Transpetro lança navio Zumbi dos Palmares construído no Estaleiro Atlântico Sul

23 de novembro de 2012

Blog da Petrobras
 23 de novembro de 2012

Transpetro lança navio Zumbi dos Palmares 

Transpetro lança navio Zumbi dos Palmares

A Transpetro e o Estaleiro Atlântico Sul (EAS) lançaram ao mar, nesta sexta-feira (23/11), o segundo navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) construído na Região Nordeste. O navio foi batizado de Zumbi dos Palmares, em homenagem ao alagoano símbolo da resistência negra contra a escravidão no Brasil.

O petroleiro suezmax Zumbi dos Palmares tem 274 metros de comprimento, 51 metros de altura e capacidade para transportar um milhão de barris de petróleo, o equivalente a quase metade da produção diária nacional. É o segundo de uma série de 10 petroleiros idênticos encomendados ao EAS. O primeiro deles, João Cândido, está em operação desde o dia 25 de maio de 2012.

“O lançamento deste navio é mais uma prova da capacidade do trabalhador brasileiro. É um novo passo para a consolidação de um polo naval no Nordeste, que gera milhares de empregos dignos. Ao invés de exportarmos empregos para trabalhadores de outros países, estamos criando oportunidades aqui”, afirmou o presidente da Transpetro, Sergio Machado.

O lançamento ao mar é o penúltimo marco na construção de um navio, antes da entrega ao armador para operação. Após o lançamento, a embarcação passa pelos acabamentos finais no estaleiro e pela prova de mar, que verifica o seu desempenho em uma viagem de curta distância. O Zumbi dos Palmares tem como madrinha a gerente de gestão de efetivos da Transpetro, Vânia Lúcia Claudina Cardoso.

Três embarcações do Promef já estão em operação: os navios de produtos Celso Furtado e Sérgio Buarque de Holanda, entregues pelo Estaleiro Mauá (RJ), e o suezmax João Cândido, pelo EAS. Na próxima terça-feira (27/11), será lançado ao mar, pelo Estaleiro Mauá, o navio Anita Garibaldi, primeiro de uma série de quatro petroleiros panamax encomendados pelo Promef ao estaleiro.

Com investimento de R$ 10,8 bilhões na encomenda de 49 embarcações, o Promef garantiu as bases para o ressurgimento da indústria naval brasileira, permitindo a abertura de novos estaleiros e a modernização dos estaleiros existentes. Antes do programa, a indústria naval brasileira passou 14 anos sem entregar petroleiros ao Sistema Petrobras.

O Brasil já tem a quarta maior carteira de encomendas de navios do mundo. O setor, que chegou a ter menos de dois mil trabalhadores na virada do século, emprega hoje mais de 60 mil pessoas.

Zumbi dos Palmares (1655-1695)

Zumbi dos Palmares nasceu no estado de Alagoas, em 1655. É considerado um dos grandes líderes da resistência negra à escravidão, na época do Brasil Colonial. Foi líder do Quilombo dos Palmares, em Alagoas, comunidade livre formada por escravos fugitivos de fazendas. Lutou pela liberdade de culto, de religião e pela prática da cultura africana no País. O dia de sua morte, 20 de novembro, é lembrado e comemorado em todo o território nacional como o Dia da Consciência Negra.

Ficha técnica do navio:
Tipo: petroleiro suezmax
Capacidade de transporte: 157 mil de Toneladas de Porte Bruto (TPB)
Comprimento total: 274,2 metros
Largura: 48 metros
Altura: 51,6 metros
Calado: 17 metros (compatível com a passagem pelo Canal de Suez, que liga o Mediterrâneo ao Mar Vermelho)
Pontal (distância entre o fundo e o convés): 23,2 metros
Velocidade: 14,8 nós
Autonomia: 20 mil milhas náuticas
Número de tanques: 14 tanques, sendo 12 de carga e 2 de sobra

Etapas da construção de um navio
Segundo tradição da indústria naval mundial, a construção de um navio tem cerimônias que marcam etapas fundamentais das obras: o corte da primeira chapa de aço, o batimento de quilha, o lançamento ao mar e a entrega ao armador. É importante ressaltar, sobretudo, a diferença entre o lançamento ao mar e a entrega ao armador:

1) Lançamento ao mar – Depois de concluída a edificação do casco, o navio é batizado e lançado ao mar, para os acabamentos finais. O lançamento libera o dique para o início das obras de uma nova embarcação. O navio em construção é transferido para o cais do estaleiro.

No cais, são feitas as obras de acabamento, as interligações dos vários sistemas e os últimos testes em equipamentos. Antes da entrega, o navio é geralmente levado de novo ao dique, para a limpeza do casco. Por fim, são feitas as provas de mar – viagens de curta duração que testam o desempenho geral da embarcação.

2) Entrega – Após a conclusão de todas as obras e testes, o navio é certificado por uma sociedade classificadora independente e entregue ao armador, para o início das operações.

Fonte: http://fatosedados.blogspetrobras.com.br/2012/11/23/transpetro-lanca-navio-zumbi-dos-palmares/

 


Petrobras e UFSC inauguram laboratórios de pesquisa em gás natural em Santa Catarina

18 de março de 2011

Agência Petrobrás de Notícias
18/3/2011

SC: Petrobras e UFSC inauguram laboratórios de pesquisa em gás natural

A Petrobras, em parceria com a Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), inaugurou, nesta sexta-feira (18), os Laboratórios de Pesquisa em Gás Natural do campus Trindade, em Florianópolis.  O desenvolvimento de equipamentos de transferência de calor que proporcionarão maior eficiência energética destaca-se entre as atividades dos novos laboratórios. O projeto faz parte do Programa Tecnológico para Mitigação de Mudanças Climáticas (Proclima), coordenado pelo Centro de Pesquisas e Desenvolvimento Leopoldo Américo Miguez de Mello (Cenpes).

“Será possível desenvolver novos tipos de trocadores de calor para processos da Petrobras, com maior eficiência e melhores características de manutenção”, aposta Fernando Vieira Castellões, gerente de Pesquisa e Desenvolvimento de Gás, Energia e Gásquimica da Petrobras.

Estudos de ferramentas computacionais inteligentes para aplicação nas atividades industriais de gás natural também serão realizados. Equipamentos térmicos para uso por consumidores comerciais e industriais de gás natural serão desenvolvidos.

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Evitando a “Maldição do Petróleo”

19 de novembro de 2010

O Dia Online
19/11/2010

Carlos Lessa: Longe da maldição

 

Crises econômicas, Instabilidade política, Golpes de Estado, Guerras civis, separatismo e terrorismo: um complexo de problemas que afeta diversos países exportadores de petróleo

Rio – A exploração do petróleo do pré-sal é resultado de mais de 40 anos de esforços da geologia brasileira e cuja situou a tecnologia petrolífera brasileira na vanguarda mundial.

 

Exportar petróleo cru é uma maldição, como nos mostram os exemplos de países exportadores, sendo a Indonésia e o México os casos mais dramáticos. Entre as dimensões claramente às economias exportadoras de petróleo cru estão: má distribuição de renda, gastos militares excessivos, perseguição de minorias, influência aberta ou subterrânea das potências importadoras e dos apetites das empresas processadoras do óleo exportado cru, episódios dramáticos nas tentativas de estabelecimento de soberania nacional. A exceção é a Noruega, altamente civilizada e com procedimentos de justiça social amadurecidos.

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Petrobras assina contrato para construção de oito cascos de plataformas do tipo FPSO para o pré-sal

11 de novembro de 2010

Agência Petrobrás de Notícias
11/11/2010

Petrobras assina contrato para oito cascos do pré-sal

 

A Petrobras informa que, juntamente com seus parceiros (BG, Galp Energia e Repsol) e por meio de suas afiliadas Tupi-BV e Guará-BV, assinou hoje com a empresa brasileira Engevix Engenharia S.A dois contratos no valor total de US$ 3,46 bilhões para construção de oito cascos das plataformas destinadas à primeira fase de desenvolvimento da produção do polo pré-sal da Bacia de Santos.

 

Essas unidades, batizadas de “replicantes”, integram a nova geração de unidades de produção concebidas segundo parâmetros de simplificação de projetos e padronização de equipamentos. A produção em série de cascos idênticos permitirá maior rapidez no processo de construção, ganho de escala e a consequente otimização de custos.

Cada plataforma, todas do tipo FPSO (unidade que produz, armazena e transfere óleo e gás), terá capacidade para processar diariamente até 150 mil barris de óleo e 6 milhões de m3 de gás. A previsão é de que todas as unidades entrem em operação até 2017, sendo de grande importância estratégica para que a Companhia alcance as metas de produção previstas para o polo pré-sal da Bacia de Santos em seu Plano de Negócios. A expectativa é que estas plataformas acrescentarão cerca de 900 mil barris de óleo por dia à produção nacional, quando estiverem operando com a capacidade máxima.

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Setor de Petróleo & Gás pode empregar até 2,5 milhões em 2020

16 de agosto de 2010

Valor Online

16/08/2010

Setor de óleo e gás pode empregar até 2,5 milhões em 2020, diz Onip

Rafael Rosas

RIO – A Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip) estima que o número de empregos na cadeia de petróleo e gás no Brasil pode atingir entre 2,110 milhões e 2,5 milhões em 2020, caso a Agenda de Competitividade apresentada hoje pela instituição seja implementada. Sem as demandas do documento atingidas, a projeção da Onip é de que o setor tenha entre 630 mil e 860 mil empregos em 2020.

A agenda apresentada pela Onip prevê dez políticas setoriais, que vão desde a disseminação do conhecimento e inovação ao longo da cadeia ao acesso, em termos competitivos, das matérias-primas, insumos e infraestrutura.

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BNDES quer que indústria naval seja sustentável a longo prazo

11 de agosto de 2010

Agência Brasil

11/08/2010

BNDES quer que indústria naval seja sustentável a longo prazo

Alana Gandra

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) realiza estudo que vai identificar o tamanho real da indústria naval no Brasil. O banco acredita que o setor naval nacional tem todas as condições de crescer e competir com os concorrentes internacionais.

Segundo o gerente do Departamento de Gás e Petróleo e Cadeia Produtiva do BNDES, Luiz Marcelo Martins Almeida, a instituição quer evitar que se repita o desastre registrado nas décadas de 70 e 80, quando a indústria naval chegou a contratar 40 mil empregados que, de uma hora para outra, foram reduzidos a zero.

Almeida representa o BNDES na 7ª Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore (Navalshore), que será aberta hoje (11), no Rio. Até julho deste ano, haviam sido desembolsados pelo banco, para o setor naval, R$ 517 milhões, com recursos do Fundo de Marinha Mercante. A expectativa, entretanto, é de que o valor liberado até dezembro atinja R$ 1,8 bilhão.

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Conteúdo nacional nas compras da Petrobras é de cerca de 80% e compras cresceram 400% impulsionando a indústria nacional

10 de agosto de 2010

Agência Petrobrás de Notícias

10/8/2010

Conteúdo nacional nas aquisições da Petrobras é de cerca de 80%

 

Com um crescimento de 400% nas contratações no País, a política da Petrobras de participação máxima do mercado nacional na aquisição de bens e serviços no Brasil elevou o conteúdo nacional mínimo de 57% (2003) para 77,34% (2010). Dentro dos padrões internacionais de qualidade, prazo e custo, as aquisições no mercado nacional passaram de US$ 5,2 bilhões em 2003, para US$ 25,9 bilhões em 2009. Os percentuais de realização de conteúdo nacional de 2004 a 2010 foram sempre superiores às metas previstas.

A confiança da Petrobras no mercado supridor nacional e a capacidade de resposta desse mercado permitiram que, mesmo com o grande crescimento das encomendas, a parcela nacional das contratações da Companhia registrasse um crescimento constante e acima da meta ao longo dos últimos anos.

 

Todas as áreas de atuação

A política de estímulo à indústria nacional – Política Industrial Dirigida por Demanda -, praticada pela Petrobras, abrange todos os setores de atuação da Companhia. Essa política tem o objetivo de utilizar seu poder de compra para ampliar a competitividade dos fornecedores nacionais. Esse aumento da competitividade vem sendo conquistado por meio do incentivo para adequação do parque supridor nacional, que vai desde a qualificação de profissionais, estruturação de mecanismos de financiamento, estímulo às parcerias entre empresas nacionais e estrangeiras, até a viabilização de novas fábricas no País.

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Sustentabilidade da indústria naval depende de investimentos em pesquisa e desenvolvimento

10 de agosto de 2010

Agência Brasil

10/08/2010

Sustentabilidade da indústria naval depende de investimentos em pesquisa, diz professor

Alana Gandra

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A sustentabilidade da construção naval brasileira ainda depende de fatores como investimentos em pesquisa e desenvolvimento e a formação de recursos humanos, atrelados às políticas para o setor. A observação foi feita pelo professor Floriano Pires, do Programa de Engenharia Oceânica da Coordenação de Pós-Graduação de Engenharia (Coppe) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Ele lembrou que a indústria naval no país se encontra em um momento de efervescência após a retomada das atividades, iniciada nos anos 2000. Pires vai falar sobre o tema na 7ª Feira e Conferência da Indústria Naval e Offshore (Navalshore), que começa nesta quarta-feira (11) no Rio.

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Pré-sal estimula o desenvolvimento tecnológico no Brasil

27 de julho de 2010

Blog da Petrobrás – Fatos e Dados

27 de julho de 2010

Pré-sal estimula desenvolvimento tecnológico no país

A exploração do pré-sal vem estimulando o desenvolvimento tecnológico no país das empresas que atuam no setor. Exemplo disso é a construção de centros tecnológicos, na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro. As empresas contam com a proximidade do Cenpes (Centro de Pesquisa da Petrobras) e do maior campus da UFRJ.

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Renascida das cinzas, a indústria naval brasileira pode contratar 300 mil pessoas até 2014

28 de junho de 2010

Agência Brasil

27/06/2010

Renascida, a indústria naval deve contratar gente suficiente para lotar três Maracanãs até 2014

Vladimir Platonow

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A retomada das atividades na indústria naval brasileira está multiplicando empregos em terra firme. O país, que já foi o terceiro maior construtor de navios na década de 1970, viu o setor praticamente falir nas duas décadas seguintes. Hoje, os estaleiros comemoram a retomada do crescimento, impulsionada principalmente pelo setor petrolífero, com as descobertas no pré-sal, e também pela volta do investimento no transporte marítimo e fluvial, que há muito estava esquecido, substituído pelo transporte rodoviário.

Nos últimos dez anos, os empregos diretos gerados na área pularam de 1,9 mil em 2000 para 46,5 mil em 2009. Em 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil, os postos de trabalho diretos devem chegar a 60 mil e os indiretos, a 240 mil, gente suficiente para lotar três estádios como o Maracanã. Os dados são do relatório Cenário 2010 – 1º Trimestre, do Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore (Sinaval). O relatório completo pode ser acessado na internet (acesse aqui).

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Indústria naval brasileira será tão competitiva quanto a asiática

24 de junho de 2010

Agência Brasil

24/06/2010

Indústria naval brasileira será tão competitiva quanto a asiática

Vitor Abdala

Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Em cinco anos, a indústria naval brasileira deve se tornar tão competitiva quanto as do Japão, da China e Coreia do Sul, disse hoje (24) o ministro da Secretaria Especial dos Portos da Presidência da República, Pedro Brito. Ele fez a previsão durante o lançamento do navio de transporte de petróleo Celso Furtado, que integra o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef), da Transpetro, subsidiária da Petrobras.

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Lançamento do 2º navio da Petrobrás construído pelo Promef, no Rio de Janeiro

24 de junho de 2010

Agência Petrobrás de Notícias

24/6/2010

Transpetro lança ao mar navio construído no RJ

Navio petroleiro Celso Furtado da Petrobrás: construído pelo PROMEF no Rio de Janeiro

A Transpetro lançou ao mar hoje (24/6), no Estaleiro Mauá, o primeiro navio construído no estado do Rio de Janeiro para o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). O lançamento teve a presença do ministro da Secretaria Especial de Portos, Pedro Brito, da presidente em exercício da Petrobras, Graça  Foster, e do presidente da Transpetro, Sergio Machado. O evento marca o reencontro do estado, berço da indústria naval no País, com uma de suas vocações econômicas.

