Com os dados sigilosos nas mãos, os interessados terão informação privilegiada para disputar os leilões promovidos pela Agência Nacional do Petróleo e arrematar os melhores campos”, disse ele.

Ainda mais grave, segundo ele, foi o fato de a ANP ter entregue informações provenientes das áreas pré-sal antes do prazo legal de cinco anos. “A ANP divulgou tais dados para as empresas concorrentes. Tal atitude revela a falta de decência, falta de zelo e falta de patriotismo”, disse Siqueira. Além disso, acrescentou, o então superintendente de Gestão de Informações da ANP, Sérgio Possato, saiu da agência reguladora com os dados da Petrobrás debaixo do braço e os utilizou como mercadoria a ser negociada por sua empresa, que passou a vender o resultado das pesquisas da Petrobrás para empresas, na sua maioria multinacionais, no sexto e no sétimo leilões da ANP.

Entretanto, no atual modelo de abertura do setor, não é necessário recorrer a recursos ilegais ou pouco éticos para se obter o conhecimento privilegiado da Petrobrás sobre as bacias sedimentares brasileiras. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo de 18 de fevereiro, um funcionário da empresa que preferiu não se identificar revelou que, nos últimos quatro meses, pelo menos 40 técnicos da área de exploração que trocaram a Petrobrás por outras companhias petrolíferas nacionais e estrangeiras. Tais técnicos, disse a fonte, “conheciam os procedimentos de transporte e detalhes da segurança”.

Embora seja difícil imaginar uma reversão ao status quo ante, em que a Petrobrás detinha o monopólio de exploração no setor, o fato é que o País terá que encontrar formas de resguardar os interesses nacionais de longo prazo, sem precisar quebrar contratos. Como analisamos na edição de 21/03/2007 da Resenha Estratégica (“Petróleo e gás natural: as ‘novas sete irmãs'”), uma das principais manifestações de recuo da tsunami “liberalizante” das últimas décadas é a grande transformação que estão sofrendo os mercados mundiais de petróleo e gás natural, caracterizada por uma crescente reafirmação dos Estados nacionais no controle das reservas e exploração desses recursos naturais.

Na ocasião, citamos uma reportagem do Financial Times (“As novas Sete Irmãs: gigantes de petróleo e gás se agigantam sobre rivais ocidentais”, 11/03/2007), a qual mostra que as novas regras da indústria e dos mercados petrolíferos estão sendo escritas por um seleto grupo de empresas estatais, que estão destronando as antigas gigantes multinacionais que dominavam tradicionalmente o setor.

“Esmagadoramente estatais, elas controlam quase um terço da produção mundial de petróleo e gás e mais de um terço das reservas totais de petróleo e gás. Em contraste, as velhas sete irmãs – que encolheram para quatro na consolidação da indústria ocorrida na década de 1990 – controlam apenas 3% das reservas”, observa o texto da jornalista Carola Hoyos.

De forma emblemática, as novas “Sete Irmãs” nomeadas pela jornalista são: 1) a saudita Aramco; 2) a russa Gazprom; 3) a chinesa CNPC; 4) a iraniana NIOC; 5) a venezuelana PDVSA; 6) a Petrobras; e 7) a malaia Petronas.

Segundo a Agência Internacional de Energia (AIE), nos próximos 40 anos, 90% da oferta de hidrocarbonetos virá de países em desenvolvimento, o que representa uma grande mudança em relação às últimas três décadas, quando 40% da produção vinha de países industrializados.

Tais fatos só fazem reforçar os argumentos em favor de uma ampla rediscussão da política petrolífera brasileira. Em um importante artigo publicado no Jornal do Brasil de 20 de janeiro (“Uma nova campanha do petróleo é nosso”), o ex-deputado federal e ex-diretor do Banco do Brasil, Léo de Almeida Neves, faz algumas importantes considerações a respeito:

É inquestionável que a prioridade nacional exige novas normas para exploração de petróleo no país, agora que o risco de encontrar petróleo tornou-se inexistente nos extensos 800 quilômetros que vão do Espírito Santo até a costa do Rio Grande do Sul.

A União terá de ficar com grande quinhão da renda do petróleo obtido (de 75% a 90% do valor real), dividindo essa receita com Estados e municípios sob a forma de tributo, de royalty, partilha ou o que seja. Talvez venha a ser o caso de convivermos com modelos diferenciados, conforme os blocos localizados em áreas com menor ou maior probabilidade de achar o precioso ouro negro.

Vejam o contra-senso. Sem necessidade de ter sócios, porque a Petrobras é a operadora, a única que dispõe de tecnologia de perfuração e logística em águas profundas (graças às pesquisas do CENPES), a nossa estatal vai fazer a felicidade dos acionistas da portuguesa Galp, da inglesa BG e da espanhola Repsol, que estão juntas na Tupi e em outras duas descobertas anexas.

A robusta arrecadação que a União vai auferir com o petróleo contribuirá para destinar verbas ao etanol e ao biodiesel, e aliviar a carga tributária de impostos indesejáveis. A fabulosa receita cambial que se avizinha servirá para acumular reservas, mas não deve inibir a exportação de bens industriais de valor agregado, mediante política cambial realista, nos moldes da que a China vem praticando.