O navio foi batizado Celso Furtado em homenagem ao economista que participou da criação da Sudene (Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste) e lançou os fundamentos do mais recente ciclo de desenvolvimento do país. Como madrinha, a Transpetro resolveu homenagear sua força de trabalho, escolhendo Giovana da Silva Almeida de Morais, funcionária do quadro de marítimos, hoje imediata do navio Pedreiras. “É uma honra ter sido escolhida madrinha, representando os marítimos. Meu sonho é ser, no futuro, comandante de um dos novos navios do Promef”, afirmou Giovana.
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Vídeo: Como as encomendas de navios da Petrobrás reativaram a Indústria Naval no Brasil

31 de maio de 2010

Vídeo com depoimentos dos trabalhadores do Estaleiro Atlântico Sul revela como as encomendas de navios da Transpetro mudou a vida de milhares de pessoas em Pernambuco.

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Investimento no Pólo Naval de Rio Grande-RS soma R$ 14 Bi

27 de maio de 2010

O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010

Investimento no polo naval soma R$ 14 bi

Rio Grande recebe R$ 13 bilhões em investimentos na indústria de navios e plataformas marítimas e mais R$ 1 bilhão, em outros negócios

Elder Ogliari

PORTO ALEGRE – O Estado de S.Paulo

Os investimentos bilionários em diques, estaleiros, cascos de navios e plataformas marítimas são a parte mais vistosa, mas não a única, do polo naval em Rio Grande, no sul do Rio Grande do Sul. Estão em andamento obras de ampliação das vias de acesso e do calado do porto, ao custo de quase R$ 700 milhões. Juntos, eles atraem dezenas de outros projetos privados, que somam cerca de R$ 1 bilhão.

A onda de crescimento começou com a Petrobrás. A estatal encomendou as plataformas P-53, já concluída, P-55, em construção, e P-63, a ser iniciada em breve, a consórcios privados, e a construção de oito cascos de navio FPSO ao grupo Engevix, a ser feita no Estaleiro Rio Grande 1, que o grupo W Torre construiu. Agora, segundo a Secretaria Estadual do Desenvolvimento e dos Assuntos Internacionais (Sedai), 30 empresas já estão instaladas na área; sete estão construindo plantas; e outras 22 apresentaram projetos para se instalar. São empresas de fertilizantes, logística, alimentos, madeira, química e, agora, metalúrgicas.

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Petrobrás batiza seu mais novo navio petroleiro como “João Cândido”, em homenagem ao “almirante negro”

8 de maio de 2010

Petrobrás batiza seu mais novo navio petroleiro como “João Cândido”, em homenagem ao “almirante negro”

Lucas K. Oliveira

Cerimônia de Lançamento de Batismo do 1º Navio do Promef, batizado de “João Cândido” – 07/05/2010 – foto: Petrobras

Em cerimônia realizada em Pernambuco, o  Presidente Lula lançou ao mar o mais novo navio da Petrobrás,   batizado de “João Cândido”, em homenagem ao “almirante negro” que liderou a “Revolta da Chibata” há um século atrás, em 1910. Fabricado pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS), em Suape (PE) a fabricação do “João Cândido” é um marco histórico na recuperação da indústria naval brasileira, sendo o primeiro petroleiro deste porte encomendado no Brasil pela Petrobrás em mais de uma década. O último navio deste porte havia sido encomendado à indústria naval brasileira em 1987 e foi entregue com grande atraso, 10 anos depois. Este é apenas o primeiro dos 22 petroleiros, dentre um total de 49 embarcações, encomendadas pela Petrobras à indústria naval brasileira.

Filho de ex-escravos, João Cândido Felisberto liderou a “Revolta da Chibata” em 1910, quando os marinheiros se revoltaram contra os constantes castigos físicos (incluindo a chibata) utilizados até então pelos oficiais para punir seus subordinados. A cúpula da Marinha – naquela época formada predominantemente por membros da elite branca e aristocrática do Brasil -, defendia que os castigos físicos eram a melhor forma de punir os erros dos marinheiros, em sua maioria, negros e mestiços filhos de ex-escravos.

A abolição da escravidão ainda era algo recente na história do país. Parte significativa de nossa elite política e econômica era extremamente conservadora, a ponto de ter sido ampla a aceitação, entre setores da elite nacional, de idéias racistas divulgadas por eugenistas europeus e americanos. Chega a ser difícil de compreender como um país de mestiços aceitou idéias eugenistas que defendiam o “branqueamento” da população, como “solução” (?!) para o país se desenvolver.

Naquela época, parcela significativa da cúpula da Marinha ainda era dominada por uma mentalidade conservadora, elitista e escravocrata, que facilitava a aceitação de práticas como o açoitamento dos marinheiros. A manutenção deste tipo de tratamento retrógrado, desumano e degradante contra seus subordinados marinheiros, em sua maioria, de origem humilde, negros ou mestiços, levou à revolta.

João Cândido fez um grande bem à Marinha do Brasil, colaborando com sua modernização, livrando-a definitivamente dessas práticas nefastas de chicoteamento, que eram verdadeiras sessões de tortura dos marinheiros. Os oficiais mais conservadores, contrários a qualquer forma de modernização das Forças Armadas, construíram sobre a memória de João Cândido, o que ficou conhecido como “fantasma da insubordinação” e da “quebra de hierarquia”. Como todos sabemos, estes “fantasmas” voltariam a assombrar as Forças Armadas ao longo de todo o século XX. Obviamente este discurso da “insubordinação” e da quebra de hierarquia foi muitas vezes “construído” para acusar os “de baixo” de algo que os “de cima” também estavam cometendo, como em 1964, quando um grupo de oficiais das Forças Armadas se insubordinaram contra o Presidente da República e derrubaram o governo eleito pelo povo.

Na década de 1900-1910, os oficiais da Marinha descumpriam sistematicamente as ordens do próprio Presidente da República, Marechal Deodoro da Fonseca, que havia assinado o decreto número 3, de 16/11/1889, proibindo os castigos físicos aos soldados e marinheiros, incluindo expressamente a proibição do uso da chibata nestes castigos. Isto significa que, desde 1989 – portanto por mais de uma década -, oficiais da Marinha transgrediam simultaneamente a Lei e as ordens de um superior hierárquico, o Marechal Deodoro da Fonseca. Os oficiais que descumpriam o decreto presidencial, no entanto, não foram punidos, enquanto João Cândido, que liderou um movimento de marinheiros a favor do cumprimento da Lei e da modernização da Marinha, foi simplesmente expulso da corporação. Durante toda sua vida o marinheiro lutou para ser reincorporado à Marinha, mas nunca conseguiu, morrendo solitário e discriminado, em 1969.

Olhando retrospectivamente, João Cândido defendera o ideal da modernização da Marinha – e neste sentido, das Forças Armadas -, ao menos uma década antes do surgimento do movimento tenentista, que nos anos 1920-1930, defenderia a modernização das Forças Armadas e de todo o país.

Embora tenha sido reconhecido como herói popular nacional, imortalizado em canções populares como “almirante negro”, foi somente em 2005 que seu nome foi incluído no “Livro dos Heróis da Pátria”, que se encontra no Panteão da Pátria e da Liberdade Tancredo Neves, na Praça dos Três Poderes, em Brasília (DF).  Entretanto, João Cândido só foi realmente anistiado em 2008, sem ter sido reincorporado post mortem à Marinha. Isto significa que sua anistia não significou qualquer direito à sua família  a qualquer forma de indenização, e ele continua com a patente que tinha quando foi punido com a expulsão da corporação.

Considerando que faltam heróis negros e mestiços entre os patronos das nossas Forças Armadas, é muito triste ver como ainda temos resistências na Marinha em homenageá-lo. Talvez isto torne a iniciativa da Petrobrás ainda mais louvável.

Esse navio marca a recuperação da indústria naval brasileira, sendo o primeiro petroleiro deste porte, encomendado no Brasil, pela Petrobrás, em mais de uma década. O último navio deste porte havia sido encomendado em 1987 e foi entregue com grande atraso, 10 anos depois. Este é o primeiro dos 22 petroleiros, dentre um total de 49 embarcações, encomendadas pela Petrobras à indústria naval brasileira. Ao todo serão pelo menos 10 navios do tipo Suezmax, com 160 mil toneladas de porte bruto (TPB), com capacidade para transportar 1 milhão de barris de petróleo cada.

Cerimônia de Lançamento de Batismo do 1º Navio do Promef – 07/05/2010 – Foto: Petrobrás

A recuperação da indústria naval brasileira na última década, impulsionada pelas encomendas da Petrobrás, é algo realmente impressionante. Durante os anos 1990, o predomínio da mentalidade neoliberal justificou o desmonte do parque industrial brasileiro, e a indústria naval foi uma das mais afetadas. Os neoliberais argumentavam que a Petrobrás deveria ser guiada pela “lógica do livre mercado” e encomendar seus navios ao estaleiro que oferecesse os menores preços. Seguindo este tipo de ideologia, vários navios e plataformas petrolíferas foram encomendados a estaleiros chineses e coreanos, porque eram um pouco mais baratos, ou seja, o Brasil gerou milhares de empregos na Ásia, desempregou milhares de brasileiros aqui, sacrificando nossa indústria naval, tudo em nome do “neoliberalismo”.

Felizmente aquela década sombria acabou e na atual década, o Estado voltou a incentivar a economia nacional, exigindo que as empresas estatais ou semi-estatais priorizassem compras no Brasil, para gerar empregos, tecnologia e renda no país, e não no exterior.

Este navio é o primeiro de uma série de encomendas que foi fundamental para, quase literalmente, “reerguer das cinzas” a indústria naval brasileira, que tantos empregos produzia no passado e, que, atualmente voltou a empregar milhares de trabalhadores em todo o país. O pólo naval de Suape, no estado de Pernambuco, em torno do Estaleiro Atlântico Sul, criou milhares de empregos mais qualificados e melhor remunerados à população da região. Batizar este navio de “João Cândido” é uma ação cheia de simbolismo e de esperança, não apenas para os trabalhadores nordestinos que o construíram, mas para todo o povo brasileiro.

Acredito que sentiríamos ainda mais orgulho de sermos brasileiros se algum dia tivermos um navio importante na Marinha do Brasil com o nome de “João Cândido”. Uma opção interessante, seria incluí-lo como patrono de alguma armada ou frota, ou ainda, alguma base naval. Mas provavelmente, antes disso, seria interessante que a Marinha batizasse em sua homenagem, navios estratégicos, como um submarino, ou, quem sabe até, no futuro, um novo navio-hospital multipropósito. Seria muito interessante podermos enviar para missões de paz no exterior, um navio-hospital que leva em seu nome uma parte tão relevante da história das lutas sociais deste país, em um momento em que se mesclaram com as lutas pela modernização das Forças Armadas. Obviamente, o primeiro passo para isto seria a reincorporação post mortem de João Cândido à Marinha. Mas fica a sugestão para qualquer deputado que queira apresentar um projeto destes…

A seguir estou postando um texto, bastante interessante, acessado a partir do twitter do presidente da Petrobrás, Sérgio Gabrielli. É um texto do jornalista Beto Almeida, sobre o herói popular brasileiro João Cândido, nome dado ao mais novo navio petroleiro da Petrobrás (clique aqui para ver o post anterior). O texto nos faz pensar um pouco mais sobre o Brasil do passado e de hoje, nossos heróis históricos e nossos heróis vivos, nosso presente e o que queremos para o futuro da nação. Embora tenha sido imortalizado em canções populares, seria muito interessante que um dia, também que o “almirante negro” fosse um dia reconhecido como herói também pela Marinha do Brasil.

Lucas K. Oliveira

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Agência Carta Maior

07/05/2010

João Cândido, petróleo, racismo e emprego

A Transpetro lançou ao mar o navio petroleiro João Cândido. Batizado com o nome de um dos nossos heróis, marinheiro negro, filho de escravos e líder da Revolta da Chibata, o navio tem 247 metros de comprimento, casco duplo que previne acidente e vários significados históricos. Primeiro, leva a industrialização para Pernambuco, contribuindo para reduzir as desigualdades regionais. Em segundo lugar, dá um cala-boca para quem insinuou de forma maldosa que o PAC era apenas virtual. Em terceiro, prova que está em curso a remontagem da indústria naval brasileira criminosamente destruída na era da privataria. O artigo é de Beto Almeida.

Beto Almeida (*)

Nesta sexta-feira a Transpetro lançou ao mar o navio petroleiro João Cândido. Continue lendo »


Petrobras recebe o primeiro navio “Suezmax” construído no Brasil em mais de uma década

7 de maio de 2010

Agência Petrobrás

07/05/2010

Transpetro lança ao mar primeiro navio do Promef

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou hoje (7/05) ao mar o primeiro navio do Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef) no Estaleiro Atlântico Sul (EAS), no porto de Suape, em Pernambuco. O navio do tipo Suezmax é um marco histórico para a indústria naval brasileira. Trata-se da primeira embarcação de grande porte construída no Brasil a ser entregue ao Sistema Petrobras em 13 anos. A última havia sido o Livramento, cuja construção foi encomendada em 1987 e levou 10 anos para ser concluída.

Cerimônia de Lançamento de Batismo do 1º Navio do Promef, o Suezmax "João Cândido" - 07/05/2010 - Foto: Petrobrás

“A construção deste navio tem que ser levada a sério por nós. É a auto-afirmação de um povo, que durante muito tempo foi esquecida”, afirmou o presidente da República. A determinação do presidente Lula de que fosse retomada a construção de navios e plataformas de produção de petróleo no País foi o alicerce do Promef, criado em 2004 para revitalizar a indústria naval em bases globalmente competitivas, a partir da encomenda de 49 navios.

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Demanda da Petrobras sustenta salto nos negócios no Brasil

3 de maio de 2010

Valor Econômico

03/05/2010

Demanda firme da Petrobras sustenta salto nos negócios

Cláudia Schüffner, do Rio

Poucas empresas no Brasil dimensionam tão bem o salto em inovação, tecnologia e, obviamente, produção de petróleo, que o país deu nos últimos dez anos como a ChemTech. Nesse período, a empresa especializada em projetos de engenharia viu crescer sua lista de clientes depois de conquistar, em 2001, um contrato para implementar software de “inteligência operacional”. Ele permite visualizar em tempo real dados de 25 refinarias da ExxonMobil espalhadas pelo mundo.

Daniel Moczydlower, 34 anos, presidente da ChemTech, começou a carreira como estagiário em 1998. Desde então, viu a participação do setor de petróleo e gás no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro saltar de 5,5 % para 12% em uma década, segundo cálculo recente da Organização Nacional da Indústria do Petróleo (Onip). Os últimos dados oficiais disponíveis, da Agência Nacional do Petróleo (ANP), param em 2006, mostrando uma participação de 10,6 %.

Nos últimos dez anos, o faturamento da ChemTech cresceu de R$ 20 milhões para cerca de R$ 200 milhões por ano, segundo estimativas do mercado. Ela é um dos exemplos de empresas brasileiras que desenvolveram tecnologia e souberam surfar nas ondas do setor petrolífero. Cresceu e transformou-se, de 2000 até hoje, em grande parte empurrada pela intensa transformação do setor nos anos 2000, quando o país conquistou a autossuficiência da produção e assistiu ao agigantamento da Petrobras, contrariando temores de que após a quebra do monopólio a estatal fosse “engolida” pelas companhias estrangeiras que passaram a atuar no Brasil.

Ao contrário, a Petrobras cresceu em todos os indicadores que se use como comparação: produção, valor de mercado ou reservas. “O fato é que a Petrobras ganhou uma eficiência que antes não tinha”, afirma Haroldo Lima, diretor-geral da ANP e um ex-opositor ferrenho da quebra do monopólio.

Outro destaque foi o aumento da participação de empresas nacionais na cadeia produtiva do setor. A Lupatech é outra empresa que passou por um processo de crescimento e diversificação da atividade e tornou-se a maior companhia nacional de equipamentos e serviços para a indústria de óleo e gás. De 2000, quando assumiu o controle da MNA, uma tradicional empresa do setor de metalurgia que fabricava válvulas, até hoje ela aumentou o faturamento mais de quinze vezes, de R$ 47 milhões para R$ 627 milhões e o número de funcionários, que era de 573, chega a quase 3 mil.

A Lupatech tem 21 unidades industriais e produz equipamentos para operação em águas profundas não só no Brasil. A empresa forneceu cabos de ancoragem para a BP na África e válvulas para a Shell na Malásia. A oportunidade de internacionalização da indústria nacional é consequência do impulso dado ao conteúdo local nas licitações da ANP e nas compras da Petrobras. Isso pode ser visto no cadastro de fornecedores da Onip, que tinha 28 empresas há dez anos e hoje tem 1.979.

Elói Fernandez y Fernandes, diretor- geral da Onip, chama a atenção para os investimentos em ciência e tecnologia, que em 2000 não podiam ser quantificados, já que o único dinheiro disponível vinha do orçamento do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes) e hoje contam com recursos de R$ 2 bilhões, metade destinado ao CT-Petro, fundo setorial da indústria de petróleo e gás constituído por parte dos royalties pagos sobre a produção, e a outra metade vinda das empresas que produzem em campos gigantes (que pagam Participação Especial) e são obrigadas a investir 1% do faturamento dessas áreas em ciência e tecnologia.

Após a abertura do setor à participação estrangeira, que começou mais fortemente em 1999, com o primeiro leilão de áreas da ANP – antes a Petrobras tinha feito parcerias -, a produção de petróleo do Brasil saltou de 1,3 milhão de barris de petróleo por dia para 1,95 milhão de barris por dia, aumento de 60%. O país, que gastou US$ 7 bilhões com importações de petróleo e derivados em 2001 para atender a um consumo de 1,85 milhão de barris por dia de combustíveis, entrou 2010 com superávit em volume e exportando gasolina.

A tão sonhada autossuficiência foi alcançada em 2006. A Petrobras nesse período ampliou seus tentáculos. A internacionalização da estatal, que começou fortemente pela Argentina e Estados Unidos, foi ampliada com a presença da companhia em 25 países na América do Norte, América do Sul, Europa, Ásia, África e Oceania, através de algumas das 308 empresas que formam o Sistema Petrobras.

O número de empresas atuando no setor – em 2000 havia a Petrobras e outras cinco com produção incipiente – hoje é de 25 companhias. Empresas de grande porte, e não somente as pequenas, produzem petróleo e gás no Brasil e preveem aumento da produção.

A Shell produz nos campos Bijupirá-Salema e no Parque das Conchas, na bacia de Campos, 117 mil barris de petróleo por dia. Dados da ANP mostram que a Chevron produz uma média de 21,6 mil barris por dia em Frade e a BP, que recentemente adquiriu ativos da Devon, passou a produzir através do campo de Polvo, 15,8 mil barris por dia em média, ambos na bacia de Campos. Todo o óleo extraído no mar pelas empresas internacionais é exportado pelas companhias, que só teriam como compradora no país a Petrobras.

Ainda vedete na produção nacional durante as últimas três décadas, a bacia de Campos agora divide as atenções e investimentos com a bacia de Santos, onde uma nova fronteira foi descoberta em 2007, quando foi possível perfurar através de uma barreira de sal com 2 mil metros de espessura até chegar ao gigantesco Tupi, no pré-sal. A descoberta deve colocar o Brasil entre os maiores produtores do mundo nas próximas décadas.

Para o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, o grande salto na produção não foi resultado da abertura do setor, mas sim devido a uma característica da indústria que trabalha com horizontes muito longos. O executivo atribui o salto da produção na última década à entrada em operação de campos descobertos antes da Lei 9.478/97 (Lei do Petróleo) como Albacora (descoberto em 1984), Marlim (1985) e Roncador (1996). Este último detentor das maiores reservas do país enquanto Tupi não for declarado comercial.

Entre os principais destaques dos últimos dez anos, Gabrielli menciona a pulverização do capital da Petrobras, que colocou a ação da empresa na lista de mais negociadas da Bolsa de Valores de Nova York, a participação mais ativa da estatal nos leilões da ANP, o aumento da presença das empresas estrangeiras no Brasil e a recuperação da indústria de fornecedores da Petrobras tanto no que se refere à base naval como a de equipamentos para refino.

Elói Fernandez acha inegável que o marco regulatório de 1998 aumentou a eficiência do setor, inclusive da Petrobras. “Ela se tornou mais competitiva interna e externamente. Mas o sucesso do modelo veio com o pré-sal. Isso é um processo histórico”, destaca Fernandez.

No caso da ChemTech, em 2001 o contrato com a Exxon veio depois que a alemã Siemens comprou 51% da empresa, fundada em 1989, em Ipanema, por três engenheiros químicos. Se a primeira década de vida foi duríssima devido à semiparalisação da economia brasileira, hoje a empresa tem em sua carteira de trabalhos executados o projeto de automação da plataforma de rebombeamento autônomo (PRA-1), e o Front-End Engineering and Design (Feed) da plataforma P-57, só para citar alguns da cliente Petrobras.

Em 2007, a empresa ganhou a concorrência para o projeto básico da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco, e no ano seguinte a do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). São projetos que estão entre os maiores do país nos últimos 30 anos. “Agora que estamos com estrutura grande no Brasil vamos precisar nos internacionalizar para captar projetos no exterior que serão executados aqui”, afirma Daniel Moczydlower, presidente da ChemTech.

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Gabrielli: investimentos superiores a US$ 2,5 bi no RS

4 de dezembro de 2009

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Blog da Petrobrás

04/12/2009

Rio Grande do Sul terá investimentos superiores a US$ 2,5 bi

Em seminário sobre o pré-sal nesta sexta-feira (4/12), em Porto Alegre (RS), o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, informou que dos US$ 174,4 bilhões de investimentos previstos no Plano de Negócios da Companhia até 2013, mais de US$ 2,5 bilhões serão destinados ao Rio Grande do Sul, em projetos no Pólo Naval de Rio Grande, em novas unidades da Refinaria Alberto Pasqualini (Refap) e novas instalações do Terminal de Rio Grande (TERIG), entre outras iniciativas. Gabrielli lembrou a importância da indústria naval gaúcha para o setor de petróleo e gás e reforçou a política da Petrobras de manter um mínimo de 65% de conteúdo nacional nas contratações para o setor.

O presidente falou sobre a importância da qualificação da mão-de-obra diante dos grandes desafios do pré-sal e reforçou que o Prominp (Programa de Mobilização da Indústria Nacional de Petróleo e Gás) treinou, até o momento, cerca de dois mil profissionais no Rio Grande do Sul. Outras três mil pessoas devem passar pelo Programa até 2013. Gabrielli afirmou que 87% dos profissionais já capacitados pelo Prominp estão hoje empregados na cadeia de fornecedores da Petrobras e indústria de petróleo e gás.

Na ocasião, Gabrielli apresentou os desafios da exploração do petróleo na camada do pré-sal e ressaltou que a produção brasileira de petróleo e gás deverá ser elevada em 7,5% ano, em média, até 2020, apenas com as áreas do pré-sal já concedidas. Segundo ele, o teste de formação realizado em Guará, na Bacia de Santos, “obteve resultados extraordinários, já que a capacidade de produção de um único poço alcançou 50 mil barris/dia. Ainda não podemos dizer exatamente qual o tamanho exato das reservas do pré-sal, mas é certo que trata-se de algo grandioso”, afirmou.

Gabrielli defendeu a escolha da Petrobras como operadora única do pré-sal. “A Petrobras é atualmente a maior operadora do mundo em águas profundas, com 22% de participação, é quem mais conhece o pré-sal. Ao controlar a operação, a Companhia poderá decidir qual a tecnologia a ser empregada, a forma de produzir e haverá a garantia de que o conhecimento adquirido com os campos do pré-sal ficará retido no país”, disse.

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O economista de Alckmin e o pré-sal

23 de novembro de 2009

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Coluna do Luis Nassif

23/11/2009

O economista de Alckmin e o pré-sal

Luis Nassif

Um dos sofismas mais comuns aos cabeças de planilha é levantar UMA relação causal – em qualquer análise -, superestimá-la, como se fosse a única,e não relativizá-la (não mostrando seu peso específico) a fim de poder trabalhar na sua dramatização.

Na semana passada, o Márcio Garcia – PUC-RJ – escreveu um artigo sobre a desvalorização do câmbio. Em suma dizia que se desvalorizar o câmbio, se aquecer a economia, se não houver infraestrutura, bate-se no PIB potencial e explode a inflação. É assim, simples, lembrando uma diretora de escola que suspendeu um aluno que colocou uma galinha no porta-mala: se hoje coloca uma galinha, amanhã colocará uma criança. É como se a economia tomasse um rumo inevitável, sem gradações, sem contrapesos, na direção única do abismo.

Agora é o incrível Samuel Pessôa – o economista que deu o nó no cérebro do Geraldo Alckmin, tornando-se responsável por suas idéias econômicas nas últimas eleições – que prevê um desastre para o país se se decidir tocar o Pré-Sal com maioria de fornecedores internos. Ou seja, uma política que gere industrialização, emprego, aumento da receita tributária, desenvolvimento tecnológico…. poderá acabar com o Brasil. Me lembra o jornalista americano do jornal Rio News que, no início do século, já falava sobre essa fantástica lógica ortodoxa-kantiana dos economistas brasileiros, já na época de Joaquim Murtinho: eles propõem o contrário de tudo o que fizemos nos EUA e dizem que, se fizerem assim, conseguirão o desenvolvimento.

É uma lógica surrealista a dele. Confira na matéria. Que, aliás, comprova que, nos últimos anos, o outroa respeitado IBRE-FGV se transformou em uma colcha de retalhos de refrões econômicos.

Do Valor Econômico

Ambição com o pré-sal pode virar desastre, diz Pessôa

Leia mais – Texto comentado por Luis Nassif  – »

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Transpetro recebe propostas para construção de navios gaseiros

12 de novembro de 2009

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Agencia Petrobras de Notícias

12/11/2009

Transpetro recebe propostas para construção de navios gaseiros


A Transpetro recebeu nesta quinta-feira, dia 12, as propostas técnicas e comerciais relativas à licitação de oito navios gaseiros do Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef). Apresentaram propostas os estaleiros Mauá, Eisa, e Promar Ceará. A próxima etapa será uma análise da conformidade das propostas técnicas dos concorrentes com as exigências do edital. O resultado desta análise será anunciado em data a ser definida pela Comissão de Licitação. Posteriormente, serão abertas as propostas comerciais.

Foram reunidos em um único lote todos os gaseiros (navios para transporte de GLP – gás liquefeito de petróleo) que compõem o programa, sendo quatro de 7.000 m³, dois de 12.000 m³ e dois de 4.000 m³. A construção dos navios terá que ser realizada em estaleiro localizado em território nacional e atingir um índice de nacionalização de 70%, no mínimo, na compra de equipamentos e serviços.

De acordo com o edital, as empresas concorrentes devem apresentar o planejamento da preparação do estaleiro para a construção dos oito gaseiros, acompanhado de cronograma com a indicação das principais metas a serem atingidas. No caso do licitante optar pela implantação de um novo estaleiro para a construção dos navios, o detalhamento deverá incluir a definição do local proposto e a descrição de todas as etapas da obra, com indicação dos recursos necessários e fontes de financiamento, além de um cronograma integrando a obra do estaleiro com a construção dos navios.

O Promef – que revitalizou a indústria naval brasileira – vai gerar 40 mil empregos diretos e prevê a construção de 49 navios, num total de 4 milhões de toneladas de porte bruto. Já foram licitadas 33 embarcações, sendo que seis delas serão lançadas ao mar em 2010.

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Bahia defende divisão democrática dos royalties do pré-sal

7 de novembro de 2009

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Jornal Feira Hoje

07/11/2009

Bahia defende divisão dos royalties gerados com exploração do pré-sal

Sérgio Jones

A divisão democrática dos royalties que serão gerados com a exploração do pré-sal, entre todos os estados brasileiros, foi defendida pelo governador Jaques Wagner, nesta sexta-feira (6), durante o seminário O Brasil na Era do Pré-Sal, realizado no espaço Unique, na Avenida Tancredo Neves, com a presença do ministro das Minas e Energia, Edson Lobão.

A proposta é criar um fundo social que servirá para incentivar a educação, combater a pobreza e contribuir para a sustentabilidade ambiental, levando os benefícios da nova descoberta, hoje concentrados ao longo dos 800 quilômetros entre Espírito Santo e Santa Catarina, para todos os estados.

Para Wagner, independente de onde esteja o novo patrimônio, a riqueza deve servir para favorecer o povo brasileiro. “O que importa é que o Brasil, agora, tem uma nova riqueza. Não importa em que estado ela esteja concentrada. Precisamos fazer com que estes recursos sirvam para melhorar a qualidade de vida do povo brasileiro e diminuir as diferenças culturais”.

O presidente da Petrobras, Sérgio Gabrielli, afirmou que a exploração do pré-sal na Bahia possibilitará ao estado uma maior expansão no setor da indústria naval. “O impacto desta exploração será em toda a cadeia produtiva da Bahia, em especial da indústria naval. O ritmo de construção de estaleiros depende da iniciativa da própria indústria naval”.

A Bahia pode ser um dos estados a fazer parte da Era Pré-Sal. Na Bacia do Jequitinhonha, Costa da Bahia, a Petrobrás continua realizando perfurações devido a indícios de óleo na região. De acordo com Gabrielli, já foram perfurados mais de 2.700 metros. O seminário contou ainda com a participação da governador do Piauí, Wellington Dias.

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Presidente da Petrobras: ‘Pré-sal vai aquecer demanda por estaleiros’

6 de novembro de 2009

http://correio24horas.globo.com/noticias/noticia.asp?codigo=40738&mdl=48

Correio da Bahia

06/11/2009

Presidente da Petrobras: ‘Pré-sal vai aquecer demanda por estaleiros’

Felipe Corazza
Redação CORREIO
Fotos: Daniel Barbosa

O papel das empresas e da nova estatal para cuidar da exploração do petróleo na camada pré-sal – a Petrosal – é o tema do segundo painel desta sexta-feira (06) no Seminário Brasil na Era Pré-Sal, promovido pelo CORREIO. O debate reúne em Salvador o presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli,  o senador Antonio Carlos Júnior (DEM-BA), o presidente do Instituto Brasileiro do Petróleo, José Carlos de Luca, e o vice-presidente da Confederação Nacional da Indústria, José de Freitas Mascarenhas.

Gabrielli afirma: ‘Pré-sal vai aquecer demanda por estaleiros’


Antes do início do painel, o presidente da Petrobras declarou que o efeito do pré-sal para a economia baiana virá, como em outros estados, em uma cadeia produtiva de suprimentos para a exploração petrolífera. No caso da Bahia, especificamente, Gabrielli aposta em uma retomada da indústria naval: ‘Haverá uma demanda muito grande para os estaleiros’.

Presidente da Petrobras participa do Seminário Brasil na Era Pré-Sal


Ainda segundo Gabrielli, as licitações para compra de 28 sondas construídas no Brasil já estão em andamento. ‘Os equipamentos serão produzidos no Brasil e vamos receber as ofertas até março de 2010’.

O debate segue até as 16h30. Continue acompanhando a cobertura completa no Correio24Horas e no perfil no Twitter – http://twitter.com/correio24horas

Leia também:
Ministro de Minas e Energia abre seminário ‘Brasil na Era Pré-Sal’
Especial: Seminário Brasil na Era Pré-Sal

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Petrobras inaugura laboratório dedicado à engenharia naval

6 de novembro de 2009

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Petrobras inaugura laboratório dedicado à engenharia naval

06/11/2009

Foto: Divulgação Petrobras

A Petrobras e o Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) inauguraram nesta sexta-feira (6/11), em São Paulo, o Laboratório de Engenharia Naval, na USP (Universidade de São Paulo). O espaço passou por uma completa reformulação física e tecnológica, tornando-se o mais moderno da América Latina em sua área de atuação. Assim, o IPT passa a ter condições de atender às novas demandas de suporte tecnológico da Petrobras e da Transpetro para os setores de transportes marítimos e de construção de plataformas de petróleo.