Tupi e a camada pré-sal representam espetacular ganho, que se reveste de caráter intertemporal, projetando-se sobre as gerações futuras. Todavia, terá de haver modificação no marco regulatório do setor do petróleo e gás, permitindo a partilha da produção com a União, e as companhias (inclusive a Petrobras) que participarem da exploração não serão proprietárias do óleo. Este é o regulamento utilizado pela Rússia, Qatar, Iraque e Nigéria. O contrato de prestação de serviços é a praxe da Arábia Saudita, Irã, Kuwait e Venezuela. O Brasil usa o inconveniente contrato de concessão, com as concessionárias ficando donas do petróleo que descobrirem.

Outra conseqüência da descoberta do petróleo da camada pré-sal é que a Petrobras deverá reduzir o ritmo de seus investimentos no exterior, atualmente priorizando os Estados Unidos (Golfo do México), e concentrar recursos e esforços no Brasil. Os derrotistas, as cassandras, os detratores do nosso povo e do nosso país poderão arregimentar-se contra uma solução nacionalista para o petróleo. Bem que o Clube Militar, a OAB Nacional, o Clube de Engenharia do Rio de Janeiro, a ABI e outras entidades de prestígio poderiam mobilizar-se para essa luta de enfrentamento de grupos internacionais poderosos e de seus asseclas locais.

Dos desdobramentos desses acontecimentos, irão depender em grande medida as perspectivas de o Brasil adentrar as próximas décadas como uma Nação soberana adulta e consagrada ao bem comum de sua população, assim como comprometida com a promoção dos mesmos valores em âmbito global, ou como um adolescente político tutelado por interesses para os quais tais valores não passam de mera retórica.

http://www.msia.org.br/ibero-am-rica-iberoam-rica/brasil/540.html

FSP: “Petrobras confirma furto de dados sigilosos; Halliburton não se pronuncia”

14 de fevereiro de 2008

http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u372404.shtml

FOLHA DE S.PAULO

14/02/2008

Petrobras confirma furto de dados sigilosos; Halliburton não se pronuncia

CIRILO JUNIOR

da Folha Online, no Rio

A Petrobras confirmou nesta quinta-feira que dados sigilosos sobre pesquisas sísmicas, que podem incluir a descoberta de petróleo e gás, foram furtados de um contêiner da empresa. A estatal informou apenas que o furto foi feito de uma empresa terceirizada prestadora de serviços, mas não citou nomes. O contêiner era transportado pela norte-americana Halliburton –a empresa, porém, afirmou que não se pronunciará a pedido da petrolífera brasileira.

Segundo a Petrobras, o furto ocorreu no início deste mês e a investigação está sob sigilo. Uma missão especial da Polícia Federal no Rio, em conexão direta com o comando da PF em Brasília, investiga o caso.

Quando ocorreu o furto de um disco rígido e dois computadores portáteis com dados sigilosos, o contêiner da Halliburton se dirigia a Macaé (RJ) após sair de uma plataforma na Bacia de Campos, rumo à base de operações da Petrobras.

A estatal não informou detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados, nem se continham números sobre o megacampo de Tupi, na Bacia de Santos. A Petrobras também evitou comentar detalhes do furto, mas disse que possui cópias das informações.

A Halliburton é uma das principais empresas prestadoras de serviços para o setor petrolífero do mundo e teve como um de seus executivos o vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney. O contrato com a Petrobras tem validade de quatro anos e valor de US$ 270 milhões.

A companhia americana atua principalmente na área de infra-estrutura voltada para o setor petrolífero, mas também em outras áreas, como logística para operações militares.

Tupi

Anunciado em novembro do ano passado, o campo de Tupi, na Bacia de Santos, tem uma reserva estimada entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo (segundo a Petrobras), e é considerado uma das maiores descobertas de petróleo do mundo dos últimos sete anos.

O roubo ganha gravidade caso realmente se confirme que o contêiner tinha informações sobre Tupi. Devido à dimensão de suas possíveis reservas, o megacampo mexe com o mercado há meses.

Recentemente, as ações da estatal tiveram forte oscilação, após a empresa britânica BG Group (parceira do Brasil no campo, com 25%) ter divulgado nota estimando uma capacidade entre 12 bilhões e 30 bilhões de barris de petróleo equivalente em Tupi. A portuguesa Galp (10% do projeto) confirmou o número.

Como termo de comparação, as reservas provadas de petróleo e gás natural da Petrobras no Brasil ficaram em 13,920 bilhões (barris de óleo equivalente) em 2007, segundo o critério adotado pela ANP (Agência Nacional do Petróleo).

Ou seja, se a nova estimativa estiver correta, Tupi tem potencial para até dobrar o volume de óleo e gás que poderá ser extraído do subsolo brasileiro.

Maior descoberta da história da estatal, o campo está localizado na chamada camada pré-sal, nova e promissora fronteira exploratória do subsolo marinho brasileiro. A área se estende ao longo dos litorais dos Estados de Santa Catarina ao Espírito Santo (bacias de Santos, Campos e Espíritos Santo). Fica abaixo de uma espessa camada de sal –sobre ela se concentrava até agora a exploração de petróleo no Brasil.

Com Folha de S.Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/folha/dinheiro/ult91u372404.shtml

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