Participaram da solenidade Sergio Machado, presidente da Transpetro, Carlos Tadeu da Costa Fraga, gerente executivo do Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), Alberto Goldman e Geraldo Alckmin, respectivamente vice-governador e secretário de desenvolvimento do Estado de São Paulo, João Fernando Gomes de oliveira, diretor do IPT , Carlos Padovezzi – diretor do centro de Engenharia Naval e Oceânica e Alan Kardec Barros Filho – diretor da Agência Nacional do Petróleo.

A reforma do Laboratório de Engenharia Naval do IPT faz parte de uma estratégia de investimentos da Petrobras em universidades e institutos de pesquisa brasileiros que tem possibilitado uma significativa transformação na infraestrutura laboratorial da academia nacional. Desde 2006, a Petrobras tem investido cerca de R$ 400 milhões por ano em cerca de 80 instituições de todo o Brasil, que, organizadas em redes temáticas coordenadas pelo Centro de Pesquisas da Petrobras (Cenpes), desenvolvem soluções tecnológicas para os principais desafios da indústria de energia.

Segundo Carlos Tadeu, do Cenpes, a inauguração do laboratório vai ao encontro dos objetivos da Petrobras. Uma vez que vai assegurar a continuidade da pesquisa em infraestrutura experimental, base para o desenvolvimento tecnologia no país. Ressaltou ainda que os estudos no IPT vão colaborar para o desenvolvimento não somente da Petrobras, mas de toda a industria naval. O que coloca o Brasil em caráter de igualdade em pesquisas na área em relação a outros paises como EUA e Canadá.

O projeto do novo Laboratório de Engenharia Naval do IPT tem o objetivo de ser um centro multiusuários, com 15 estações de trabalho para pesquisadores, projetistas e clientes do Instituto; incrementar a capacitação laboratorial do Centro, por meio de equipamentos modernos de medição para ensaios no tanque de provas, túnel de vento e túnel de cavitação (estudo de hélices); e reduzir o tempo de construção de modelos físicos para serem testados nesses laboratórios.

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Usiminas investe R$ 1 bilhão para atender demanda do pré-sal

28 de outubro de 2009

Estado de Minas
27/10/2009

Usiminas investe R$ 1 bilhão pelo pré-sal

Empresa, que lucrou 23% a mais no terceiro trimestre, quer disputar o mercado aberto pela exploração da camada

Marta Vieira

Produção da Usiminas em Ipatinga: por enquanto, siderúrgica mantém suspensos investimentos em expansão

 

Para disputar com aços de alta resistência o aumento do consumo da matéria-prima nos setores de petróleo e gás e na indústria naval, a Usiminas vai investir R$ 1 bilhão nos próximos três meses em projetos que ficaram a salvo das fortes medidas de ajuste adotadas pela siderúrgica depois da crise financeira mundial. Entre as principais obras mantidas, a unidade de Ipatinga está sendo preparada para atender exigências do programa de exploração da camada pré-sal, e a Cosipa, de Cubatão (SP), dá continuidade à instalação de um laminador de tiras a quente.

Apesar da recuperação da produção e das vendas no terceiro trimestre, o presidente da siderúrgica, Marco Antônio Castello Branco, disse ontem, que permanecem suspensos os planos para a construção de uma usina de placas em Santana do Paraíso, no Vale do Rio Doce.

Segundo o executivo, ao contrário de outras empresas do setor como a Gerdau, que anunciou esta semana a retomada de investimentos, a Usiminas não vê motivo suficiente para tocar projetos de expansão da sua capacidade produtiva. A reação do mercado brasileiro, de acordo com Castello Branco, tem se mostrado de forma sistemática nos últimos meses, mas de forma vagarosa.

“Achamos prematuro tomar essa medida. O cenário econômico, particularmente o cenário brasileiro, não está muito claro para nós. Estamos saindo de um período de reestocagem depois da queda muito grande do consumo”, afirmou, durante entrevista para divulgação dos resultados da siderúrgica de julho a setembro.

O projeto da nova usina só será reavaliado no fim do primeiro semestre do ano que vem. Embora a usina de Ipatinga esteja trabalhando a um ritmo de 80% da sua capacidade de produção de 12 mil toneladas por dia, também não há perspectiva de religamento do alto-forno 1. O equipamento ficará desligado em boa parte de 2010, na avaliação do presidente da siderúrgica, tendo em vista o consumo superior à produção de aço não só no Brasil, como no mundo. Para Castello Branco, o mercado brasileiro só voltará aos níveis pré-crise em meados de 2011 e início de 2012.

“Não são todos os setores que estão vendo a recuperação”, disse o executivo. Ele estima que a demanda por aço crescerá no Brasil para 22,5 milhões de toneladas em 2010, ante 20,8 milhões de toneladas neste ano, mas diante de excedentes de produção. Não é por outro motivo que a siderúrgica decidiu dar prioridade a investimentos para aumentar o valor de seus produtos. A Usiminas deve encerrar 2009 com desembolso de R$ 2,3 bilhões.

No terceiro trimestre as vendas da siderúrgica somaram 1,7 milhão de toneladas, sendo 1,1 milhão destinado ao mercado brasileiro, resultado que significou crescimento de 23% frente ao período de abril a junho. As exportações também se recuperaram, contribuindo para o balanço com crescimento de 109% ante o segundo trimestre. Tanto a receita líquida, de R$ 2,86 bilhões de julho a setembro, quanto o lucro líquido de R$ 454 milhões nesses meses mostraram crescimento, de 19% e 23%, respectivamente, frente ao trimestre anterior.

A performance da companhia de janeiro a setembro, no entanto, reflete os efeitos do baque no consumo de aço. Nos nove meses do ano, a receita líquida de R$ 11,98 bilhões ficou 34% abaixo da do terceiro trimestre de 2008, ante a redução das vendas e os descontos de preços que a siderúrgica se viu obrigada a negociar com seus clientes. O lucro líquido, de R$ 711 milhões, diminuiu 69% em comparação aos três primeiros trimestres do ano passado.

Anglo American

O grupo de mineração Anglo American anunciou ontem uma reestruturação que reduzirá um quarto dos empregados, com a demissão de 2,7 mil, e poupará US$ 120 milhões por ano. Informou também a criação de sete unidades descentralizadas de negócios. Duas das novas unidades teriam como base o Brasil, uma de minério de ferro e uma de níquel; três na África do Sul, a de platina, outra de minério e uma de carvão, enquanto outra unidade de cobre seria no Chile e a de cobre metalúrgico na Austrália.


A estratégia nacional e a energia

21 de outubro de 2009

http://www.cepen.org/2009/10/a-estrategia-nacional-e-a-energia/

CEPEN – Centro de Estudos de Políticas e Estratégias Nacionais

21 Outubro, 2009

A estratégia nacional e a energia

Darc António da Luz Costa

* texto publicado originalmente em 2001


A história do mundo industrial é uma história recente. É a história da apropriação da natureza através de uma forma nova de mediação. A partir do século XVIII, a apropriação da natureza deixou-se de fazer exclusivamente pela interação física do corpo humano ou do corpo das bestas com a natureza. A apropriação da natureza deixou de ser fruto exclusivo de trabalho humano ou animal. O homem havia descoberto que tinha capacidade de dar a natureza uma representação numérica razoavelmente satisfatória e ao fazê-lo poderia vir a utilizar-se desta nova capacidade para também se apropriar da natureza. O homem podia fazer ciência e com a ciência era capaz de criar tecnologia.

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O projeto governamental de Fundo Social do pré-sal: Problemas reais, imaginários, críticas e algumas propostas

20 de outubro de 2009

Comentários ao texto publicado em 20/10/2009: Ex-ministro diz que pré-sal pode causar desindustrialização

20/10/2009

O projeto governamental de Fundo Social do pré-sal:

Problemas reais, imaginários, críticas e algumas propostas

Lucas Kerr de Oliveira

Editor do Diário do Pré-Sal

Parece que a única coisa que o ex-ministro acertou em cheio foi no diagnóstico do risco que representa o “mal holandês”. Também conhecida como “doença holandesa”, quando o excesso de dólares sobrevaloriza o câmbio, é um problema sério pois pode provocar desindustrialização.
Também é interessante a defesa do ex-ministro de que o Fundo Social deva funcionar como um “Fundo para as Gerações Futuras”. Mas a justificativa que o ex-ministro usa é frágil, se apequena diante da grandiosidade do projeto, mas terá que ser polemizada a seguir.
Também é interessante alguma remuneração para os integrantes do Conselho Gestor, especificamente para os representantes da sociedade civil organizada. Para os que já são funcionários públicos, obviamente, não haveria esta necessidade.

No restante da argumentação, o ex-ministro está absolutamente equivocado.

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Para economista, pré-sal deve financiar transição energética

2 de outubro de 2009

http://www.valoronline.com.br/?impresso/especial/195/5851187/para-economista,-presal-deve-financiar-transicao-energetica

Valor Econômico

02/10/2009

Para economista, pré-sal deve financiar transição energética

Daniela Chiaretti

Para que a economia brasileira seja descarbonizada e esteja pronta a ser competitiva no mundo de 2020, o maior investimento necessário será em educação, pesquisa científica e no engajamento das empresas no processo de inovação tecnológica. Em paralelo, as riquezas do pré-sal têm que financiar a transição para outra matriz energética, aproveitando as vantagens comparativas do Brasil em biomassa, pequenas hidrelétricas, energia solar e eólica. “O pré-sal é uma benção, uma riqueza, mas é o passado”, diz nesta entrevista o economista e professor Sérgio Besserman Viana.

Besserman, que fez longa carreira no BNDES e presidiu o IBGE durante o governo Fernando Henrique, assina o capítulo “A Sustentabilidade do Brasil” do livro “Brasil pós-crise – Agenda para a Próxima Década”, organizado pelos economistas Fabio Giambiagi e Octavio de Barros. A obra, que acaba de sair (Editora Campus, 384 páginas, R$ 89), pretende estimular “propostas para que o Brasil de 2020 seja muito melhor que o de 2010”. Reúne textos de economistas e gente que pensa o Brasil. Coube a Besserman, junto com o colega José Eli da Veiga e o cientista político Sérgio Abranches, inserir os contornos da temática ambiental nesta pauta.

Os autores dizem ter tentado “introduzir na lógica econômica a consciência de que existem limites naturais em um planeta finito”. Eles explicam como enxergam o futuro: “A agenda do século XXI será presidida pelas escolhas sobre como considerar as perdas de capital natural”, dizem os autores. “E, nos próximos anos, as principais decisões na economia, na governança e na política mundial dirão respeito à intensidade, à velocidade e à forma como os custos da descarbonização dos processos produtivos e modos de consumo serão internalizados na economia de mercado.”

Garimparam informações diversas sobre o mundo do futuro. A Agência Internacional de Energia projeta um aumento de 50% da demanda energética até 2030, com dependência nos combustíveis fósseis, a continuar a toada atual. Lembram que é o padrão de consumo dos países desenvolvidos (e dos ricos e da classe média dos emergentes), o que soma cerca de 1 bilhão de pessoas no mundo, o grande responsável pelo nível atual das emissões de gases que provocam o efeito estufa. “Os demais 5 bilhões de humanos, especialmente centenas de milhões na China, Índia, Brasil, Rússia, México, entre outros que antes da crise estavam começando a superar os patamares da pobreza, ambicionam legitimamente e esforçam-se para alcançar exatamente o mesmo tipo de consumo.” Este é um dos impasses do acordo do clima que, se espera, seja assinado em dezembro, na CoP-15, a conferência do clima de Copenhague.

O desafio que o mundo tem pela frente é gigantesco. Reduzir até 2050 as emissões pela metade do que eram em 1990 significa imaginar que, em 2035, o mundo de 9 bilhões de pessoas não poderá emitir mais do que 9 bilhões de toneladas de carbono por ano – ou uma tonelada por pessoa. “Hoje as nações industrializadas emitem, em termos per capita, quatro vezes mais do que isso. As nações em desenvolvimento, por sua vez, emitem per capita quatro vezes menos do que isso”, pontua o texto. “E se há uma grande novidade histórica na primeira década do século XXI, pelo menos até a eclosão da crise, é a velocidade com que suas economias crescem e que suas populações expandem o consumo e, consequentemente, suas emissões.”

Para quem raciocina em termos de energia, os autores recorrem às premissas do físico Marcelo Gleiser que lembra que o consumo de energia mundial foi de 14 trilhões de watts em 2006. Projetando o aumento da população, um crescimento econômico modesto (1,6% ao ano) e um inacreditável aumento na eficiência do uso de energia (de 500%), mesmo assim o mundo usará 28 trilhões de watts em 2050, nas suas contas. Ou seja, mesmo com um esforço absurdo, o mundo usará o dobro de energia na metade do século.

Os autores refletem sobre o impacto da crise econômica, no curto prazo, na questão climática, com a óbvia redução nas emissões de gases-estufa decorrentes do refluxo no nível de atividades da economia mundial. Mas então apontam que a “lacuna da maioria dos diagnósticos atuais está em não considerar que não basta a retomada da confiança e do crédito para que esse processo possa ocorrer. A indefinição sobre as decisões globais relativas à descarbonização da produção e do consumo implica também incerteza sobre o futuro sistema de preços relativos na economia, tornando muito difícil o cálculo da taxa de retorno e aumentando a taxa de risco dos investimentos de prazo mais longo.” Touché. Sem acordo climático, o cenário econômico continua obscuro, aposta o trio.

Se a descarbonização da economia mundial é uma certeza, dizem, a velocidade com que as decisões serão tomadas é que é a grande dúvida. O atraso nas negociações de um acordo climático só aumentará a incerteza e os custos da transição, diz Besserman. Acordos mal costurados trazem o risco de fragmentação mundial e um protecionismo que já se insinua. A seguir, trechos da entrevista:

Valor: Qual o risco, na economia, de um atraso do acordo climático mundial? O que acontece se não for assinado em Copenhague?

Sérgio Besserman Vianna: O fracasso de uma negociação de acordo contra a mudança climática vai fazer com que os custos para combater o aquecimento global poucos anos à frente sejam muito mais elevados do que se iniciarmos hoje a transição. Ao mesmo tempo existirão também custos de fragmentação política e riscos de protecionismo.

Valor: O mundo, dizem vocês, pode sucumbir nos próximos anos à fragmentação e à tentação protecionista. O que imaginam?

Besserman: É um cenário indesejável e não muito provável, mas pode ocorrer de não haver um acordo eficaz contra o aquecimento global, ou acordos que não contem com a adesão generalizada e isso impulsiona o mundo na direção da fragmentação da governança global. Se houver um acordo e China, Índia e Brasil não entrarem, isto é um mundo que não encontra a governança global necessária para os desafios que tem pela frente.

Valor: E o protecionismo está se esboçando?

Besserman: Já está sugerido. Aparece por exemplo numa cláusula da lei climática já aprovada pela Câmara do Congresso dos Estados Unidos e que torna possível a adoção de medidas fortemente protecionistas contra produtos de países que não participem do acordo global da mudança climática. A lei não foi ainda aprovada no Senado e o presidente Obama fez um reparo admitindo o protecionismo desta cláusula. Mas a lógica econômica sugere que não é viável que os EUA passem a ter um custo para emitir gases de efeito-estufa e permitam desvio de comércio, produção e investimentos para países que não fazem parte do movimento geral contra o aquecimento global.

Valor: Porque esta cláusula é ameaçadora?

Besserman: Países que fizerem parte do acordo contra a mudança climática estarão impondo um custo na emissão de gases-estufa. Um determinado bem de consumo nos EUA se tornará mais caro por conta do custos de sua emissão. Suponha um país hipotético na Ásia, que não tem metas, não faz parte do acordo global e produz o mesmo bem… Poderia acontecer, por exemplo, de a produção dos EUA tender a ser desviada para aquele país, porque é mais barato. Mas isso não vai acontecer porque serão impostas barreiras comerciais ao país fora do acordo global. Este ponto está na agenda também com declarações recentes do presidente francês Nicolas Sarkozy na mesma direção. A OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) também tem se pronunciado sobre o tema.

Valor: Está no livro: a superação das energias sujas tem o potencial de se constituir no próximo grande boom de inovações e isto pode ser um impulso para a saída da crise. A China parece estar perseguindo esta trilha, mas também não quer abrir mão do carvão. Como fica?

Besserman: São cenários em aberto a depender do acordo global que pode acontecer agora em Copenhague ou não. Ali, depurando tudo, vamos estar precificando o custo de emitir gases-estufa. O tamanho da meta necessária para tentar atingir o objetivo fixado de não aquecer o planeta mais de 2 C sinaliza uma grande transição tecnológica, que diz respeito, num primeiro momento, à eficiência energética em geral, e um forte impulso às fontes renováveis de energia. Mas este é apenas o início. Porque em seguida vêm todas as mudanças decorrentes das alterações de preços relativos que tende a se acentuar porque as metas para 2050 são ainda mais radicais que as previstas para 2020. Vem uma grande transição pela frente, isto é certo, e quem acompanhar esta transição tecnológica vai se inserir competitivamente neste novo mundo. Quem não acompanhar, e se agarrar às formas do passado sem visualizar esta transição radical e profunda, corre o risco de ficar descompassado.

Valor: Como fica o Brasil na descarbonização de sua economia?

Besserman: É uma imensa oportunidade. Temos grandes vantagens comparativas neste mundo de baixo teor de carbono, como a nossa matriz energética, que já é mais limpa, ou políticas benéficas em si, como a redução do desmatamento da Amazônia. Temos que fazer modificações na logística, como no nosso setor de transportes. Estas vantagens comparativas podem se tornar vantagens competitivas.

Valor: Os senhores dizem que o maior investimento necessário para que a economia brasileira seja descarbonizada é em educação e tecnologia. Pode explicar?

Besserman: Esta nova economia tem enorme ênfase em conhecimento. Não só por conta das inovações tecnológicas necessárias para chegar a ela, mas porque seria um modo de produzir e consumir muito avesso a desperdícios e ineficiência. E isso depende de conhecimento.

Valor: Os senhores dizem que o Brasil está fazendo “diversos equívocos” no campo da energia. Falam das políticas que subsidiam o uso do carvão e das térmicas a óleo, mas também mencionam as hidrelétricas. Como assim?

Besserman: No caso das hidrelétricas é um não aproveitamento inteligente das possibilidades de integração com outras fontes renováveis, do potencial das pequenas hidrelétricas e de uma melhoria no padrão de gestão e transparência no caso das hidrelétricas maiores. No caso da energia em geral, é preciso ter claro que o futuro são as fontes renováveis e não emissoras de gases-estufa. O pré-sal é uma benção, uma riqueza, mas é o passado.

Valor: O passado?

Besserman: Sim, porque estamos nos preparando para o fim da civilização dos combustíveis fósseis.

Valor: Como fica esta “benção”?

Besserman: O uso inteligente do pré-sal é utilizar estes recursos para potencializar a transição para outra matriz energética, aproveitando as vantagens comparativas do Brasil em biomassa, solar, eólica, pequenas hidrelétricas. Sim, este é o futuro. Usar o recurso do pré-sal para ir a este futuro é maravilha. Mas apostar no mundo dos combustíveis fósseis e ficar estacionado nele seria um equívoco. Para mim, o risco é o país, em vez de mobilizar seus recursos para a transição tecnológica, acabar utilizando-os de forma a ficar ancorado no mundo do passado. Planejamento e política industrial mirando a transição tecnológica da matriz energética é muito importante. Neste novo mundo há riquezas equivalentes a muitos pré-sais.

Valor: Energia nuclear é opção?

Besserman: Desde que a custos suficientemente competitivos para compensar algumas externalidades negativas, como o lixo radioativo. E na condição de uma solução racional para o lixo radioativo nos próximos 300 a 500 anos, ela pode, sim, ter um papel importante na matriz do Brasil.

Valor: No caso da Amazônia, vocês lembram que não há um modelo a ser copiado. E agora?

Besserman: A questão da Amazônia é que definirá se o Brasil estará à altura da oportunidade que está à nossa frente. Porque ali, além do aprimoramento das políticas de monitoramento e gestão e de grandes avanços em iniciativas contra o desmatamento como a moratória da soja, nós precisaríamos dar um grande salto e criar, pela primeira vez na história um modelo de desenvolvimento sustentável para uma economia tropical.

Valor: Por que uma agenda para a Amazônia estará “necessariamente no centro de uma agenda de desenvolvimento brasileira para o século XXI”?

Besserman: Trata-se de um desafio civilizatório novo. Um país como o Brasil, que tem um pé na modernidade, terá que demonstrar pioneiramente a possibilidade de fazer o que o professor Carlos Nobre, do INPE (Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais), e a geógrafa Bertha Becker apresentam como o caminho para que o Brasil se torne uma potência ambiental. E isto é, basicamente, conhecimento.

Valor: Por que pensar o futuro da Amazônia apenas em termos de uma “economia um pouco mais sustentável, com seu povo um pouco menos pobre, é escolher a degradação no médio prazo?” Não é isso que está embutido no discurso dos países ricos ao dizer que é mais barato agir aqui do que lá?

Besserman: Acho que este discurso é mais nosso do que deles, de uma parte atrasada do Brasil que tem a ideia que a continuidade do tipo de ocupação atual leva a um verdadeiro desenvolvimento econômico e à emancipação social da região. Não leva e é quase uma ofensa ao futuro das populações que lá vivem. Elas não querem um pouco mais. Elas têm direito ao que a Amazônia tem ali de riqueza e pode oferecer ao Brasil e ao mundo. É um novo modelo de desenvolvimento.

Valor: Segundo os senhores, a Amazônia sustentável só é possível com um polo de desenvolvimento hightech, uma espécie de “silicon valley”. O que é isso?

Besserman: A sustentabilidade da floresta passa por sua capacidade de gerar valor. Esta geração de valor decorrerá, em parte, de acordos globais que precifiquem os serviços que a Amazônia presta ao mundo, mas em outra parte, de uma aplicação intensiva de conhecimento, de forma que os recursos ali disponíveis, especialmente o reservatório genômico, permitam a produção de riquezas.

Valor: O senhor mencionou que é preciso rever a política de transportes? Como?

Besserman: A construção de uma economia de baixo carbono no Brasil tem três grandes eixos. A Amazônia, a energia e a logística. O setor imediato a mexer aí dentro é transporte. É do maior interesse nosso redesenhar um modelo sustentável com forte redução de emissões e para o futuro. Isto significa conseguir, através de parcerias público-privadas rever a questão das ferrovias, hidrovias e navegação costeira e fazer um planejamento inteligente da integração de todos estes modais.

Valor: Este mundo novo contempla a pavimentação da BR-319, a Manaus-Porto Velho?

Besserman: Mesmo com todos os cuidados, a criação de áreas ambientais e planejamento, o que já seria um grande avanço, a pavimentação não deixa de ser a reprodução de um modelo de ocupação da Amazônia que tem se revelado ineficiente e fora do controle. Um mínimo de visão estratégica sugere que externalidades positivas recomendam o reexame da hipótese de hidrovias ou ferrovias.

Valor: Esta agenda, então, não é um limite ao crescimento?

Besserman: Não, apenas não é o limite como é o caminho para a inserção mais competitiva da economia brasileira na economia mundial.

http://www.valoronline.com.br/?impresso/especial/195/5851187/para-economista,-presal-deve-financiar-transicao-energetica

Lula lembra dos tempos do pensamento subalterno, da Petrobrax

1 de outubro de 2009

http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16131

01/09/2009

Lula lembra dos tempos do pensamento subalterno, da Petrobrax

Rodrigo Vianna

Se os tucanos tivessem ganhado em 2002, hoje provavelmente a festa do pré-sal seria no Texas, ou em Cingapura – na sede da empresa que teria assumido o controle da Petrobrax. Os tempos do “pensamento subalterno”, os tempos de tirar os sapatos para os Estados Unidos, esses ficaram pra trás. “Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa”, disse o presidente Lula no lançamento do pré-sal.

O artigo é de Rodrigo Vianna

Artigo publicado originalmente no blog O Escrevinhador, de Rodrigo Vianna:

Lula mostrou estatura de estadista no discurso de segunda-feira, no lançamento do pré-sal. Mostrou à nação o que está em jogo hoje no Brasil.

Lula colou na testa dos tucanos o rótulo de “adoradores do mercado”. Lembrou que eles queriam “desmontar a Petrobrás”.

Lula mostrou que não é preciso chamar a neo-UDN de “entreguista”, como se dizia nos anos 50/60.

Basta lembrar que a neo-UDN tucana chamava a Petrobrás de “dinossauro, que precisava ser desmantelado”.

Foi o que Lula fez em seu discurso histórico. Um discurso que não foi de improviso, mas cuidadosamente escrito para se transformar em um documento histórico.

E ainda há quem defenda a tese esdrúxula de que “não há diferença entre Lula e FHC”. Se os tucanos tivessem ganhado em 2002, hoje provavelmente a festa do pré-sal seria no Texas, ou em Cingapura – na sede da empresa que teria assumido o controle da Petrobrax.

Os tempos do “pensamento subalterno”, os tempos de tirar os sapatos para os Estados Unidos, esses ficaram pra trás.

Vejam como Lula – no discurso histórico – se refere àqueles tempos que não voltam mais:

“Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil.”

Veja a seguir a íntegra do discurso do presidente Lula:

Hoje é um dia histórico.

O governo está enviando ao Congresso Nacional sua proposta do marco regulatório para a exploração de petróleo e gás no chamado pré-sal.

Estou seguro de que, nos próximos meses, os deputados e senadores, recolhendo também as contribuições de governadores e prefeitos, aperfeiçoarão as propostas do governo, trabalhando com responsabilidade, espírito público, compromisso com o país e, sobretudo, muita visão de futuro.

Estou seguro também de que o povo brasileiro entrará de corpo e alma nesse debate tão importante para o destino do Brasil e para o futuro dos nossos filhos.

Porque esse não é um assunto apenas para os iniciados e especialistas. Nem é tampouco um tema que deva ficar restrito somente ao parlamento. Ao contrário, ele interessa a todos e depende de todos.

Por isso mesmo, quero convocar cada brasileiro e cada brasileira a participar desse grande debate. Trabalhadores, donas de casa, lavradores, empresários, intelectuais, cientistas, estudantes, servidores públicos, todos podem e devem contribuir para que tomemos as melhores decisões.

Minhas amigas e meus amigos,

O chamado pré-sal contém jazidas gigantescas de petróleo e gás, situadas entre cinco e sete mil metros abaixo do nível do mar, sob uma camada de sal que, em certas áreas, alcança mais de 2 mil metros de espessura.

Não se pode ainda dizer, com certeza, quantos bilhões de barris o pré-sal acrescentará às reservas brasileiras. Mas já se pode dizer, com toda segurança, que ele colocará o Brasil entre os países com maiores reservas de petróleo do mundo.

Trata-se de uma das maiores descobertas de petróleo de todos os tempos. E em condições extremamente importantes: as reservas encontram-se num país de grandes dimensões, de grande população e de abundantes recursos naturais. Um país que conta com um regime político estável e instituições democráticas em pleno funcionamento. Um país pacífico que faz questão de viver em paz com seus vizinhos. Um país que possui uma economia sofisticada, com um parque industrial diversificado, uma agropecuária de ponta e um setor de serviços moderno. Um país que, tendo dado passos importantes na superação das desigualdades sociais, encontrou seu caminho e está maduro para dar um salto no desenvolvimento.

Como já disse em outra oportunidade, o pré-sal é uma dádiva de Deus. Sua riqueza, bem explorada e bem administrada, pode impulsionar grandes transformações no Brasil, consolidando a mudança de patamar de nossa economia e a melhoria das condições de vida de nosso povo.

Mas o pré-sal também apresenta perigos e desafios. Se não tomarmos as decisões acertadas, aquilo que é um bilhete premiado pode transformar-se em fonte de enormes problemas. países pobres que descobriram muito petróleo, mas não resolveram bem essa questão, continuaram pobres.

Outros caíram na tentação do dinheiro fácil e rápido. Passaram a exportar a toque de caixa todo o óleo que podiam e foram inundados por moedas estrangeiras. Resultado: quebraram suas indústrias e desorganizaram suas economias. E, assim, o que era uma dádiva transformou-se numa verdadeira maldição.

Para evitar esse risco, desde o primeiro instante, determinei à comissão de ministros que preparou o marco regulatório do pré-sal que trabalhasse em cima de três diretrizes básicas.

Primeira: o petróleo e o gás pertencem ao povo e ao Estado, ou seja, a todo o povo brasileiro. E o modelo de exploração a ser adotado, num quadro de baixo risco exploratório e de grandes quantidades de petróleo, tem de assegurar que a maior parte da renda gerada permaneça nas mãos do povo brasileiro.

A segunda diretriz é de que o Brasil não quer e não vai se transformar num mero exportador de óleo cru. Ao contrário, vamos agregar valor ao petróleo aqui dentro, exportando derivados, como gasolina, óleo diesel e produtos petroquímicos, que valem muito mais. Vamos gerar empregos brasileiros e construir uma poderosa indústria fornecedora dos equipamentos e dos serviços necessários à exploração do pré-sal.

A terceira diretriz: não vamos nos deslumbrar e sair por aí, como novos ricos, torrando dinheiro em bobagens. O pré-sal é um passaporte para o futuro. Sua principal destinação deve ser a educação das novas gerações, a cultura, o meio ambiente, o combate à pobreza e uma aposta no conhecimento científico e tecnológico, por meio da inovação. Vamos investir seus recursos naquilo que temos de mais precioso e promissor: nossos filhos, nossos netos, nosso futuro.

Ao examinar os projetos de lei que estamos enviando hoje ao Congresso, depois de tanto trabalho e estudo, vejo com satisfação que eles estão em perfeita sintonia com essas diretrizes.

Minhas amigas e meus amigos,

Uma mudança importante no marco regulatório será a adoção do modelo de partilha de produção no pré-sal e em outras áreas de potencial e características semelhantes. É uma mudança absolutamente necessária e justificada.

Estamos vivendo hoje um cenário totalmente diferente daquele que existia em 1997, quando foi aprovada a Lei 9.478, que acabou com o monopólio da Petrobras na exploração do petróleo e instituiu o modelo de concessão.

Naquela época, o mundo vivia um contexto em que os adoradores do mercado estavam em alta e tudo que se referisse à presença do Estado na economia estava em baixa. Vocês devem se lembrar como esse estado de espírito afetou o setor do petróleo no Brasil. Altas personalidades naqueles anos chegaram a dizer que a Petrobras era um dinossauro – mais precisamente, o último dinossauro a ser desmantelado no país. E, se não fosse a forte reação da sociedade, teriam até trocado o nome da empresa. Em vez de Petrobras, com a marca do Brasil no nome, a companhia passaria a ser a Petrobrax – sabe-se lá o que esse xis queria dizer nos planos de alguns exterminadores do futuro.

Foram tempos de pensamento subalterno. O país tinha deixado de acreditar em si mesmo. Na economia, campeava o desalento. O Brasil não conseguia crescer, sofria com altas taxas de juros, de desemprego, e juros estratosféricos, apresentava dívida externa elevadíssima e praticamente não tinha reservas internacionais. Volta e meia quebrava, sendo obrigado a pedir ao FMI ajuda, que chegava sempre acompanhada de um monte de imposições.

Além disso, não produzíamos o petróleo necessário para nosso consumo. Ferida, desestimulada e desorientada, a Petrobras vivia um momento muito difícil. Tinha dificuldades de captação externa e não contava com recursos próprios para bancar os investimentos. Nessa época, é bom lembrar – e a Dilma já falou – o preço do barril do petróleo estava em torno de US$ 19.

Hoje, nós vivemos um quadro é inteiramente diferente. Em primeiro lugar, os países e os povos descobriram na recente crise financeira internacional que, sem regulação e fiscalização do Estado, o deus-mercado é capaz de afundar o mundo num abrir e fechar de olhos. O papel do Estado, como regulador e fiscalizador, voltou, portanto, a ser muito valorizado.

A economia do Brasil vive também um novo momento. De 2003 a 2008, crescemos em média, 4,1% ao ano. Nos últimos dois anos, nosso crescimento foi superior a 5%. Nesse período, o país gerou cerca de onze milhões de empregos com carteira assinada. O desemprego caiu de 11,7% para 8%, em 2008. Hoje, as taxas de juros atuais são as menores de muitas décadas em nosso país.

Não só pagamos a dívida externa pública, como acumulamos reservas superiores a US$ 215 bilhões. E mais: reduzimos de modo consistente a miséria e as desigualdades sociais. Mais de 30 milhões de brasileiros saíram da linha da pobreza e 2 milhões ingressaram… e 20 milhões ingressaram na nova classe média, fortalecendo o mercado interno e dando vigoroso impulso à nossa economia.

O fato é que hoje temos uma economia organizada, pujante e voltada para o crescimento. Uma economia que foi testada na mais grave crise internacional desde 1929 e saiu-se muito bem na prova. Não só não quebramos, como fomos um dos últimos países a entrar na crise e estamos sendo um dos primeiros a sair dela. Antes, éramos alvo de chacotas e de imposições. Hoje, nossa voz, a voz do Brasil, é ouvida lá fora com muita atenção e com muito respeito.

Meus queridos companheiros e companheiras,

Desde o primeiro instante, meu governo deu toda força à Petrobras. Passamos a cuidar com muito carinho do nosso querido dinossauro. Os recursos da empresa destinados à pesquisa e ao desenvolvimento deram um salto de US$ 201 milhões, em 2003, para R$ 960 milhões, em 2008.

A companhia voltou a investir, aumentou a produção, abriu concursos para contratação de funcionários, encomendou plataformas, modernizou e ampliou refinarias, além de construir uma grande infra-estrutura de gás natural e entrar também na era de biocombustíveis.

Deixamos claro que nossa política era fortalecer, e não debilitar, a Petrobras. E a companhia – estimulada, recuperada e bem comandada – reagiu de forma impressionante.

Resultado: a Petrobras vive hoje um momento singular. É o orgulho do país. É a maior empresa do Brasil. É a quarta maior companhia do mundo ocidental. Entre as grandes petroleiras mundiais, é a segunda em valor de mercado. É um exemplo em tecnologia de ponta. Descobriu as reservas do pré-sal, um feito extraordinário, que encheu de admiração o mundo e de muito orgulho os brasileiros. É uma empresa com crédito e autoridade internacionais. Tanto que, nos últimos meses, levantou cerca de US$ 31 bilhões em empréstimos. Seus investimentos previstos até 2013 somam US$ 174 bilhões.

E ainda para ajudar, para completar, o preço do barril de petróleo oscila hoje em torno de US$ 65, mais do triplo do que em 1997.

Em suma, os tempos e o ambiente no mundo são outros. A situação da economia brasileira é outra. O Brasil e o prestígio do Brasil são outros. A Petrobras é outra. E outra também é a situação do mercado do petróleo.

Minhas amigas e meus amigos,

Também não há termos de comparação entre as áreas que vinham sendo exploradas até agora e as áreas do pré-sal.

No pré-sal, os riscos exploratórios são baixíssimos. A taxa de sucesso dos poços operados pela Petrobras na área é de 87%, sendo que nos blocos situados na Bacia de Santos ela é de 100%. Foram 13 poços perfurados. E nos 13 comprovou-se a existência de grandes quantidades de óleo e gás, com excelentes perspectivas de viabilidade econômica.

Nessas circunstâncias, seria um grave erro manter na área do pré-sal, de baixíssimo risco e grande rentabilidade, o modelo de concessões, apropriado apenas para blocos de grande risco exploratório e baixa rentabilidade.

No modelo de concessões, a União, proprietária do subsolo, permite que as companhias privadas procurem petróleo, mediante o pagamento de uma taxa chamada bônus de assinatura. Se elas encontrarem óleo ou gás, podem extraí-lo e comercializá-lo como quiserem. São donas do petróleo arrancado das entranhas da terra, porque, a partir da boca do poço, a União perde os direitos de propriedade, recebendo apenas uma parcela pequena da renda do petróleo, na forma de royalties e participações especiais.

Já no modelo de partilha, que prevalece em todo o mundo em áreas de baixo risco exploratório e grande rentabilidade, a União continuará dona da maior parte do petróleo e do gás mesmo depois de sua extração. Nesse modelo, o Estado não transfere toda a propriedade do óleo para grupos privados, mas fecha contratos para a exploração e a produção em determinada área – diretamente com a Petrobras ou, mediante licitação, no caso de outras companhias.

No modelo de partilha, as empresas são remuneradas com uma parcela do óleo extraído, suficiente para cobrir seus custos e investimentos e ainda proporcionar uma rentabilidade adequada ao risco do projeto. Já o Estado fica com a maior parte dos lucros da exploração e produção de petróleo, parte esta bem superior ao que recebe hoje no regime de concessão. A regra do modelo de partilha é clara: nas licitações, vence a empresa que oferecer a maior parcela do lucro da operação para o Estado e para o povo brasileiro.

Amigas e amigos,

Como no modelo de partilha a maior parte do petróleo, mesmo depois de extraído, continuará a pertencer ao Estado, ela controlará o processo de produção. Assim, ela poderá definir claramente o ritmo de extração, calibrando-o de acordo com os interesses nacionais, sem se subordinar às exigências do mercado. Dessa maneira, ficará mais fácil para o Brasil contornar os riscos inerentes à produção excessiva, que poderia inundar o país de dinheiro estrangeiro, desorganizando nossa economia – aquilo que os especialistas chamam de doença holandesa.

Além disso, poderemos produzir petróleo nas condições que mais convêm ao país. E desse modo poderemos aproveitar a riqueza do petróleo, que Deus nos deu, para produzir mais riqueza ainda com o nosso trabalho.

Dessa forma, consolidaremos uma poderosa e sofisticada indústria petrolífera, promoveremos a expansão da nossa indústria naval e converteremos o Brasil num dos maiores pólos mundiais da indústria petroquímica do mundo.

Trabalhando com essa perspectiva, encomendaremos – e produziremos aqui dentro – milhares e milhares de equipamentos, gerando emprego, salário e renda para milhões de brasileiros.

Minhas amigas e meus amigos,

Para gerir os contratos de partilha e os contratos de comercialização de petróleo e gás, zelando pelos interesses do Estado e do povo brasileiro, estamos criando uma nova empresa estatal na área do petróleo, a Petrosal.

Ela não concorrerá com a Petrobras, já que não participará da prospecção ou da exploração de petróleo e gás. Sua missão é inteiramente diferente. A nova estatal será, isso sim, a representante dos interesses do Estado brasileiro, o olho atento do povo brasileiro, acompanhando e fiscalizando a execução dos contratos firmados na área do pré-sal.

Será uma empresa enxuta, com corpo técnico altamente qualificado, formado por profissionais com experiência comprovada. Em vários países que adotaram o modelo de partilha, empresas com esse caráter revelaram-se imprescindíveis para defender os interesses públicos e nacionais nas negociações e na gestão de contratos e processos complexos e sofisticados como os que caracterizam a indústria petrolífera.

Minhas amigas e meus amigos,

Se vocês estão cansados, imaginem eu. Outra novidade importante é a criação do Fundo Social. Ele será responsável pela administração da renda do petróleo e pela sua aplicação em investimentos seguros e de boa rentabilidade, tanto no Brasil como no exterior.

De um lado, o novo fundo será uma mega-poupança, um passaporte para o futuro, que preservará e incrementará a renda do petróleo por muitas e muitas décadas. Os rendimentos do fundo serão canalizados, prioritariamente, para a educação, a cultura, o meio ambiente, a erradicação da pobreza e a inovação tecnológica. Vamos aproveitá-los para pagar a imensa dívida que o país tem com a educação e para permitir que a aplicação do conhecimento científico seja, na verdade, a nossa maior garantia do nosso futuro.

De outro lado, o novo fundo funcionará, também, como um dique contra a entrada desordenada de dinheiro externo, evitando seus efeitos nocivos e garantindo que nossa economia siga saudável, forte e baseada no trabalho e no talento dos milhões e milhões de brasileiros.

Assim, a renda gerada pela produção do pré-sal será administrada de forma planejada e inteligente. E seu ingresso na economia nacional será dosado de modo a fortalecê-la e a impulsioná-la, jamais a desorganizá-la.

Minhas amigas e meus amigos,

Não poderia deixar de prestar aqui uma sincera homenagem à Petrobras, a sua diretoria e a todo o seu corpo de funcionários.

A descoberta do pré-sal, que coloca o Brasil num novo patamar no cenário mundial, não foi fruto do acaso ou de um golpe de sorte. Ao contrário, ela só foi possível graças ao talento, à competência e à determinação da Petrobras. E também, é claro, graças ao revigoramento da empresa nos últimos anos, à recuperação da sua autoestima e aos investimentos crescentes em pesquisa e prospecção.

Poucas empresas no mundo têm hoje a experiência da Petrobras na exploração de petróleo em águas profundas e ultraprofundas. E nenhuma empresa petrolífera conhece e é capaz de obter resultados tão expressivos em nossa plataforma submarina como ela. Trata-se de um ativo, de um patrimônio de enorme valor, que deve ser bem e de forma extraordinária aproveitado.

Por isso mesmo, a Petrobras terá um status especial no marco regulatório do pré-sal. Será a única empresa operadora nessa província. Outras empresas poderão ter participação, inclusive majoritária, nos consórcios que explorarão os blocos contratados. Mas a operação – vale dizer, a exploração, o desenvolvimento, a produção e a desativação das instalações – estará sempre a cargo da nossa querida e orgulhos Petrobras.

Além disso, as reservas do pré-sal, que pertencem ao Estado e ao povo brasileiro, oferecem uma excelente oportunidade para que a União fortaleça a Petrobras para enfrentar os novos desafios. Nesse sentido, estamos enviando projeto de lei ao Congresso Nacional autorizando a União a promover aumento de capital da companhia. O valor total do aumento de capital será aquilo que a ministra Dilma já falou, de até cinco bilhões de barris equivalentes de petróleo, obviamente, relativos às jazidas contíguas às áreas que a empresa já detém no pré-sal.

Nos termos da lei, os acionistas minoritários que desejarem participar dessa chamada de capital poderão adquirir ações da companhia, o que contribuirá para reforçar economicamente nossa maior empresa nesse momento decisivo.

Se os acionistas minoritários não exercerem integralmente seus direitos de opção, a capitalização promovida pela União implicará aumento da participação do povo brasileiro no capital total da Petrobras.

Minhas amigas e meus amigos,

Nesse momento em que o Brasil discute o melhor caminho para se tornar um grande produtor mundial de petróleo, quero render minhas homenagens a todos os brasileiros que lutaram para que este sonho se transformasse em realidade.

Em primeiro lugar, homenageio os que acreditaram quando era mais fácil descrer. E não deram ouvidos às aves de mau agouro que, durante décadas, apregoaram aos quatro ventos que o Brasil não tinha petróleo. Foram, por isso, chamados de fanáticos e maníacos. Ainda bem que houve fanáticos que nos ensinaram a duvidar dos preconceitos e a ter fé em nossas próprias forças.

Rendo minha homenagem também aos que se insurgiram contra a ladainha que proclamava que, mesmo que o Brasil tivesse petróleo, não teria competência para explorá-lo. E que deveria deixar essa tarefa para o capital estrangeiro. Muitos foram tachados de lunáticos, prisioneiros de uma idéia fixa, como o grande e saudoso Monteiro Lobato, porque teimaram em lutar para que o Brasil explorasse suas riquezas. Benditos lunáticos que ensinaram o país a enxergar longe, em tempos de escuridão, e iluminaram os caminhos dos que vieram depois.

Rendo minha homenagem ainda aos que saíram às ruas em todo o país na campanha do “O Petróleo é nosso”, levando o presidente Getúlio Vargas a instituir o monopólio estatal do petróleo e a criar a Petrobras. Foi uma batalha travada em condições duríssimas. Basta ler os jornais da época, alguns em circulação até hoje, que ridicularizavam a campanha nacionalista. E eu digo: bendito nacionalismo, que permitiu que as riquezas da nação permanecessem em nossas mãos.

Rendo homenagem muito especial, por fim, a todos os que defenderam a Petrobras quando ela foi atacada ao longo de sua história – e ainda hoje – e aos funcionários e petroleiros que se mantiveram de pé quando a empresa passou a ser tratada como uma herança maldita do período jurássico. Benditos amigos e companheiros do dinossauro, que sobreviveu à extinção, deu a volta por cima, mostrou o seu valor. E descobriu o pré-sal – patrimônio da União, riqueza do Brasil e passaporte para o nosso futuro.

Olho para trás e vejo que há algo em comum em todos esses momentos, algo que unifica e dá sentido a essa caminhada, algo que nos trouxe até aqui e ao dia de hoje: é, sinceramente, a capacidade do povo brasileiro de acreditar em si mesmo e no nosso país. Foi em meio à descrença de tantos que querem falar em seu nome… O povo – principalmente ao povo – devemos esse momento atual.

É como se houvesse uma mão invisível – não a do mercado, da qual já falaram tanto, mas outra, bem mais sábia e permanente, a mão do povo – tecendo nosso destino e construindo nosso futuro. Não creio que seja uma coincidência o fato de a Petrobras ter descoberto as grandes reservas do pré-sal justamente num momento da vida política nacional em que o povo também descobriu em si mesmo grandes reservas de energia e de esperança. Num momento em que o país, deixando para trás o complexo de inferioridade que lhe inculcaram durante séculos, aprendeu como é bom andar de cabeça erguida e olhar com confiança para o futuro.

Muito obrigado, companheiros.”

http://cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=16131

Pré-sal, instrumento de geopolítica

30 de setembro de 2009

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/09/30/e30099755.asp
30/09/2009

Jornal do Brasil

Pré-sal, instrumento de geopolítica

RIO – A ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, disse ontem aos integrantes do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES) que o governo aproveitará as riquezas obtidas com a exploração do petróleo da camada pré-sal para elevar a importância do Brasil frente aos demais países.

– Queremos ampliar o papel econômico e geopolítico do Brasil no cenário internacional – disse a ministra.

Dilma voltou a afirmar ainda que a renda obtida deve ser aproveitada para expansão dos instrumentos de combate à pobreza, investir em educação, ciência e tecnologia, além de fortalecer a indústria nacional.

De acordo com a ministra, pré-candidata à sucessão presidencial pelo PT, projeções da Petrobras estimam que mais da metade dos investimentos em projetos do pré-sal ficarão no país.

– Dos investimentos relacionados a projetos no país, cerca de 64% serão colocados junto ao mercado fornecedor local, levando a uma média anual de colocação de US$ 20 bilhões – afirmou. – A situação máxima à qual chegamos foi de US$ 12 bilhões.

A ministra foi categórica ao afirmar que o governo não pensa em alterar a proposta de ter a Petrobras como operadora única na exploração da camada pré-sal.

– Não estamos discutindo isso, de jeito nenhum. Não está na agenda – disse Dilma ao deixar a reunião.

Dilma disse que o governo deve ter uma política industrial específica para o setor, não porque a atual administração tenha um viés estatizante, mas para incentivar a indústria nacional.

– Vamos ter uma política de conteúdo nacional que vai depender da nossa capacidade de internalizar e transformar essa demanda em empregos brasileiros e tecnologia nacional – destacou.

A ministra tentou minimizar a polêmica relativa à distribuição de royalties entre os estados.

– O que é significativo no pré-sal é a renda petrolífera gerada – comentou Dilma. – Se o royalty era decisivo no modelo de concessão, no modelo de partilha ele é importante, mas a renda do petróleo é decisiva.

A ministra lembrou que esses recursos contemplarão todos os brasileiros e Estados por meio do fundo social que será criado a partir de projeto de lei a ser aprovado pelo Congresso.

Infraestrutura

Dilma afirmou que a política de desenvolvimento produtivo terá de resolver a questão do financiamento e diversificação da base de recursos. A ministra admitiu que há um desafio “monstruoso” no setor de infraestrutura, e que o modelo em que todos os recursos são públicos já está se esgotando. Geundo a ministra, haverá um momento em que a exigência de garantias impedirá que alguma empresa, que já tenha conseguido financiamento para uma grande obra, pegue outro financiamento no momento seguinte.

–Temos que ter energia. A não ser que alguém queira se responsabilizar por outro apagão. Como ninguém quer, temos que ter hidrelétricas – afirmou.

http://jbonline.terra.com.br/pextra/2009/09/30/e30099755.asp

Brasil deve se unir à Argentina na área de petróleo e gás

21 de setembro de 2009

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/09/21/materia.2009-09-21.3627064524/view
21 de Setembro de 2009

Brasil deve se unir à Argentina na área de petróleo e gás, diz Miguel Jorge

Flávia Albuquerque

Repórter da Agência Brasil

São Paulo – O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, afirmou hoje (21), que haverá uma integração entre Brasil e Argentina na área de petróleo e gás. Ele se reuniu, na capital paulista, com a ministra argentina da Produção, Débora Giorgi.

Segundo ele, o país vizinho tem tradição e capacidade tanto com grandes equipamentos como no fornecimento de peças e componentes para a indústria com produção por pequenas e médias empresas. “É o que nós também procuraremos fazer no Brasil, vamos aprofundar isso para o pré-sal, para que possamos ter um maior volume de produção local”.

Miguel Jorge disse, ainda, que os dois países continuarão a realizar um levantamento sobre a indústria naval na qual pode ser realizada a integração, com o envolvimento da Agência Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI). A agência, ele informou, vai trabalhar com organismos argentinos para fazer um levantamento das possibilidades de integração produtiva nessa área.

A reunião também serviu para que os dois ministros fizessem uma avaliação do comércio bilateral, nos oito últimos meses. “Apesar da crise forte no comércio mundial, nós prevemos que chegaremos a US$ 21 bilhões de fluxo comercial entre os dois países, até o final do ano. Longe dos US$ 30 milhões que tivemos o ano passado, mas numa situação bastante diferente em termos de economia e de produção que tivemos nos dois países com o impacto da crise. A atividade econômica se reduziu em vários setores, tanto no Brasil quanto na Argentina, mas os números de US$ 7 bilhões de exportações do Brasil para a Argentina e de US$ 6,8 bilhões da Argentina para o Brasil também são importantes”, constatou.

O ministro disse que os acordos setoriais feitos entre Brasil e Argentina – nos setores de madeira, calçados e papel – caminham bem, apesar dos problemas conjunturais e pontuais que enfrentam com relação às licenças não automáticas de importação implantadas pela Argentina. “Mas elas se referem a questões muito pontuais, especialmente ligadas ao setor de autopeças, com as exportações direcionadas para o setor de reposição da Argentina. O mercado de produção da indústria Argentina está absolutamente abastecido, de maneira normal”, afirmou Miguel Jorge.

Ainda de acordo com ele, os dois países estabeleceram na reunião uma espécie de caminho rápido para resolver questões pontuais no que se refere ao comércio bilateral. “Funcionários dos ministérios da Produção [argentino] e do Desenvolvimento e Comércio Exterior [brasileiro] vão ter quantas reuniões forem necessárias para discutir e encontrar soluções para questões pontuais e eventuais acasos que possam haver no caso de licenças não automáticas”, disse.

Segundo o ministério, entre os itens que esbarram no licenciamento não automático, ao entrar na Argentina, estão: calçados, papel, estão bens de informática e tecnologia, bens de capital, borracha, ferramentas, linha branca, metalurgia, móveis, eletroportáteis, têxtil e vestuário. Ao todo, esses produtos são responsáveis por US$ 754 bilhões das exportações brasileiras para a Argentina.

Ficou decidido também que os dois ministros vão se reunir a cada dois meses para avaliar o andamento do relacionamento comercial entre Brasil e Argentina.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2009/09/21/materia.2009-09-21.3627064524/view

Estratégia para construção no Brasil de até 28 sondas de perfuração

11 de setembro de 2009

http://www2.petrobras.com.br/ri/spic/bco_arq/Contrata%C3%A7%C3%A3o28sondas.pdf

PETROBRAS

11/09/2009

Estratégia para construção no Brasil de até 28 sondas de perfuração

Rio de Janeiro, 11 de setembro de 2009 – PETRÓLEO BRASILEIRO S/A – PETROBRAS, comunica, que a Diretoria Executiva da Companhia aprovou a estratégia para contratação de até 28 novas sondas de perfuração a serem construídas no Brasil, com conteúdo nacional crescente, para exploração em águas ultra-profundas, incluindo os campos localizados do pré-sal. A entrega dessas sondas está prevista para ocorrer entre 2013 e 2018.

Numa primeira fase, está prevista a contratação de um lote mínimo de 9 sondas. Desse primeiro lote, 7 unidades do tipo navio, que utilizarão projeto consolidado e de amplo domínio no mercado mundial, serão agrupadas para a construção em um único estaleiro. A contratação dessas 7 sondas possibilitará que o estaleiro vencedor da licitação realize os investimentos necessários para a adequação de sua infraestrutura, com ganho de escala.

As outras 2 unidades, que poderão ser tanto do tipo navio quanto plataforma semi-submersível, serão contratadas separadamente e poderão utilizar-se de novas tecnologias que incorporam conceitos ainda pioneiros na indústria mas que proporcionem grandes benefícios econômicos e operacionais para a Petrobras.

Adicionalmente, a Companhia irá conduzir, simultaneamente, outro processo que prevê a possibilidade de afretamento de até 4 unidades por empresa, a serem construídas no Brasil. Nessa alternativa, a contratação da construção junto aos estaleiros estaria a cargo das empresas afretadoras.

O início do processo para a contratação de todas as unidades está prevista para ocorrer ainda em setembro de 2009.

O volume das encomendas viabilizará a ampliação e adequação dos estaleiros existentes e a criação de novos e modernos estaleiros no país, implementando uma nova indústria naval nacional, em nível de competitividade com os melhores estaleiros internacionais, para o segmento da indústria offshore.

Devido às características dessas sondas, a sua construção no país também irá gerar um enorme incremento na indústria de bens e serviços responsável pela cadeia produtiva desses estaleiros.

Nesse sentido, a Petrobras estuda formas para facilitar o acesso a crédito dos fornecedores brasileiros que irão compor a cadeia produtiva da indústria naval que irá produzir as sondas de perfuração que serão contratadas.

Para viabilizar todo esse enorme empreendimento, que certamente irá promover o desenvolvimento econômico nacional e poderá gerar mais de 40.000 novos empregos diretos e indiretos, quando todas as encomendas estiverem colocadas, o Governo Federal irá alocar, através do Fundo Garantidor da Construção Naval, R$ 4 bilhões exclusivamente para garantia da construção dessas 28 sondas de perfuração.

http://www2.petrobras.com.br/ri/spic/bco_arq/Contrata%C3%A7%C3%A3o28sondas.pdf

Modelo do pré-sal gera incerteza para investimento privado, critica Nota da CNI

31 de agosto de 2009

http://www.cni.org.br/portal/main.jsp?lumPageId=4028809713F827B10113F884BF592E30&lumI=servicocorporativo.agenciaindustria.detAgenciaIndustria&itemId=FF808081237102CA012372474AE7144D

Confederação Nacional da Indústria

31/08/09

Modelo do pré-sal gera incerteza para investimento privado, critica Nota da CNI

Brasília – A Confederação Nacional da Indústria (CNI) defende, em Nota à Imprensa, que a proposta do marco regulatório do pré-sal, anunciada nesta segunda-feira, 31, pelo Governo Federal, não seja recebida como fato consumado, mas como “ponto de partida para um debate” que ainda receberá contribuições do setor privado. Por isso, a CNI acredita que deve ser evitada a urgência constitucional para a tramitação do marco regulatório no Congresso Nacional.

A nota da CNI à imprensa sustenta que as inovações trazidas pelo novo modelo, como a substituição dos contratos de concessão por contratos de partilha e a criação de uma empresa estatal, devem ser melhor avaliadas, uma vez que deverão ter impacto sobre as decisões dos investimentos privados.

Nota à Imprensa

· O Marco Regulatório precisa ser debatido com a sociedade: a proposta apresentada não deve ser recebida como fato consumado, mas como ponto de partida para um debate em que o setor privado aportará as suas contribuições. O impacto do pré-sal na estrutura produtiva brasileira deverá ser de tal ordem que a definição do seu modelo precisa ser amplamente debatida. Assim deve ser evitada a urgência constitucional para a sua tramitação.

· Marco Regulatório tem que ser capaz de atrair o investimento privado nacional e estrangeiro: o elevado potencial de produção dessa nova área de exploração define que a participação do investimento privado é imperativa; o volume de investimentos envolvido impõe esta participação; assim, o novo marco tem que conferir ao setor privado parâmetros de atratividade e segurança jurídica adequados.

· Papel da agência reguladora é essencial: em grande medida o sucesso brasileiro na produção de petróleo – pós quebra do monopólio – está associado à atuação da agência reguladora (ANP) na gestão de um marco regulatório que favoreceu a participação de novas empresas no setor e permitiu dobrar a produção em 10 anos. O novo modelo traz diversas inovações, a exemplo da substituição dos contratos de concessão por contratos de partilha e da criação de uma nova empresa estatal que necessitam ser melhor avaliadas, especialmente no seu impacto sobre as decisões do investimentos privado. Estas inovações propostas reforçam a importância da agência reguladora exercer seu papel de arbitragem nos conflitos entre os diferentes agentes do setor.

· Investimentos no pré-sal representam oportunidade para a indústria e recomendam política de fomento industrial específica: o volume de produção estimado para o pré-sal e os investimentos associados à sua exploração e produção deverão gerar uma excepcional oportunidade para a indústria brasileira. A carteira de encomendas associada tanto à pesquisa quanto à produção de petróleo e gás no pré-sal impõe uma política industrial adequada para permitir que esta demanda maximize a geração de renda e emprego no país. A experiência do PROMINP é um ponto de partida, mas precisará ser ampliada com a consolidação de uma política de fomento mais abrangente.

· A CNI promoverá de imediato o debate com as Federações de Indústrias e Associações Nacionais Setoriais com o objetivo de consolidar o posicionamento do setor privado.

Rádio Indústria

Fonte: CNI

http://www.cni.org.br/portal/main.jsp?lumPageId=4028809713F827B10113F884BF592E30&lumI=servicocorporativo.agenciaindustria.detAgenciaIndustria&itemId=FF808081237102CA012372474AE7144D

Países sul-americanos poderão cooperar com produção do pré-sal

27 de agosto de 2009

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/08/27/materia.2008-08-27.0561152991/view
27 de Agosto de 2008

Marco Aurélio Garcia: países sul-americanos poderão cooperar com produção do pré-sal

Ivanir José Bortort e Yara Aquino

Repórteres da Agência Brasil

Brasília – Os países da América do Sul poderão cooperar com o complexo industrial destinado à produção do petróleo do pré-sal, dentro de uma estratégia do Brasil de fortalecimento da economia regional.

A expectativa é do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, ministro Marco Aurélio Garcia.

Como exemplo, ele diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer dar prioridade à indústria naval do continente para atender parte da necessidade de compra de 200 novos navios pela Petrobras.

Em entrevista à Agência Brasil, Garcia também defende a expansão da indústria brasileira nesses países, como forma de reequilibrar a balança comercial, e manifesta a intenção do Brasil de expandir para o Uruguai e Paraguai o mesmo tipo de acordo automotivo feito este ano com a Argentina.

ABr: A descoberta do pré-sal vai implicar alguma mudança nesse processo de integração industrial com os nossos vizinhos. Como o senhor está vendo este processo?

Marco Aurélio: Só para citar um número, a Petrobras terá que encomendar 200 navios. Hoje não há capacidade de produção de 200 navios no mundo, então, o presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva] tem enfatizado que quer prioridade para a produção disso e de outros componentes ligados a essa gigantesca indústria. Ele quer dar prioridade para o Brasil e para a América do Sul. Então, temos que começar a repertoriar [compilar, formar repertório] completamente o estado da arte da indústria naval argentina, uruguaia, venezuelana, colombiana. Temos interesse em que essa demanda estimule completamente o processo de industrialização ou reindustrialização da América do Sul. Quando começou o governo Lula, a indústria naval estava muito fragilizada. Houve, então, um salto, a partir também das estatais que começaram produzir as plataformas aqui.

ABr: Um modelo desse pressupõe estabilidade econômica, fiscal, ter a regulamentação das legislações?

Marco Aurélio Garcia: A supranacionalidade é uma coisa que normalmente vai sendo aceita, ai é sempre um problema de sensibilidade, e eu acho que sua aceitação maior ou menor está sempre ligada à capacidade que ela tem de resolver os problemas substantivos. Se houver base de supranacionalidade que resolva os problemas das assimetrias, os problemas sociais, que fortaleça a democracia, ela será aceita. Se não for assim, não será aceita. No caso europeu, onde é que esbarraram os mecanismos supranacionais que a União Européia criou? Esbarraram no fato de que alguns países acreditaram que não era uma Europa social, não estavam sendo resolvidos problemas cruciais, estava-se tentando montar uma institucionalidade, uma burocracia. Não sei se é esse, ou não, não quero entrar na discussão dos europeus, mas o que digo é que, de qualquer maneira, quando as populações de alguns países ou de todos não se reconhecem mais nas instituições, isso vale tanto para o ponto de vista nacional como regional.

ABr: Então quer dizer que, do ponto de vista industrial, o Brasil vai ter uma demanda de submarinos, navios, equipamentos etc?

Marco Aurélio: Nós temos interesse de que essa demanda possa estimular, concretamente, o processo de industrialização e de reindustrialização da América do Sul. Do Brasil, evidentemente. Então no fundo, você observa o seguinte: quando começou o governo Lula, o estado em que se encontrava a indústria naval era muito fragilizado. Hoje, houve um salto. A partir de quê? Também das estatais.

ABr: Com essa disponibilidade de energia, a matriz energética também começa a ser revista…

Marco Aurélio: Eu acho que o tema energético tem que ser pensado de forma mais abrangente. Nós vivemos um grande paradoxo na região. A região tem as maiores reservas energéticas do mundo, se você somar o potencial hidroelétrico, petróleo, gás, biocombustíveis, sol, vento, e até nuclear. Então nós temos, sem dúvida, a maior reserva energética do mundo e muito diversificada. Qual é o paradoxo que nós temos aqui? Temos gigantesco potencial energético e temos crise de energia em vários países. Uruguai, que vive sempre no limite, Argentina, no limite, o Chile, o Paraguai, que vivem essa coisa surrealista de ter Itaipu e ter apagão em Assunção, e assim vamos. Então uma das coisas que vamos ter que fazer é buscar soluções coletivas para isso. Coletivas e diferenciadas. Evidentemente o país que tem o maior potencial hidroelétrico do mundo, e isso é seguro, talvez não tenha o maior potencial de combustíveis fósseis, se formos comparar com o que é o Oriente Médio, com o que é a Rússia. Ainda que as descobertas de gás sejam sensacionais, a expansão das reservas venezuelanas e brasileiras também é muito expressiva. Tirando isso, que poderia ser objeto de discussão, do ponto de vista de hidroeletricidade, que é energia renovável, não poluente e barata, nós temos o maior potencial do mundo. No entanto, nós ainda não temos resolvidos os nossos problemas energéticos. Tomemos o exemplo do Brasil. Aqui no Brasil, uma das razões do apagão que houve era a ausência de redes de conexão. Quando as zonas de interconexão se estabeleceram, o governo fez um investimento que praticamente dobrou as ligações de redes no Brasil. Apesar de que aumentou muito o consumo, com o crescimento da economia, que provocou o crescimento do consumo doméstico, cerca de 7 milhões de pessoas que receberam o Luz Para Todos. Mas quando essa rede se estabeleceu, os riscos do desabastecimento diminuíram. Estamos fazendo novos investimentos, que nos garantem elevação do teto de proteção. A mesma situação se coloca para a América do Sul. Se, quando construirmos as hidroelétricas de Madeira [do Rio Madeira: Jirau e Santo Antônio] e outras que venham, se formos fazer uma binacional com os bolivianos e com os argentinos, a de Garabi, tudo isso vai ter uma utilização multinacional. Estamos diante de uma perspectiva de consolidação, de uma espécie de divisão do potencial energético do continente, quer dizer, que cada país tem, como a Bolívia, que tem gás – mas se quiser, pode ter eletricidade – e o Brasil, que não tem tanto, mas tem petróleo suficiente, tem biocombustíveis – o Uruguai está começando a investir em biocombustíveis e agora eles descobriram petróleo. Até porque eu acho que uma das coisas que é interessante é: você veja o tipo de discussão que o pré-sal está produzindo no Brasil. Não é uma discussão ligada, fundamentalmente, à relação de sustentabilidade energética. Não é isso? O que está se discutindo no Brasil exatamente é ‘o que é que nós vamos fazer com os excedentes, qual será a utilização do excedente petrolífero que vai se produzir no Brasil?’ Nós não queremos exportar petróleo bruto. Por isso decidimos construir duas grandes refinarias, uma no Maranhão e outra, no Ceará. que vão se dedicar a exportar gasolina premium para o mundo, para agregar valor. É evidente que nós vamos querer compartilhar com os outros países os investimentos necessários para a produção da exploração do pré-sal, o impacto que isso terá sobre a economia brasileira é gigantesco.

ABr: E aí o senhor acha que fortalece o Mercosul, a visão econômica de região, o senhor acha que isso será um mote para consolidar?

Marco Aurélio: Acho que isso ajudará muito. Não vai nos dispensar de tomar outras medidas, que são claras hoje. Precisamos reforçar a estrutura física, a conectividade entre os países, precisamos reforçar a infra-estrutura energética, porque ela independe do programa do pré-sal. Em terceiro lugar, precisamos fortalecer os mecanismos financeiros, a questão do bloco sul é importante, a quantidade de obras que precisam ser feitas aqui. Precisamos também reforçar as políticas sociais, sobretudo uma série de programas de fronteira que são muito importantes, que beneficiam as populações dos países vizinhos e a nossa também. Vamos ter que pensar, também, em outros mecanismos financeiros, quer dizer, essa experiência que estamos iniciando com a Argentina de comércio em moeda nacional pode se generalizar para os outros países. Há ganhos muito fortes. Por outro lado, precisamos agilizar certos mecanismos de garantia na região. Hoje em dia o problema não é tanto emprestarmos para o país A, B ou C, uma certa quantia para ele realizar uma obra. A negociação das condições, em geral, é um trabalho de engenharia financeira que se resolve rapidamente. O grande problema, muitas vezes, são as garantias. Então como é que se faz. Convênio de crédito recíproco é um mecanismo, conta-petróleo, conta-gás, conta-isso, conta-aquilo. Esse é um problema que nós também precisamos sofisticar mais. Eu diria que, finalmente, haverá, tudo isso, associado a outra coisa, também importante, que é criar mecanismos de compensação das assimetrias.

ABr: Como isso é possível?

Marco Aurélio: Essa institucionalidade se reforça reforçando mecanismos já existentes e criando outros. No caso do Mercosul, nós temos uma estrutura em Montevidéu que é muito frágil. Então ela precisaria ser reforçada, mas consideravelmente, para que pudesse haver, por parte do Mercosul, uma capacidade de iniciativa maior. Agora nós vamos ter um parlamento, que pode ser um elemento importante. Uma particularidade que os países menores, muitas vezes, ficam preocupados, é que o parlamento pode significar uma hegemonia brasileira. Isso é uma bobagem. O Parlamento Europeu não está dominado pela Alemanha, França, Reino Unido ou Polônia, mas em partes e tendências que são partidárias.

ABr: O senhor acha que vamos caminhar por esse modelo?

Marco Aurélio:Eu espero que sim.

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/08/27/materia.2008-08-27.0561152991/view


Países sul-americanos poderão cooperar com produção do pré-sal

27 de agosto de 2009

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/08/27/materia.2008-08-27.0561152991/view

AGÊNCIA BRASIL

27 de Agosto de 2008

Marco Aurélio Garcia: países sul-americanos poderão cooperar com produção do pré-sal

Ivanir José Bortort e Yara Aquino

Repórteres da Agência Brasil

Brasília – Os países da América do Sul poderão cooperar com o complexo industrial destinado à produção do petróleo do pré-sal, dentro de uma estratégia do Brasil de fortalecimento da economia regional.

A expectativa é do assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, ministro Marco Aurélio Garcia.

Como exemplo, ele diz que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer dar prioridade à indústria naval do continente para atender parte da necessidade de compra de 200 novos navios pela Petrobras.

Em entrevista à Agência Brasil, Garcia também defende a expansão da indústria brasileira nesses países, como forma de reequilibrar a balança comercial, e manifesta a intenção do Brasil de expandir para o Uruguai e Paraguai o mesmo tipo de acordo automotivo feito este ano com a Argentina.

ABr: A descoberta do pré-sal vai implicar alguma mudança nesse processo de integração industrial com os nossos vizinhos. Como o senhor está vendo este processo?

Marco Aurélio: Só para citar um número, a Petrobras terá que encomendar 200 navios. Hoje não há capacidade de produção de 200 navios no mundo, então, o presidente Lula [Luiz Inácio Lula da Silva] tem enfatizado que quer prioridade para a produção disso e de outros componentes ligados a essa gigantesca indústria. Ele quer dar prioridade para o Brasil e para a América do Sul. Então, temos que começar a repertoriar [compilar, formar repertório] completamente o estado da arte da indústria naval argentina, uruguaia, venezuelana, colombiana. Temos interesse em que essa demanda estimule completamente o processo de industrialização ou reindustrialização da América do Sul. Quando começou o governo Lula, a indústria naval estava muito fragilizada. Houve, então, um salto, a partir também das estatais que começaram produzir as plataformas aqui.

ABr: Um modelo desse pressupõe estabilidade econômica, fiscal, ter a regulamentação das legislações?

Marco Aurélio Garcia: A supranacionalidade é uma coisa que normalmente vai sendo aceita, ai é sempre um problema de sensibilidade, e eu acho que sua aceitação maior ou menor está sempre ligada à capacidade que ela tem de resolver os problemas substantivos. Se houver base de supranacionalidade que resolva os problemas das assimetrias, os problemas sociais, que fortaleça a democracia, ela será aceita. Se não for assim, não será aceita. No caso europeu, onde é que esbarraram os mecanismos supranacionais que a União Européia criou? Esbarraram no fato de que alguns países acreditaram que não era uma Europa social, não estavam sendo resolvidos problemas cruciais, estava-se tentando montar uma institucionalidade, uma burocracia. Não sei se é esse, ou não, não quero entrar na discussão dos europeus, mas o que digo é que, de qualquer maneira, quando as populações de alguns países ou de todos não se reconhecem mais nas instituições, isso vale tanto para o ponto de vista nacional como regional.

ABr: Então quer dizer que, do ponto de vista industrial, o Brasil vai ter uma demanda de submarinos, navios, equipamentos etc?

Marco Aurélio: Nós temos interesse de que essa demanda possa estimular, concretamente, o processo de industrialização e de reindustrialização da América do Sul. Do Brasil, evidentemente. Então no fundo, você observa o seguinte: quando começou o governo Lula, o estado em que se encontrava a indústria naval era muito fragilizado. Hoje, houve um salto. A partir de quê? Também das estatais.

ABr: Com essa disponibilidade de energia, a matriz energética também começa a ser revista…

Marco Aurélio: Eu acho que o tema energético tem que ser pensado de forma mais abrangente. Nós vivemos um grande paradoxo na região. A região tem as maiores reservas energéticas do mundo, se você somar o potencial hidroelétrico, petróleo, gás, biocombustíveis, sol, vento, e até nuclear. Então nós temos, sem dúvida, a maior reserva energética do mundo e muito diversificada. Qual é o paradoxo que nós temos aqui? Temos gigantesco potencial energético e temos crise de energia em vários países. Uruguai, que vive sempre no limite, Argentina, no limite, o Chile, o Paraguai, que vivem essa coisa surrealista de ter Itaipu e ter apagão em Assunção, e assim vamos. Então uma das coisas que vamos ter que fazer é buscar soluções coletivas para isso. Coletivas e diferenciadas. Evidentemente o país que tem o maior potencial hidroelétrico do mundo, e isso é seguro, talvez não tenha o maior potencial de combustíveis fósseis, se formos comparar com o que é o Oriente Médio, com o que é a Rússia. Ainda que as descobertas de gás sejam sensacionais, a expansão das reservas venezuelanas e brasileiras também é muito expressiva. Tirando isso, que poderia ser objeto de discussão, do ponto de vista de hidroeletricidade, que é energia renovável, não poluente e barata, nós temos o maior potencial do mundo. No entanto, nós ainda não temos resolvidos os nossos problemas energéticos. Tomemos o exemplo do Brasil. Aqui no Brasil, uma das razões do apagão que houve era a ausência de redes de conexão. Quando as zonas de interconexão se estabeleceram, o governo fez um investimento que praticamente dobrou as ligações de redes no Brasil. Apesar de que aumentou muito o consumo, com o crescimento da economia, que provocou o crescimento do consumo doméstico, cerca de 7 milhões de pessoas que receberam o Luz Para Todos. Mas quando essa rede se estabeleceu, os riscos do desabastecimento diminuíram. Estamos fazendo novos investimentos, que nos garantem elevação do teto de proteção. A mesma situação se coloca para a América do Sul. Se, quando construirmos as hidroelétricas de Madeira [do Rio Madeira: Jirau e Santo Antônio] e outras que venham, se formos fazer uma binacional com os bolivianos e com os argentinos, a de Garabi, tudo isso vai ter uma utilização multinacional. Estamos diante de uma perspectiva de consolidação, de uma espécie de divisão do potencial energético do continente, quer dizer, que cada país tem, como a Bolívia, que tem gás – mas se quiser, pode ter eletricidade – e o Brasil, que não tem tanto, mas tem petróleo suficiente, tem biocombustíveis – o Uruguai está começando a investir em biocombustíveis e agora eles descobriram petróleo. Até porque eu acho que uma das coisas que é interessante é: você veja o tipo de discussão que o pré-sal está produzindo no Brasil. Não é uma discussão ligada, fundamentalmente, à relação de sustentabilidade energética. Não é isso? O que está se discutindo no Brasil exatamente é ‘o que é que nós vamos fazer com os excedentes, qual será a utilização do excedente petrolífero que vai se produzir no Brasil?’ Nós não queremos exportar petróleo bruto. Por isso decidimos construir duas grandes refinarias, uma no Maranhão e outra, no Ceará. que vão se dedicar a exportar gasolina premium para o mundo, para agregar valor. É evidente que nós vamos querer compartilhar com os outros países os investimentos necessários para a produção da exploração do pré-sal, o impacto que isso terá sobre a economia brasileira é gigantesco.

ABr: E aí o senhor acha que fortalece o Mercosul, a visão econômica de região, o senhor acha que isso será um mote para consolidar?

Marco Aurélio: Acho que isso ajudará muito. Não vai nos dispensar de tomar outras medidas, que são claras hoje. Precisamos reforçar a estrutura física, a conectividade entre os países, precisamos reforçar a infra-estrutura energética, porque ela independe do programa do pré-sal. Em terceiro lugar, precisamos fortalecer os mecanismos financeiros, a questão do bloco sul é importante, a quantidade de obras que precisam ser feitas aqui. Precisamos também reforçar as políticas sociais, sobretudo uma série de programas de fronteira que são muito importantes, que beneficiam as populações dos países vizinhos e a nossa também. Vamos ter que pensar, também, em outros mecanismos financeiros, quer dizer, essa experiência que estamos iniciando com a Argentina de comércio em moeda nacional pode se generalizar para os outros países. Há ganhos muito fortes. Por outro lado, precisamos agilizar certos mecanismos de garantia na região. Hoje em dia o problema não é tanto emprestarmos para o país A, B ou C, uma certa quantia para ele realizar uma obra. A negociação das condições, em geral, é um trabalho de engenharia financeira que se resolve rapidamente. O grande problema, muitas vezes, são as garantias. Então como é que se faz. Convênio de crédito recíproco é um mecanismo, conta-petróleo, conta-gás, conta-isso, conta-aquilo. Esse é um problema que nós também precisamos sofisticar mais. Eu diria que, finalmente, haverá, tudo isso, associado a outra coisa, também importante, que é criar mecanismos de compensação das assimetrias.

ABr: Como isso é possível?

Marco Aurélio: Essa institucionalidade se reforça reforçando mecanismos já existentes e criando outros. No caso do Mercosul, nós temos uma estrutura em Montevidéu que é muito frágil. Então ela precisaria ser reforçada, mas consideravelmente, para que pudesse haver, por parte do Mercosul, uma capacidade de iniciativa maior. Agora nós vamos ter um parlamento, que pode ser um elemento importante. Uma particularidade que os países menores, muitas vezes, ficam preocupados, é que o parlamento pode significar uma hegemonia brasileira. Isso é uma bobagem. O Parlamento Europeu não está dominado pela Alemanha, França, Reino Unido ou Polônia, mas em partes e tendências que são partidárias.

ABr: O senhor acha que vamos caminhar por esse modelo?

Marco Aurélio:Eu espero que sim.

Continua….

http://www.agenciabrasil.gov.br/noticias/2008/08/27/materia.2008-08-27.0561152991/view

O petróleo e o tempo, por André Ghirardi

19 de agosto de 2008

Le Monde Diplomatique Brasil

19/08/2008

O petróleo e o tempo

Estaremos ricos, com a descoberta dos imensos campos de petróleo do “pré-sal”? Ficarão para trás os problemas da falta de recursos financeiros? Tudo dependerá de decisões políticas que serão tomadas nos próximos meses. Questão crucial: que ritmo de exploração atende aos interesses da sociedade?

André Ghirardi

A sociedade brasileira apenas começa a despertar para um novo e imenso desafio que surgiu há poucos meses. Em novembro de 2007 a Petrobras anunciou a descoberta de novas jazidas de petróleo na costa do Brasil. Isto em si não seria incomum já que, nos últimos anos, anúncios desse tipo têm sido rotineiros. São muitas as descobertas ao largo da costa brasileira desde 2003, seja na já tradicional área da Bacia de Campos, ou em áreas menos conhecidas do grande público como o Parque das Baleias na costa do Espírito Santo. Mas o anúncio feito em 8 de novembro de 2007 nada teve de rotineiro. A notícia não foi transmitida na forma habitual para esse tipo de comunicação, mas sim em cerimônia conduzida pelos ministros da Casa Civil e Minas e Energia, acompanhados do presidente da Petrobras e toda a diretoria da companhia. Naquela quinta-feira de novembro, anunciou-se que um antigo sonho do Brasil se havia materializado na vida real: a Petrobras tinha descoberto, na ainda pouco explorada Bacia de Santos, acumulações tais como sonhadas por Monteiro Lobato, setenta anos atrás, pela abundância e boa qualidade do petróleo encontrado. O volume contido num único campo, o de Tupi, corresponde a cerca da metade de toda a reserva brasileira até então conhecida. E há indícios fortes de que esse grande campo seja apenas parte de uma imensa acumulação, comprimida sob uma placa de sal formada há milhões de anos, e que se estende pelo litoral brasileiro desde Santa Catarina até o Espírito Santo. Durante as décadas de 1950 e 1960 o Brasil lutou para encontrar petróleo em seu território. Acabou por encontrar no mar, a partir da década de 1970, quantidades cada vez maiores, embora o país seguisse muito dependente do petróleo importado. A partir de 2006, as reservas desenvolvidas passaram a produzir volume suficiente para garantir todo o suprimento doméstico. E desde 8 novembro de 2007, de forma surpreendente, o Brasil se depara com a possibilidade concreta de se transformar num dos grandes produtores mundiais de petróleo, do mesmo porte que os tradicionais países exportadores do Oriente Médio. Apenas começamos a despertar para esse imenso desafio. Ainda sem conhecer exatamente a extensão desse potencial gigantesco, começamos a ponderar sobre a melhor forma de agir diante dessa nova realidade.

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